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Mai de 2002
VOLUME 37 - NÚMERO 5

ATUALIZAÇAO

Trombose venosa profunda em artroplastia total de quadril*

ALEJANDRO CASSONE, ALEXANDRE DE CHRISTO VIEGAS, GUILHERME TUROLLA SGUIZZATTO, HENRIQUE ANTÔNIO BERWANGER DE AMORIM CABRITA, MARCOS DE AMORIM AQUINO, MARIA ELIZABETH FURLANETO, RODRIGO BEZERRA DE MENEZES REIFF, LUIZ EUGÊNIO GARCEZ LEME, MARCO MARTINS AMATUZZI

Rev Bras Ortop. 2002;37(5):

A artroplastia total do quadril (ATQ) é procedimento eletivo, realizado em indivíduos relativamente saudáveis. Pacientes submetidos a este tipo de operação, no entanto, apresentam risco para o desenvolvimento de doença tromboembólica venosa e embolia pulmonar. Os fenômenos tromboembólicos representam as complicações mais comuns de ATQ e são a maior causa de morte nos três primeiros meses após a operação, respondendo por mais de 50% da mortalidade pós-operatória(1). A seleção de um método eficaz de profilaxia desses fenômenos e um adequado conhecimento de suas peculiaridades terapêuticas são, pois, parte inerente à segurança desse procedimento cirúrgico. O surgimento de métodos cientificamente eficazes para esse propósito propiciou óbvia diminuição do risco cirúrgico e dos custos hospitalares, o que redunda em maior segurança para o paciente e o cirurgião; no entanto, ainda não há consenso na literatura sobre alguns pontos, como a duração apropriada do tratamento, a ocorrência de eventos tromboembólicos após a alta hospitalar e o papel da investigação diagnóstica para fenômenos assintomáticos. O objetivo deste trabalho é estruturar uma revisão descritiva desse tema, ressaltando aspectos sobre a profilaxia, diagnóstico e tratamento da doença tromboembólica, como complicação de ATQ. Unitermos - Artroplastia total de quadril; trombose venosa profunda; tromboembolismo pulmonar; diagnóstico; prevenção; tratamento

ARTIGO ORIGINAL

Tratamento das deformidades do punho em crianças após o fechamento precoce da placa epifisária distal do rádio*

EMYGDIO JOSÉ LEOMIL DE PAULA, RAMES MATTAR JUNIOR, RONALDO JORGE AZZE

Rev Bras Ortop. 2002;37(5):

Os autores apresentam os resultados da osteotomia metafisária subperiostal e alongamento ósseo do rádio, no tratamento da deformidade em desvio radial póstraumática, devido ao fechamento precoce da placa de crescimento em sete pacientes, seis do sexo masculino e um do feminino. O tempo decorrido entre o trauma e o surgimento da deformidade foi em média de 3,2 anos e a média de idade dos pacientes, de 10,6 anos. Um paciente apresentou paralisia temporária do nervo interósseo posterior e outro evoluiu com infecção profunda. O alongamento foi realizado em regime domiciliar e houve correção da deformidade em seis pacientes.

Haste flexível de titânio na fratura de fêmur na criança*

CLÁUDIO SANTILI, MIGUEL AKKARI, GILBERTO WAISBERG, ALEXANDRE ANTONIO DE CAMARGO, FÁBIO PINTO NOGUEIRA, JOSÉ C.L. PRADO

Rev Bras Ortop. 2002;37(5):

Nas últimas duas décadas, autores têm apresentado bons resultados com a fixação primária das fraturas diafisárias do fêmur na criança. Neste estudo são relatados os resultados obtidos com o emprego das hastes elásticas de titânio no tratamento de oito fraturas diafisárias de fêmur, em oito crianças. As idades dos pacientes variaram entre oito e 12 anos, sendo na maioria fraturas ístmicas e de traços transversos. Nos resultados, ainda que preliminares, ressaltam-se a redução significativa no período de internamento, a possibilidade de apoio e mobilização articular precoces, ausência de complicações maiores a curto e médio prazo. Os autores concluem, apesar do pequeno número de pacientes e do curto período de seguimento, que a técnica tem vantagens em relação aos métodos convencionais, principal-mente em relação à facilidade de manuseio do material, à liberação precoce para os movimentos e carga, e ao baixo custo final do procedimento.

Avaliação do tratamento ortopédico no mieloma múltiplo*

FERNANDO MIELE DA PONTE, REYNALDO JESUS GARCIA FILHO, MARIA BEATRIZ HADLER, MARCOS KORUKIAN, HELIO YOSHITERO ISHIHARA

Rev Bras Ortop. 2002;37(5):

Os autores analisam 32 pacientes portadores de mieloma múltiplo atendidos no período de maio de 1985 a abril de 1996, no Hospital São Paulo da EPM/Unifesp. Dezessete pacientes (53%) eram do sexo masculino e 15 (47%) do feminino, com idade variando de 38 a 75 anos ( = 61 anos). A queixa inicial foi de lombalgia em 12 pacientes (37,5%), dor óssea difusa em 12 (37,5%), fra-tura patológica em cinco (15,6%) e presença de massa palpável em três (9,4%). Dentre os 17 pacientes estagiados, oito foram classificados como IIA, quatro como IIIA, três como IA e dois como IIIB. Os ossos mais acometidos foram: o crânio em 19 pacientes; as vértebras em 17; o fêmur e a bacia em nove; o úmero em sete; as costelas em cinco; a clavícula e o rádio em três; a escápula em dois; e a tíbia e o calcâneo em um paciente. Na eletroforese de proteína foi encontrado o pico deglobulina em 20 pacientes (62,5%), o deglobulina em dois (6,25%) e valores normais em nove (28,2%). A análise da proteína de Bence Jones foi positiva em oito (25%) e negativa em 24 (75%) dos pacientes. O diagnóstico inicial foi o de mieloma múltiplo em 28 (87,5%) pacientes e, em quatro (12,5%), o de plasmocitoma. O tratamento ortopédico conservador foi realizado 26 (61,9%) vezes, o cirúrgico 12 (28,5%) e, em quatro (9,6%) vezes, ambos foram utilizados. Trinta e um pacientes (96,8%) foram tratados com quimioterapia isoladamente, 15 (46,8%), com quimioterapia associada à radioterapia e um paciente (3,2%) apenas com radioterapia. É proposto um protocolo de tratamento e atendimento para os pacientes portadores de mieloma múltiplo.

Estudo populacional do teste de Watson para avaliação da hipermobilidade do escafóide no punho*

JOÃO CARLOS BELLOTI, WALTER MANNA ALBERTONI, FLAVIO FALOPPA

Rev Bras Ortop. 2002;37(5):

O presente estudo populacional pesquisou a ocorrência de hipermobilidade do escafóide no punho, median-te aplicação do teste de Watson, em uma população padronizada quanto a idade e sexo, e sem história de patologias prévias no punho. Foram avaliados 100 voluntários (200 punhos), mediante o exame clínico e o radiográfico. No exame físico, o teste de Watson foi realizado bilateralmente, sendo também pesquisada a presença de frouxidão ligamentar. No exame radiográfico do punho foram pesquisadas possíveis anormalidades do carpo e medidos o ângulo e o espaço escafolunar. A prevalência global para a positividade do teste de Watson foi de 37%, sendo 26% de forma bilateral e 11% unilateral. O exame radiográfico não possibilitou a diferenciação entre indivíduos com teste de Watson positivo ou negativo. Na população estudada, 13 indivíduos (13%) apresentaram sinais de frouxidão ligamentar, sendo que 12 (92,3%) destes apresentaram o teste de Watson positivo bilateral.

Utilização da poliuretana da mamona nas formas compacta e porosa no preenchimento de falha óssea: estudo experimental em cães*

HELENCAR IGNÁCIO, NILTON MAZZER, CLÁUDIO H. BARBIERI, GILBERTO O. CHIERICE

Rev Bras Ortop. 2002;37(5):

Foram realizadas, em 18 cães, falhas ósseas com dimensões de 1,0cm de diâmetro por 0,8cm de profundidade nas metáfises distais dos fêmures e proximais das tíbias bilateralmente, que foram preenchidas com a poliuretana da mamona. Todos os animais foram sacrificados após três, seis e 12 meses da cirurgia. Macroscopicamente, ao longo do tempo, observou-se aderência maior dos corpos de prova no interior dos defeitos ósseos, especialmente nos porosos. As avaliações radiográficas evidenciaram aspectos semelhantes aos obtidos pela tomografia computadorizada, com formação de uma linha de menor radiodensidade entre o implante e o tecido ósseo. Os dados obtidos com a microscopia de luz demonstraram a formação de um tecido conjuntivo fibroso na interface osso-poliuretana, que não diminuiu de espessura ao longo do tempo e que penetrou superficialmente nos corpos de prova de maior porosidade, especialmente no maior tempo de evolução. Não foi verificada, histologicamente, a presença de reação tipo corpo estranho ou de células fagocitárias e, na microscopia eletrônica de varredura, não se observaram sinais de irregularidades na superfície da poliuretana em contato com o tecido ósseo, indicativos de reabsorção do material.

Estudo das terminações nervosas dos discos intervertebrais da coluna lombar de humanos*

VALDECI MANOEL DE OLIVEIRA, EDUARDO BARROS PUERTAS, MARIA TERESA SEIXAS ALVES, JOSÉ CARLOS MELO CHAGAS, CARLOS EDUARDO ALGAVES SOUZA DE OLIVEIRA, FRANCISCO PRADO EUGÊNIO DOS SANTOS, MARCELO WAJCHENBERG

Rev Bras Ortop. 2002;37(5):

Os autores estudaram a terminação nervosa existente na coluna lombar de humanos, utilizando cinco colunas de cadáveres de adultos jovens. Foram retirados os discos intervertebrais de L1 até L5, num total de 25 discos. O material colhido foi fixado em formalina a 10%. Os discos assim tratados foram a seguir divididos no plano transverso e subdivididos em quatro partes no plano sagital, sendo identificada cada parte como: anterior, posterior e laterais. Foram a seguir feitos cortes finos de 4m corados pelo método imunohistoquímico estrepto-avidina-biotina-peroxidase para o anticorpo policlonal antiproteína S100. Foi avaliada de maneira interativa toda a circunferência do disco intervertebral, com aumento de 400 vezes, com auxilio de um sistema de análise digital de imagem. Os autores encontraram terminações nervosas em toda a superfície externa e camada superficial do ânulo fibroso. Não foram encontradas terminações nervosas na camada interna do ânulo fibroso e no núcleo pulposo. Houve diferença estatisticamente significante entre o número de terminações nervosas nas regiões laterais e posterior do disco intervertebral.

RELATO DE CASO

Rupturas tendinosas espontâneas em pacientes com insuficiência renal crônica: relato de dois casos*

ANTONIO AUGUSTO PEREIRA DANTAS, TELMO JOSÉ MAGALHÃES, MAX R. F. RAMOS, ISAAC S. ROTBANDE

Rev Bras Ortop. 2002;37(5):

As rupturas tendinosas no paciente renal crônico são raras, geralmente em tendões extensores, como o tendão do tríceps e do quadríceps, levando a um grau de incapacidade importante e grande insatisfação do paciente. São descritas causas sistêmicas como agente etiológico das lesões musculotendinosas: insuficiência renal crônica em hemodiálise, diabetes, gota, hiperparatireoidismo, nefrite crônica, doenças do colágeno, obesidade, miosite, tuberculose, osteogênese imperfecta, tuberculose, tumor, entre outras.
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