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Mai / Jun de 2019
VOLUME 54 - NÚMERO 3

ARTIGO DE REVISÃO

Indicações da neurotomia dos nervos geniculares por radiofrequência para o tratamento da osteoartrite do joelho: uma revisão de literatura*

Diego Ariel de Lima, Marcelo Carvalho Krause Gonçalves, Souterland Thiago Correia e Sá Grando, Thiago Luiz de Lima Cintra, Dilamar Moreira Pinto, Romeu Krause Gonçalves

Rev Bras Ortop. 2019;54(3):233-40

A osteoartrite é uma das patologias mais frequentes e incapacitantes na atualidade, principalmente do joelho. Dentre as abordagens possíveis para osteoartrite, a neurotomia dos nervos geniculares por radiofrequência vem se destacando. Todavia, por se tratar de um procedimento relativamente novo, as indicações para realização ainda não estão bem definidas. O principal objetivo desta revisão foi identificar as principais indicações do uso da radiofrequência para o tratamento da osteoartrite do joelho na literatura médica. Foi realizada revisão da literatura em janeiro de 2018, através de pesquisa nas bases de dados PubMed, Clinicalkey e Google Scholar. Após revisão dos principais artigos no assunto, foi concluído que as principais indicações do uso da radiofrequência para o tratamento da osteoartrite do joelho foram: pacientes com osteoartrite grau 3 e 4 da classificação de Kellgren-Lawrence, com dor de moderada a severa e falha do tratamento conservador, principalmente idosos; persistência da dor, mesmo após realizado artroplastia total de joelho; pacientes com indicação de artroplastia total de joelho e que se recusam a submeter-se ao tratamento cirúrgico.


Palavras-chave: procedimentos neurocirúrgicos; ondas de rádio; rizotomia; osteoartrite do joelho; articulação do joelho.

Osteocondroma retroescapular como diagnóstico diferencial de escápula alada*

Marco Aurélio de Oliveira, Yuri Alfaro, Anastácio Kotzias, Mário César Korman

Rev Bras Ortop. 2019;54(3):241-6

OBJETIVO O objetivo do presente trabalho é relatar as características clínicas de pacientes pediátricos com diagnóstico de osteocondroma retroescapular submetidos a tratamento cirúrgico, entre os anos de 2003 e 2017.
MÉTODOS Série de casos, analítica, descritiva e retrospectiva de sete pacientes com diagnóstico de osteocondroma retroescapular.
RESULTADOS A média de idade dos pacientes analisados foi de 9,5 anos, sendo 71% deles do sexo masculino. O tempo médio entre o início dos sintomas e o procedimento cirúrgico foi de 1,2 anos. Aproximadamente 71% dos pacientes apresentaram osteocondroma na escápula direita, e 57,1% dos casos foram classificados como sésseis. Ao exame clínico, observou-se pseudoescápula alada em 85,7%, crepitação em 71,4%, e queixa de dor em 42,9% dos pacientes.
CONCLUSÃO A escápula alada pode ter diferentes etiologias, dentre elas o osteocondroma retroescapular. O conhecimento sobre anatomia funcional e semiologia ortopédica somado à correta sistematização da abordagem dos tumores ósseos consiste na base para o correto diagnóstico diferencial e tratamento adequado.


Palavras-chave: osteocondroma; escápula; neoplasias ósseas.

ARTIGO ORIGINAL

Estudo mecânico das propriedades dos fios de sutura usados em cirurgias ortopédicas*

Leandro Cardoso Gomide, Dagoberto de Oliveira Campos, Cleudmar Amaral Araújo, Gabriela Lima Menegaz, Rafael Silva Cardoso, Sérgio Crosara Saad

Rev Bras Ortop. 2019;54(3):247-52

OBJETIVO Avaliar as propriedades mecânicas dos fios de sutura normalmente usados nas cirurgias ortopédicas e caracterizar seu comportamento por meio de ensaios de tração para verificar qual deles apresenta maior resistência mecânica.
MÉTODO Os ensaios de tração dos diferentes tipos de fios de sutura foram feitos na máquina de ensaios mecânicos BME 10 kN, com célula de carga de capacidade máxima de 50 kgf. Foram ensaiadas sete amostras de cada tipo de fio de sutura, foram fixadas cada uma das extremidades da amostra na garra metálica própria para o ensaio de fios e manteve-se o comprimento inicial de 5 cm. Os ensaios foram feitos com uma velocidade de 20 mm/minuto e à temperatura ambiente, registraram-se os dados de força máxima e o deslocamento máximo na ruptura dos fios.
RESULTADOS A força média de ruptura mais elevada foi observada na sutura FiberWire® 2 (Artrhex, Naples, FL, EUA) (240,17 N), seguida pela HiFi® 2 (Conmed, Utica, NY, EUA) (213,39 N) e Ethibond® 5 (Ethicon Inc., Somerville, NJ, EUA) (207,38 N). A menor força média de ruptura foi obtida para o fio Ethibond® 2 (Ethicon Inc., Somerville, NJ, EUA) (97,8 N).
CONCLUSÃO Os fios de sutura não absorvíveis de polimistura trançada, de surgimento mais recente, são superiores ao fio de sutura convencional de poliéster trançado. O FiberWire® 2 é o mais resistente dos fios avaliados no presente estudo.


Palavras-chave: ombro; articulação; acromioclavicular/lesões; articulação; acromioclavicular/cirurgia; fenômenos biomecânicos; suturas.

Estudo anatômico da inervação do músculo supinador para reinervar o nervo interósseo posterior*

Edie Benedito Caetano, Luiz Angelo Vieira, João José Sabongi, Maurício Ferreira Caetano, Rodrigo Guerra Sabongi, Bruno Azi Pacileo Cruz

Rev Bras Ortop. 2019;54(3):253-60

OBJETIVO O objetivo deste estudo anatômico, foi analisar a possibilidade de transferir os ramos do nervo radial destinados ao músculo supinador para reinervar o nervo interósseo posterior (NIP), que se origina das raízes C7-T1.
MÉTODOS Foram dissecados 30 membros de 15 cadáveres, todos do sexo masculino, preparados por injeção intra-arterial de uma solução de glicerina e formol a 10%.
RESULTADOS Em todos os membros dissecados, encontramos pelo menos um ramo destinado a cada uma das cabeças – superficial e profunda – do músculo supinador. Esses tiveram origem no NIP. Identificamos, proximal à arcada de Frohse, um ramo para o supinador em seis membros; 2 ramos para o supinador em 11 membros e 3 ramos em 4 membros. Em dois membros, apenas um ramo desprendia-se do NIP, mas se duplicava proximalmente à arcada de Frohse. Em sete membros, não identificamos ramos para o supinador proximal à arcada de Frohse. Os ramos destinados ao músculo supinador foram seccionados na junção neuromuscular, podendo ser conectados sem tensão ao NIP. O diâmetro somado dos ramos destinados ao músculo supinador correspondeu, em média, a 53,5% do diâmetro do NIP.
CONCLUSÃO Este estudo anatômico mostra que ramos do nervo radial destinados ao músculo supinador podem ser transferidos diretamente para o NIP sem tensão para restaurar a extensão do polegar e dos dedos em pacientes com lesões de plexo braquial C7-T1.


Palavras-chave: plexo braquial; músculo esquelético; nervos periféricos; dedos; transferência de nervo.

Análise biomecânica de dois tipos de fixação de fratura supracondiliana de úmero em modelo anatômico*

Marcos Ceita Nunes, Ticiano Dozza Posser, Charles Leonardo Israel, Leandro de Freitas Spinelli, Luis Gustavo Calieron, Jung Ho Kim

Rev Bras Ortop. 2019;54(3):261-7

OBJETIVO Analisar através de ensaios mecânicos a estabilidade da fixação da fratura supracondiliana do úmero com dois fios de Kirschner, intramedular e lateral (Fi), comparada à fixação com dois fios laterais paralelos (FL) em modelos anatômicos, de forma a se definir qual configuração apresenta maior estabilidade.
MÉTODOS Foram utilizados como corpos de prova 72 úmeros sintéticos, os quais foram seccionados transversalmente para simular a fratura. Estes ossos foram divididos em dois grupos iguais e as fraturas fixadas com dois fios de Kirschner paralelos (FL) e com um fio lateral e outro intramedular (Fi). Então os corpos de prova foram submetidos aos testes de carga em estresse em uma máquina de ensaio universal, medidos em Newtons (N). Cada grupo foi subdividido em carga em varo, em valgo, em extensão, em flexão, em rotação externa e em rotação interna. A análise dos dados foi realizada comparando os subgrupos do grupo FL, com seus respectivos subgrupos do grupo Fi através do teste t bicaudal.
RESULTADOS O teste t bicaudal demonstrou que em 4 das 6 condições aplicadas não houve diferença estatística significativa entre os grupos (p > 0,05). Encontramos uma diferença significativa entre os grupos com carga em extensão com uma média das maiores forças no grupo FL de 19 N e no grupo Fi de 28,7 N (p = 0,004), e também entre os grupos com carga em flexão com a média de forças registradas no grupo FL de 17,1 N e no grupo Fi de 22,9 N (p = 0,01).
CONCLUSÃO A fixação com fio intramedular e um fio lateral para cargas em extensão e flexão apresenta maior estabilidade quando comparada com a fixação com dois fios laterais paralelos, sugerindo resultados clínicos no mínimo semelhantes.


Palavras-chave: fenômenos biomecânicos; epífises/lesões; fixação de fratura; fraturas do úmero.

Lesão do tendão flexor: sutura na região avascular ou vascularizada? Estudo biomecânico e histopatológico em coelhos*

Trajano Sardenberg, Sergio Swain Muller, Kunie Iabuk Rabello Coelho, Denis Varanda, Andrea Christina Cortopassi, Gilberto José Cação Pereira

Rev Bras Ortop. 2019;54(3):268-74

OBJETIVOS Analisar os aspectos mecânicos e histopatológicos da cicatrização do tendão flexor com interesse no local de colocação da sutura, na região vascularizada ou avascular.
MÉTODOS Um total de 83 coelhos foram submetidos à sutura central tipo Kessler na região de tendão vascularizado (grupo TN) e na de tendão avascular (grupo FC). O membro operado foi imobilizado por 3 semanas. Os animais foram sacrificados no período imediato, e a 2, 3 e 6 semanas de pós-operatório. As propriedades mecânicas estudadas foram: carga máxima, tensão na carga máxima, módulo de elasticidade, energia na carga máxima e energia por área. O tendão contralateral foi utilizado como controle. O estudo histopatológico foi descritivo.
RESULTADOS A análise das propriedades mecânicas demonstrou comportamento semelhante em ambos os grupos, com estabilização ou discreto aumento no período imediato com 3 semanas e aumento acentuado com 6 semanas. A histopatologia demonstrou processo de cicatrização semelhante nos grupos TN e FC.
CONCLUSÃO A colocação da sutura central na região vascularizada ou fibrocartilaginosa avascular não apresenta diferenças em relação aos aspectos biomecânicos e histopatológicos na cicatrização do tendão flexor profundo dos dedos do pé do coelho.


Palavras-chave: traumatismos dos tendões; coelhos; suturas.

Qual o prognóstico da artrodese tríplice quando utilizada no tratamento do pé plano adquirido do adulto (PPAA)?*

Daiana Kerry Picanço Gobbo, Nilson Roberto Severino, Ricardo Cardenuto Ferreira

Rev Bras Ortop. 2019;54(3):275-81

OBJETIVO Avaliar a capacidade da artrodese tríplice de aliviar as principais queixas dos pacientes que apresentam pé plano adquirido do adulto (PPAA): 1) dor incapacitante localizada no médio e retropé; 2) deformidades marcadas pelo colapso do arco medial, valgo, abdução e supinação.
MÉTODO Avaliamos 17 pacientes (20 pés) portadores de PPAA em estado avançado que foram submetidos à correção cirúrgica pela artrodese tríplice modelante. A média de idade dos pacientes no momento da cirurgia foi de 62 anos (variação de 38 a 79 anos), e o tempo médio de seguimento foi de 43 meses (variação de 18 a 84 meses). Utilizamos critérios clínicos empregando a escala visual analógica da dor (EVAD) e a escala funcional da American Orthopaedic Foot and Ankle Society (AOFAS, na sigla em inglês) do retropé para avaliar a eficácia da cirurgia.
RESULTADOS A dor residual mensurada pela EVAD foi de três pontos, em média. Observamos incremento médio de 23% nos valores da escala AOFAS do retropé após o tratamento cirúrgico. A correção das deformidades foi satisfatória em 10 de 20 pés; parcialmente satisfatória em 4 de 20 pés; parcialmente insatisfatória em 5 de 20 pés; e insatisfatória em 1 de 20 pés.
CONCLUSÃO Apesar da artrodese tríplice modelante indicada no tratamento do PPAA em estágio avançado apresentar alto índice de consolidação óssea, a correção incompleta das deformidades pré-existentes e a persistência de dor residual contribuíram para a elevada taxa de decepção dos pacientes com o resultado da cirurgia.


Palavras-chave: pé chato/etiologia; pé chato/cirurgia; artrodese; deformidades adquiridas do pé.

Hip disability and osteoarthritis outcome score (HOOS): um estudo de validação intercultural da versão na língua portuguesa

Rodrigo Kruchelski Machado, André Augusto Casagrande, Gustavo Roberto Pereira, João Ricardo Nickenig Vissoci, Ricardo Pietrobon, Ana Paula Bonilauri Ferreira

Rev Bras Ortop. 2019;54(3):282-7

OBJETIVO Escalas traduzidas e validadas são de grande importância, pois podem ser utilizadas por pesquisadores que estudam diferentes populações com o mesmo problema. O objetivo do presente estudo foi traduzir, adaptar culturalmente e validar a escala Hip Disability and Osteoarthritis Outcome Score (HOOS) para a língua portuguesa.
MÉTODOS O HOOS foi traduzido do inglês para a língua portuguesa, traduzido de volta para o inglês e submetido a um comitê de especialistas. Foi administrado a 100 pacientes com osteoartrite de quadril. A avaliação psicométrica incluiu a análise fatorial; medidas de confiabilidade interna, confiabilidade de teste-reteste em 7 dias e a comparação de validade de conteúdo com a versão brasileira da Escala de Dor Crônica Graduada (GCPS, na sigla em inglês).
RESULTADOS A análise fatorial demonstrou uma solução de cinco fatores. A confiabilidade de teste-reteste mostrou um alto grau de consistência interna para as 5 subescalas (dor e dificuldades físicas, 0,97 no 1º dia e 0,93 aos 7 dias; dor e dificuldade em sentar, deitar e levantar, 0,93 no 1º dia e 0,89 aos 7 dias; dificuldade em flexionar o joelho, 0,92 no 1º dia e 0,83 aos 7 dias; dificuldade de caminhada, 0,88 no 1º dia e 0,87 aos 7 dias; qualidade de vida, 0,80 no 1º dia e 0,35 aos 7 dias). A validade de conteúdo foi estabelecida durante a comparação da versão brasileira da GCPS.
CONCLUSÕES Uma versão brasileira do HOOS foi desenvolvida com confiabilidade e validade adequadas. Isso facilitará a avaliação clínica do quadril em uma grande população de pacientes e entre diferentes culturas.


Palavras-chave: osteoartrite do quadril; reproducibilidade de resultados; validade dos testes; linguagem; Brasil.

Como os cirurgiões ortopédicos tratam a fratura desviada do colo do fêmur no paciente de meia idade? Pesquisa brasileira com 78 cirurgiões ortopédicos*

Vincenzo Giordano, Marcos Giordano, Rodrigo Aquino, João Otávio Grossi, Hudson Senna, Hilton Augusto Koch

Rev Bras Ortop. 2019;54(3):288-94

OBJETIVO O objetivo do presente estudo foi avaliar as práticas e preferências dos cirurgiões ortopédicos brasileiros para o tratamento da fratura do colo do fêmur no paciente de meia idade.
MÉTODOS Foi elaborado um questionário contendo 10 imagens de fraturas do colo do fêmur enviado a um grupo de 100 ortopedistas, todos membros titulares da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. No questionário, foi perguntada a opção de tratamento para casos de fratura não desviada e desviada do colo do fêmur em pacientes de meia idade, caracterizados como aqueles com idades entre 50 e 69 anos. Foram realizadas análises estatísticas descritiva e inferencial, pelos testes de qui-quadrado (χ2) e exato de Fisher. O critério de determinação de significância adotado foi o nível de 5%.
RESULTADOS O questionário foi respondido por 78% dos ortopedistas convidados a participar do presente estudo. Observou-se que não existe diferença significativa na distribuição do método de tratamento entre as avaliações de generalistas e especialistas (p = 0,16) na amostra de fraturas não desviadas do colo do fêmur. Observou-se que existe diferença altamente significativa na distribuição do método de tratamento entre as avaliações de generalistas e especialistas (p < 0,0001) na amostra de fraturas desviadas do colo do fêmur.
CONCLUSÃO A preservação da cabeça femoral por meio da fixação com múltiplos parafusos canulados é o tratamento de escolha para as fraturas não desviadas do colo do fêmur, tanto para os generalistas quanto para os especialistas. Idade cronológica e/ou fisiológica baixas são os principais fatores para esta tomada de decisão. Nos casos em que a fratura do colo do fêmur encontra-se desviada, a substituição da cabeça femoral é a preferência para os dois grupos de ortopedistas (generalistas e especialistas). Nesta situação, os especialistas preferem a artroplastia total do quadril (ATQ) e os generalistas a artroplastia parcial do quadril (APQ).


Palavras-chave: fêmur; fraturas do colo femoral; parafusos ósseos; artroplastia.

Comparação da taxa de desgaste entre componentes de cerâmica sobre cerâmica, de metal sobre polietileno de alta ligação cruzada e de metal sobre metal*

Yoshitoshi Higuchi, Taisuke Seki, Daigo Morita, Daigo Komatsu, Yasuhiko Takegami, Naoki Ishiguro

Rev Bras Ortop. 2019;54(3):295-302

OBJETIVO Hoje, não há evidências sobre o acompanhamento em médio prazo da artroplastia total do quadril (ATQ) não cimentada com componentes de polietileno de alta ligação cruzada (highly cross-linked) sobre metal (MoP, na sigla em inglês), de cerâmica sobre cerâmica (CoC, na sigla em inglês), e de metal sobre metal (MoM, na sigla em inglês). Nosso objetivo foi calcular a taxa de desgaste entre 5 a 10 anos e a taxa de incidência de osteólise nos 3 tipos de componentes.
MÉTODOS Um total de 77 pacientes foram submetidos a ATQ com componentes de MoP; 105 foram submetidos ao mesmo procedimento com componentes de CoC, e 55 foram submetidos à ATQ com componentes de MoM. A média de idade dos pacientes no momento da cirurgia foi de 64,7, 55,9 e 59,9 anos nos grupos de componentes MoP, de CoC, e de MoM, respectivamente. As medidas clínicas e radiológicas em um período médio de acompanhamento de 7,6 anos foram analisadas.
RESULTADOS As pontuações médias de Harris no período pós-operatório não mostraram diferença entre os grupos. As taxas médias anuais de desgaste do revestimento foram de 0,0160, 0,0040 e 0,0054 mm/ano em componentes de MoP, de CoC, e de MoP, respectivamente; a taxa de desgaste dos componentes de CoC foi significativamente menor do que as dos demais. A osteólise (14,5%) nos componentes de MoM foi significativamente mais frequente em comparação aos demais. A sobrevida de Kaplan-Meier aos 10 anos com afrouxamento do implante ou revisão da ATQ como desfecho foi de 96,1% (intervalo de confiança [IC] de 95%: 88,4–98,7) nos componentes de MoP, de 98,6% (IC95%: 90,3–98,6) nos componentes de CoC, e de 98,2% (IC95%: 88,0–99,7) nos componentes de MoM (p = 0,360).
CONCLUSÃO Os resultados clínicos e radiológicos de componentes de MoP e de CoC foram excelentes.


Palavras-chave: artroplastia; cerâmicas; metais; polietilenos; desenho de próteses.

Avaliação clínica e radiológica dos pacientes submetidos a osteossíntese de rádio distal com placas bloqueadas – estudo retrospectivo*

Jurandyr de Abreu Câmara, Saulo Fontes Almeida

Rev Bras Ortop. 2019;54(3):303-8

OBJETIVO O objetivo do presente trabalho foi realizar um estudo retrospectivo, com base no arquivo médico dos prontuários e das radiografias dos pacientes, avaliando seus dados socioeconômicos, assim como clinicamente e radiograficamente, os pacientes submetidos a osteossíntese de rádio distal com placas bloqueadas.
MÉTODOS Avaliou-se clinicamente e radiologicamente o pós-operatório, no Serviço da clínica de Ortopedia e Traumatologia do nosso hospital, entre os anos de 2016 e 2017.
RESULTADOS Na avaliação radiográfica, foram encontrados 22 (75,86%) resultados excelentes, 6 (20,69%) bons e 1 (3,45%) regular. Na avaliação clínica, o desvio ulnar obteve média de 28,40, desvio padrão (DP) de 3,0 e coeficiente de variação de 10,56%. O desvio radial obteve média de 22,93, DP de 2,2 e coeficiente de variação de 9,59%. A amplitude de movimento em flexão obteve média de 59,43, DP de 9,86 e coeficiente de variação de 16,59%. Já a extensão obteve média de 53,83, DP de 5,09 e coeficiente de variação de 9,46%.
CONCLUSÃO Concluímos que há correlação estatística entre os dados clínicos e radiográficos, e que a placa bloqueada é um método de tratamento com alto índice de sucesso no procedimento cirúrgico das fraturas de rádio distal.


Palavras-chave: fraturas ósseas; fraturas do rádio; fixação interna de fraturas; estudos retrospectivos.

Atuação do médico cirurgião de mão em microcirurgia no Brasil*

Rosana Raquel Endo, Carlos Henrique Fernandes, Marcela Fernandes, Joao Baptista Gomes dos Santos, Luiz Carlos Angelini, Luis Renato Nakachima

Rev Bras Ortop. 2019;54(3):309-15

OBJETIVO Avaliar quais as condições que o cirurgião de mão no Brasil tem encontrado na prática clínica para a realização de procedimentos microvasculares.
MÉTODOS Pesquisa clínica primária prospectiva, observacional, transversal e analítica; realizada no 37° Congresso Brasileiro de Cirurgia de Mão, de 30 de março a 1 de abril de 2017, em Belo Horizonte. Por meio de aplicação de questionário a médicos do Congresso, com 12 perguntas, respostas objetivas, fechadas ou de múltipla escolha; envolveram a região geográfica, o tipo de instituição, se pública e/ou privada, seu treinamento microcirúrgico, tempo de formação, condições técnicas, presença de equipe de retaguarda para urgências e remuneração.
RESULTADOS Um total de 143 médicos foram entrevistados, 65,7% atuavam na região sudeste;13,3% na região nordeste; 11,9% na região sul; 6,3% na região centro-oeste; e 2,8% na região norte. Do total de cirurgiões, 43,4%, atuavam há < 5 anos; 16,8% de 5 a 10 anos; 23,8% de 10 a 20 anos; e 23% há > 20 anos. Do total de cirurgiões, 7,0% não tiveram treinamento em cirurgias microvasculares; 63,6% realizaram treinamento na residência médica, 30,8% em outra instituição, e 7,7%, outro país. Do total de cirurgiões, 5,6% trabalhavam em hospitais públicos, 14,7% em hospitais privados, e 76,9% em ambos. Do total de cirurgiões, 1,8% consideravam adequada a remuneração nas instituições públicas e 5,0% nas instituições privadas; 98,2% consideraram inadequadas as remunerações nas instituições públicas e 95,0% nas instituições privadas.
CONCLUSÃO A maioria obteve treinamento em microcirurgia, não fazia reimplantes, considerava a remuneração inadequada, e não dispunha de equipe de sobreaviso. Há escassez e má distribuição de cirurgiões de mão com habilidade microcirúrgica nas emergências e baixo valor de reembolso.


Palavras-chave: mãos/cirurgia; reimplante; procedimentos microcirúrgicos; fatores socioeconômicos.

Técnica de mosaicoplastia no tratamento de lesões osteocondrais isoladas do côndilo femoral do joelho – estudo retrospectivo*

Samir Karmali, Rui Guerreiro, Daniel Sá da Costa, Jorge Fonseca, Ricardo Gonçalves

Rev Bras Ortop. 2019;54(3):316-21

OBJETIVO Lesões osteocondrais focais do joelho são encontradas em dois terços dos pacientes submetidos a artroscopia; seu tratamento, quando isoladas e, principalmente, em indivíduos jovens, ainda é debatido. O presente estudo analisa os resultados obtidos com a aplicação da técnica de mosaicoplastia no tratamento de lesões osteocondrais isoladas do côndilo femoral do joelho.
MÉTODOS Estudo retrospectivo de pacientes submetidos à mosaicoplastia e análise subjetiva com pontuações do International Knee Documentation Committee (IKDC, na sigla em inglês) antes e após a cirurgia.
RESULTADOS Um total de 13 casos, com média de idade de 34 anos; pacientes do sexo masculino (n = 4; 31%) apresentaram média de idade de 23 anos (17–31 anos), e pacientes do sexo feminino (n = 9; 69%) apresentaram média de 39 anos; (16–56 anos); femoral medial ou lateral (n = 11, 85% versus n = 2, 15%, respectivamente); o tamanho médio da lesão foi de 1,8 cm2 (0,6–4 cm); o tempo médio de acompanhamento foi de 5,045 ± 3,47 anos (1,15–11,01 anos). A pontuação IKDC média pré-operatória foi 31,63 pontos ( ± 20,24), e a pós-operatória foi 74,18 pontos ( ± 20,26). A diferença entre as pontuações IKDC obtidas depois e antes da cirurgia foi de 42,55 ( ± 21,05) pontos, com o aumento mínimo de 8,1 pontos e o aumento máximo de 82,8 pontos. Uma diferença estatística significativa (p < 0,001) foi encontrada entre a pontuação IKDC antes e após a cirurgia. Uma relação estatisticamente significativa (p = 0,038) foi observada entre o aumento da pontuação IKDC (a diferença entre a pontuação pré- e pós-operatória) e as dimensões da lesão.
CONCLUSÕES A mosaicoplastia com transferência de autoenxerto osteocondral, quando adequadamente usada, pode produzir resultados excelentes com grande durabilidade e impacto funcional, baixas taxas de morbidade e baixos custos. A expansão dos critérios de indicação mostra resultados promissores no médio e longo prazo.


Palavras-chave: osteocondrite/diagnóstico; osteocondrite/cirurgia; artroscopia; articulação do joelho; cartilagem articular.

Estudo prospectivo sobre o impacto do uso do selante de fibrina humano livre de agentes estabilizadores de coágulo na artroplastia total de joelho*

Douglas Mello Pavão, Guilherme Mathias Palhares, Rodrigo Satamini Pires e Albuquerque, Eduardo Branco de Sousa, João Maurício Barretto

Rev Bras Ortop. 2019;54(3):322-8

OBJETIVO O objetivo do presente estudo foi avaliar os resultados do uso tópico intraoperatório do selante de fibrina humano livre de agentes estabilizadores de coágulo em pacientes com osteoartrite (OA) submetidos a artroplastia total de joelho (ATJ), buscando diferenças entre os grupos em relação à perda sanguínea, à necessidade transfusional, ao tempo de internação hospitalar, à percepção de dor, à amplitude de movimento e à incidência de complicações.
MÉTODOS Foram analisados prospectivamente um grupo de intervenção (Selante) com 32 pacientes e um grupo controle (Controle) com 31 pacientes, com OA sintomática dos joelhos, submetidos a ATJ.
RESULTADOS Os resultados foram semelhantes entre os grupos, em relação à perda sanguínea visível no dreno em 24 horas (Controle 276,5 mL ± 46,24 versus Selante 365,9 mL ± 45,73), à perda sanguínea total em 24 horas (Controle 930 mL ± 78 versus Selante 890 mL ± 67) e em 60 horas de pós-operatório (Controle 1.250 mL ± 120 versus Selante 1.190 mL ± 96), à necessidade de hemotransfusão (ocorreu em apenas 1 controle), ao tempo de dias na permanência hospitalar (Controle 5,61 ± 0,50 [n = 31] versus Selante 4,81 ± 0,36), dor pós-operatória e amplitude de movimento. O uso do agente selante de fibrina não se relacionou à ocorrência de complicações da cicatrização de ferida, de infecção ou de trombose venosa profunda.
CONCLUSÃO Concluímos que o agente hemostático de fibrina humana não foi eficaz em reduzir o volume de sangramento e a necessidade de hemotransfusão ou em interferir no tempo de internação hospitalar, na percepção de dor e na amplitude de movimento. Seu uso não se relacionou a nenhuma complicação.


Palavras-chave: artroplastia de joelho; osteoartrite; perda sanguínea; selante de fibrina.

Avaliação prospectiva das lesões esportivas ocorridas durante as partidas do Campeonato Brasileiro de Futebol em 2016*

Diogo Cristiano, Gustavo Gonçalves Arliani, Edilson Schwansee Thiele, Monica Nunes Lima Cat, Moises Cohen, Jorge Roberto Pagura

Rev Bras Ortop. 2019;54(3):329-34

OBJETIVO Determinar a prevalência, as características e possíveis fatores de risco para as lesões ocorridas durante as partidas do Campeonato Brasileiro de Futebol.
MÉTODOS Realizou-se um estudo prospectivo com coleta dos dados referentes às lesões ocorridas durante o Campeonato Brasileiro de Futebol de 2016. O registro das lesões foi realizado pelo médico responsável de cada equipe, por meio de um sistema online de mapeamento de lesões.
RESULTADOS Dentre os 864 atletas que foram incluídos no estudo, 231 (26,7%) dos jogadores apresentaram alguma lesão durante o torneio. No total, foram registradas 312 lesões durante o Campeonato Brasileiro, com média de 0,82 lesões por partida. A incidência de lesões foi de 24,9 lesões para cada 1.000 horas de jogo. Meias e atacantes apresentaram, respectivamente, risco 3,6 e 2,4 vezes maior de sofrer lesão do que os goleiros.
CONCLUSÃO A prevalência e a incidência de lesões foram, respectivamente, 26,7% e 24,9 lesões/1.000 horas de partida. O segmento corporal mais frequentemente afetado foram os membros inferiores (76,3%), sendo que os atletas que atuaram nas posições meia e atacante foram os mais acometidos. Observou-se também maior predomínio de lesões no primeiro turno do campeonato.


Palavras-chave: futebol; atletas; traumatismos em atletas; epidemiologia.

RELATO DE CASO

Periostite reativa florida da falange proximal – relato de caso e revisão de literatura*

José Neias Araujo Ribeiro, Maria Luzete Costa Cavalcante, Diogo Araujo Farias, Rudy Diavila Bingana

Rev Bras Ortop. 2019;54(3):335-8

A periostite reativa florida é uma lesão benigna e rara que constitui um problema recorrente de diagnóstico. Sua etiopatogênese permanece desconhecida. A periostite reativa florida caracteriza-se por ser uma reação periosteal agressiva e inflamatória de tecido mole e por ser um tumor portador de fibrose e produtor de cartilagem. Ocorre em adolescentes e adultos jovens, com predomínio no sexo feminino, e acomete com frequência os ossos das mãos e pés, podendo acometer também ossos longos. O diagnóstico permanece um grande desafio devido à enorme possibilidade de diagnósticos diferenciais. Por isso, uma cuidadosa avaliação clínica, radiológica e patológica é necessária para fechar o diagnóstico. Relata-se o caso de um paciente com periostite reativa florida na falange proximal do segundo dedo da mão direita, que foi submetida à excisão cirúrgica com margem ampla do segundo raio até o terço proximal do segundo metacarpo, e evoluiu sem queixas, com amplitude de movimento e força satisfatória.


Palavras-chave: falanges dos dedos da mão; periostite; neoplasias ósseas.

Lesão variante de Maisonneuve com luxação tibiofibular proximal*

Jonatas Brito Alencar, Maria Luzete Costa Cavalcante, Luiz Holanda Pinto, Igor Freitas de Lucena, Renackson Jordelino Garrido, Pedro Henrique Messias da Rocha

Rev Bras Ortop. 2019;54(3):339-42

A lesão de Maisonneuve é uma entidade rara, correspondendo a 7% das fraturas de tornozelo. Uma de suas variantes inclui a lesão da sindesmose tibiofibular distal com luxação tibiofibular proximal, tornando-a uma injúria ainda mais incomum. O presente artigo apresenta o caso de um paciente de 34 anos admitido na emergência de traumato-ortopedia de hospital terciário com dor e edema em membro inferior esquerdo, após trauma esportivo. A radiografia do joelho evidenciou luxação anterolateral da articulação tibiofibular proximal com subluxação lateral do tornozelo, sem sinais de fratura. Após avaliação tomográfica do membro, confirmou-se o diagnóstico de uma lesão variante de Maisonneuve com luxação tibiofibular proximal. Os autores descrevem o caso, abordando aspectos clínicos, radiográficos e cirúrgicos desta variante.


Palavras-chave: traumatismos do tornozelo; luxações articulares; procedimentos cirúrgicos operatórios.

Fratura proximal do fêmur e lesão vascular em adultos – Relato de caso*

Pedro José Labronici, Fernando Claudino dos Santos, Yuri Leander Oliveira Diamantino, Eduardo Loureiro, Maria Cristina Diniz Gonçalves Ezequiel, Sérgio Delmonte Alves

Rev Bras Ortop. 2019;54(3):343-6

Complicações vasculares no tratamento cirúrgico da fratura do quadril são raras. A depender da lesão arterial, pode ocorrer um grave sangramento intraoperatório ou formação de hematoma subagudo com desenvolvimento de pseudoaneurisma arterial. Na literatura, as complicações mais frequentes relatadas são a formação de grandes hematomas locais após osteossíntese com parafuso deslizante do quadril. O objetivo do presente relato foi demonstrar um caso de lesão arterial tardia após osteossíntese proximal do fêmur.


Palavras-chave: fraturas do fêmur; lesões do sistema vascular; parafusos ósseos; quadril/cirurgia.

Tumor de células gigantes do sacro inoperável: opções terapêuticas e controle da dor*

Eneida de Mattos Brito Oliveira Viana, Katia Torres Batista, José Leite Carneiro

Rev Bras Ortop. 2019;54(3):347-52

O tumor de células gigantes (TCG) do sacro é raro e seu tratamento é complexo, devido à dificuldade para a exerese cirúrgica e a baixa resposta às outras opções terapêuticas. Entre os desafios relacionados a este tumor está o controle do seu crescimento e da dor. No presente trabalho, relatamos um caso de tumor de células gigantes do sacro inoperável, apresentando as opções terapêuticas de embolização e de radioterapia para o controle da dor. Relato do caso: paciente do sexo masculino, admitido aos 39 anos de idade, apresentando dor na região sacral com irradiação para os membros inferiores (MMII), com diagnóstico de TCG do sacro inoperável. Realizou-se embolização, uso de interferon, radioterapia, tratamento da dor com opioides e medicamentos adjuvantes, associados a programa de reabilitação. Descreveu-se o difícil controle do crescimento tumoral e da dor ao longo do seguimento, com desfecho estável após 9 anos.


Palavras-chave: tumores de células gigantes; ortopedia; dor crônica.

Reconstrução cirúrgica após excisão de extenso mixofibrossarcoma do membro superior*

Kátia Tôrres Batista, Valney Claudino Sampaio Martins, Ulises Prieto y Schwartzman, Telma Leonel Ferreira

Rev Bras Ortop. 2019;54(3):353-6

O mixofibrossarcoma é um raro sarcoma de partes moles. Os autores apresentam o relato de um caso, em mulher jovem, de exerese e reconstrução de extenso mixofibrossarcoma de baixo grau localizado no antebraço, no punho e na mão. Fez-se a exerese ampla em monobloco conforme achados de ressonância magnética e estudo histopatológico transoperatório. Usaram-se a matriz dérmica e o enxerto de pele total associado a programa fisioterápico pós-operatório. Os aspectos relacionados ao diagnóstico diferencial do mixofibrossarcoma em paciente jovem, seu caráter infiltrativo, a ampla excisão, a reconstrução em dois tempos cirúrgicos (com o uso de matriz dérmica e enxerto de pele total) e o programa fisioterápico pós-operatório são relevantes.


Palavras-chave: sarcoma; neoplasias de tecidos moles; reabilitação.

CARTA AO EDITOR

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