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Mar / Abr de 2019
VOLUME 54 - NÚMERO 2

ARTIGO DE REVISAO

Técnica de Stoppa modificada para fratura de acetábulo: uma revisão*

Ashwani Soni, Ravi Gupta, Ramesh Sen

Rev Bras Ortop. 2019;54(2):109-17

Fraturas acetabulares são lesões graves e desafiadoras para cirurgiões ortopédicos. As abordagens anterior e posterior foram descritas para a fixação dessas fraturas. A técnica de Stoppa modificada é considerada uma alternativa à abordagemanterior, que fornece acesso à pelve pelo interior da cavidade. O objetivo do presente artigo é revisar a literatura disponível sobre o uso da abordagem de Stoppa modificada em fraturas de acetábulo. Os dados disponíveis sugeremque a abordagemde Stoppamodificada é útil em fraturas anteriores de acetábulo e em algumas fraturas posteriores, especialmente aquelas nas quais o reforço da parede medial se faz necessário.


Palavras-chave: acetábulo; fraturas ósseas; fixação de fratura; Stoppa modificado

ARTIGO ORIGINAL

Avaliação por imagem do púbis em jogadores de futebol*

Karina Todeschini, Paulo Daruge, Marcelo Bordalo-Rodrigues, André Pedrinelli, Antonio Marcos Busetto

Rev Bras Ortop. 2019;54(2):118-27

OBJECTIVE To compare the accuracy of ultrasound (US) with that of magnetic resonance imaging (MRI) in the detection of aponeurosis lesions of the rectus abdominis/adductor longus muscles, to study the characteristics of the athletes and imaging findings associated with pubalgia, and to demonstrate the importance of each method in evaluating this condition.
MATERIALS AND METHODS The present study was conducted from 2011 to 2016 with 39 professional soccer players: 15 with pubalgia and 24 without pubalgia. Age, field position, body mass index (BMI), weekly training load, career length, and history of thigh/knee injury and lower back pain were recorded. The following tests were performed: radiographs (anteroposterior view of the pelvis in standing and flamingo positions) to evaluate hip impingement, sacroiliac joint, and pubic symphysis instability; US to analyze the common aponeurosis of the rectus abdominis/adductor longus muscles and inguinal hernias; and MRI for pubic bone degenerative alterations and edema, and lesions in the adductor and rectus abdominis muscles and their aponeurosis.
RESULTS There was an association between pubalgia, high BMI (p = 0.032) and muscle alterations (p < 0.001). Two patients with pubalgia had inguinal hernias and one patient with pubalgia and two controls had sports hernias. Pubic degenerative changes were frequent in both groups. Aponeurosis lesions were more frequent in patients with pain. The US detection had 44.4% sensitivity and 100% specificity.
CONCLUSION The evaluation of athletic pubalgia should be performed with radiography, US, and MRI. High BMI, muscle injuries, geodes, and osteophytes are findings associated with pubalgia; US has low sensitivity to detect injuries of the common aponeurosis of the rectus abdominis/adductor longus muscles.

Palavras-chave: magnetic resonance imaging/methods; pubic symphysis/diagnostic imaging; pubic symphysis/injuries; groin; radiography; athletic injuries/pathology; ultrasonography

Reconstrução de membro inferior– retalho fasciocutâneo sural*

Antonio Lourenco Severo, Eduardo Felipe Mandarino Coppi, Haiana Lopes Cavalheiro, Alexandre Luiz Dal Bosco, Danilo Barreto, Marcelo Barreto Lemos

Rev Bras Ortop. 2019;54(2):128-33

OBJECTIVE The present study aims to evaluate the use of the reverse-flow sural fasciocutaneous flap to cover lesions in the distal third of the lower limb.
METHODS A total of 24 cases were analyzed, including 20 traumatic injuries, 3 sports injuries, and 1 case of tumor resection.
RESULTS Among the 24 evaluated medical records, 16 patients were male, and 8 were female. Their age ranged from 6 to 75 years old. Most of the patients evolved with total healing of the flap (n= 21). There was only one case of total necrosis of the flap in an insulin-dependent diabetic, high blood pressure patient, evolving to subsequent limb amputation. In two cases, there was partial necrosis and subsequent healing by secondary intention; one of these patients was a heavy smoker. Complications were associated with comorbidities and, unlike other studies, no correlation was observed with the learning curve. There was also no correlation with the site or size of the lesion to be covered.
CONCLUSION It is clinically relevant that the success rate of the reverse-flow sural fasciocutaneous flap technique was of 87.5%. This is a viable and effective alternative in the therapeutic arsenal for complex lower limb lesions.


Palavras-chave: retalhos cirúrgicos; nervo sural/ transplante; fáscia/transplante; traumatismos da perna

Ferimentos penetrantes no membro superior – prevalência e etiologia*

Jaime Piccaro Erazo, Rodrigo Guerra Sabongi, Vinicius Ynoe de Moares, João Baptista Gomes dos Santos, Flávio Faloppa, João Carlos Belloti

Rev Bras Ortop. 2019;54(2):134-9

OBJETIVO Definir as principais características epidemiológicas dessas lesões, bem como identificar a causa e a frequência de ferimentos penetrantes no membro superior atendidos no Instituto de Ortopedia e Traumatologia da nossa instituição.
MÉTODOS O estudo se baseou em uma amostra de pacientes consecutivos atendidos no Instituto de Ortopedia e Traumatologia dessa instituição, demaio de 2014 amaio de 2016. Os dados foram coletados por contato telefônico, aplicou-se um questionário pré-estruturado sobre os dados e as características das lesões. A análise estatística foi feita de forma descritiva e a comparação das proporções através do teste de quiquadrado, associado ao valor de p, com significância < 5%.
RESULTADOS Foramconsiderados 1.648registros inicialmente e, após aplicados os critérios de exclusão e excluídos os duplicados, 598 pacientes foram incluídos na análise final. A maioria dos pacientes era do gênero masculino (77,80%), destros (95,82%), com média no momento do trauma de 37,27 anos. Os trabalhadores manuais foram os mais lesionados (50,00%) e a topografia mais acometida foram os dedos (51,84%). Dentre os agentes etiológicos, destaque para o vidro (33,77%). A prevalência de pacientes comamputação foi maior nos ferimentos por máquinas industriais (p < 0,05) quando comparada com outros agentes etiológicos. Pacientes com menos de 18 anos apresentaram maior frequência de ferimentos ocasionadas por vidro (p < 0,05). Já os pacientes com 60 anos ou mais apresentaram maior prevalência de ferimentos pormáquina de corte (p < 0,05). Mulheres apresentaram maior frequência de ferimentos por lâmina e por vidro (p < 0,05). Os trabalhadores manuais apresentaram maior prevalência de ferimentos por máquinas de corte e industriais (p < 0,05) e maior prevalência de amputações (p < 0,05).
CONCLUSÃO O agente etiológico mais frequente é o vidro, com relevância maior em menores de 18 anos. Em mulheres e idosos, há grande frequência de lesões causadas por lâminas e máquinas de corte, respectivamente. Lesões de maior gravidade são causadas por máquinas, associadas a atividade laboral.


Palavras-chave: ferimentos penetrantes; traumatismos da mão; estudos transversais

Artrodese lombar intersomática anterior multinível combinada com estabilização posterior em discopatia—Análise clínico-funcional prospectiva*

Diogo Lino Moura, David Lawrence, Josué Pereira Gabriel

Rev Bras Ortop. 2019;54(2):140-8

OBJETIVO Estudo prospectivo controlado em pacientes com discopatia degenerativa submetidos a artrodese intersomática lombar anterior instrumentada combinada com estabilização posterior.
MÉTODOS Amostra com 64 pacientes consecutivos operados pelos mesmos cirurgiões ao longo de quatro anos. Metade das artrodeses intersomática lombar anterior foi efetuada emdois níveis, 43,8% emtrês níveis e 6,25% emumnível. Foramusadas caixas intersomáticas com parafusos integrados preenchidas com matriz óssea e proteína morfogenética óssea 2.
RESULTADOS Metade da amostra apresentava cirurgias prévias à coluna lombar, 75% listeses degenerativas associadas e 62,5% patologia compressiva posterior da coluna lombar. Aproximadamente 56% da amostra apresentavam pelo menos um fator de risco de não união da artrodese. O índice Oswestry passou de 71,81 ± 7,22 no pré-operatório para 24,75 ± 7,82 na avaliação no fimdo tempo de seguimento, enquanto a escala visual analógica da dor passou de 7,88 ± 0,70 para 2,44 ± 0,87 (p < 0,001). Amelhoria clínicofuncional foi crescente de acordo com a intervenção num número superior de níveis, o que comprova a eficácia da artrodese intersomática lombar anterior multinível, aplicada em 93,75% da amostra. Ataxa global de complicações foi de 7,82% e de complicaçõesmajor de 0%. Não se identificou qualquer caso de não união.
CONCLUSÃO A artrodese intersomática lombar anterior instrumentada combinada com estabilização posterior é uma opção de sucesso na discopatia degenerativa uni ou multinível dos segmentos de L3 a S1, mesmo empresença significativa de fatores de risco de não união e cirurgias prévias da coluna lombar, garante resultados clínicofuncionais e radiográficos muito satisfatórios e reduzida taxa de complicações em médio prazo.


Palavras-chave: vértebras lombares/ cirurgia; fusão vertebral; estudos prospectivos; escoliose/cirurgia; fatores de risco

Tratamento de fraturas patológicas tumorais diafisárias do úmero com haste intramedular rígida bloqueada estática – Experiência de 22 anos*

Diogo Lino Moura, Filipe Alves, Rúben Fonseca, João Freitas, José Casanova

Rev Bras Ortop. 2019;54(2):149-55

OBJETIVO Estudo retrospectivo observacional em pacientes submetidos à fixação com haste intramedular de fratura patológica tumoral consumada ou iminente da diáfise do úmero em contexto de doença tumoral disseminada ao longo de 22 anos na mesma instituição.
MÉTODOS Amostra com 82 pacientes e 86 fixações do úmero com haste intramedular rígida bloqueada estática não fresada anterógrada ou retrógrada.
RESULTADOS Os tumores primários mais prevalentes foram carcinoma da mama (30,49%), mieloma múltiplo (24,39%), adenocarcinoma do pulmão (8,54%) e carcinoma das células renais (6,10%). O tempo médio de intervenção cirúrgica para fixação com haste foi 90,16 ± 42,98 minutos (40-135). Todos os pacientes referiram melhoria das queixas álgicas no nível do braço e velicou-se melhoria do score MSTS médio de 26% no pré-operatório para 72,6% na avaliação efetuada nos pacientes ainda vivos aos três meses de pós-operatório. A taxa de sobrevivência aos três meses após a cirurgia foi de 69,50%, 56,10% aos seis meses, 26,70% em um ano e 11,90% em dois anos. Nenhuma das mortes decorreu da cirurgia ou de complicações dela. Apenas se registaram quatro complicações relacionadas com a cirurgia, uma intraoperatória e três tardias, corresponderam a risco de complicações de 4,65%.
CONCLUSÃO O uso de haste intramedular não fresada estática bloqueada (anterógrado ou retrógrado) no úmero é um método rápido, seguro, eficaz e com baixa morbilidade no tratamento das fraturas patológicas da diáfise umeral, garante fixação estável do braço e consequentemente melhora a funcionalidade e a qualidade de vida desses pacientes durante a sua curta expectativa de vida.


Palavras-chave: fraturas do húmero; fixação intramedular de fraturas/instrumentação; fixação intramedular de fraturas/métodos; fraturas espontâneas/cirurgia; metástase neoplásica

Ângulo de Böhler—comparação entre o pré e pós-operatório nas fraturas intra-articulares desviadas do calcanhar*

Pedro José Labronici, Guilherme Guerra Pinheiro de Faria, Bruno Miranda Pedro, Marcos Donato Franco de Araújo Serra, Robinson Esteves Santos Pires, Jorge Luiz Tamontini

Rev Bras Ortop. 2019;54(2):156-64

OBJETIVO Comparar a variação dos resultados das medidas radiográficas do ângulo de Böhler, no pré e pós-operatório, em fraturas com dois tipos de desvio: graves e moderadas.
MÉTODOS: O ângulo de Böhler foi analisado retrospectivamente em 31 radiografias pré e pós-operatórias de fraturas do calcâneo. Quatro pacientes eram do sexo feminino (6,5%) e 26 do masculino (83,9%), entre 23 e 72 anos, média de 44,5.
RESULTADOS As medidas pré e pós-operatória demonstraram que o ângulo de Böhler após a cirurgia foi significativamente maior do que o ângulo de Böhler pré-operatório (p-valor =0,000). Nas análises intraobservador e global, o ângulo de Böhler pós-operatório foi, em média, 10,6 graus maior do que no pré-operatório. O ângulo pós-operatório foi, em média, 108% maior do que o ângulo pré-operatório. No global, a concordância entre os avaliadores é excelente, tanto em relação ao valor pontual estimado (0,98) quanto em relação ao intervalo de confiança do ICC.
CONCLUSÃO Na análise global, verificou-se que as medidas do ângulo de Böhler no pós-operatório são, em média, significativamente maiores do que as do ângulo pré-operatório. Quanto mais distante da faixa de normalidade (20 a 40 graus) estiver o ângulo pré-operatório, maior a diferença no ângulo após a cirurgia. Quando o ângulo pré-operatório está na faixa de normalidade, o ângulo pós-operatório será, em média, 1,28 vez o ângulo pré-operatório; se o ângulo de Böhler pré-operatório estiver fora da faixa de normalidade, o ângulo pós-operatório será, em média, 17,3 vezes o ângulo pré-operatório. Ficou demonstrado que as fraturas mais graves apresentam melhores resultados anatômicos quando comparadas com as fraturas moderadas. O estudo também confirmou uma boa correlação interobservador para o ângulo de Böhler.


Palavras-chave: calcâneo; fraturas ósseas; fraturas intra-articulares; radiografias

Posição do sesamoide lateral em relação ao segundo metatarso em pés com e sem hálux valgo*

Daniel Gonçalves Machado, Elaine da Silva Gondim, José Carlos Cohen, Luiz Eduardo Cardoso Amorim

Rev Bras Ortop. 2019;54(2):165-70

OBJETIVO Determinar se os sesamoides migram lateralmente nos pés com hálux valgo ou se apenas aparentam deslocar-se, mantendo sua relação com as demais estruturas do antepé.
MÉTODOS Foram avaliadas radiografias na incidência anteroposterior com carga dos pés de 80 pacientes (94 pés) entre o período de 2015 e 2016. Dessas, 48 tinham ângulo de hálux valgo maior do que 15o (grupo hálux valgo) e 46 tinham ângulo de hálux valgo menor do que 15o (grupo controle). Foram medidas as distâncias da cabeça do primeiro metatarso e do sesamoide lateral ao eixo do segundo metatarso. Posteriormente, foram medidos os coeficientes dessas distâncias pelo comprimento do segundo metatarso, a fim de se ajustarem aos diferentes tamanhos de pés.
RESULTADOS Tanto a medida absoluta quanto a medida relativa da cabeça do primeiro metatarso ao segundo metatarso foram significativamente diferentes nos dois grupos, tiveram correlação positiva com os ângulos de hálux valgo e intermetatarsal. Contudo, nem a distância absoluta nem a relativa do sesamoide lateral ao segundo metatarso foram diferentes nos dois grupos, bem como não se correlacionaram com os ângulos de hálux valgo e inter-metatarsal.
CONCLUSÃO Apesar do desvio medial do primeiro metatarso no hálux valgo, o sesamoide mantém sua relação com o segundo metatarso no plano transverso. Esse aparente deslocamento lateral pode levar a interpretação equivocada dessas radiografias. Tal fato é de suma importância no pré-, peri- e pós-operatório dos pacientes com hálux valgo.


Palavras-chave: hallux valgus; ossos do metatarso; radiografia; análise estatística

Avaliação da reprodutibilidade da classificação de Dejour para instabilidade femoropatelar*

Rodrigo de Souza Mendes Santiago Mousinho, José Neias Araújo Ribeiro, Francisco Kartney Sarmento Pedrosa, Diego Ariel de Lima, Romeu Krause Gonçalves, José Alberto Dias Leite

Rev Bras Ortop. 2019;54(2):171-7

OBJETIVO Avaliar, pela reprodutibilidade interobservador e intraobservador, a classificação proposta por David Dejour para descrever a displasia troclear do joelho.
MÉTODOS Foram estudados dez pacientes com diagnóstico de displasia troclear. Três médicos membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho foram convidados para avaliar as imagens. Análises intra- e interobservador foram feitas com intervalo de uma semana. A reprodutibilidade foi avaliada em quatro cenários: uso de radiografia; uso de radiografia e tomografia; uso de radiografia, consultando-se a classificação no momento; e uso de radiografia e tomografia, consultando-se a classificação no momento.
RESULTADOS A avaliação intraobservador apresentou resultados discordantes. Na análise interobservador, o grau de concordância foi baixo para as análises que usavam apenas a radiografia e excelente para aquelas que associavam radiografiae tomografia.
CONCLUSÃO A classificação de Dejour apresentou uma baixa reprodutibilidade intra e interobservador quando usada somente a radiografia em perfil. Demonstrou-se que o uso apenas da radiografia para classificar pode gerar falta de uniformidade até mesmo entre observadores experientes. Contudo, quando radiografia e tomografia foram associadas, a reprodutibilidade melhorou.


Palavras-chave: articulação femoropatelar; instabilidade articular; reprodutibilidade.

Avaliação funcional da reconstrução do ligamento patelofemoral medial em atletas*

Emerson Garms, Rogerio Teixeira de Carvalho, César Janovsky, Alexandre Pedro Nicolini, Rafael Salmeron Salviani, Andre Cicone Liggieri

Rev Bras Ortop. 2019;54(2):178-82

OBJETIVO Avaliar os resultados clínicos e funcionais da reconstrução anatômica do ligamento patelofemoral medial com tendões flexores em atletas.
MÉTODOS Estudo tipo série de casos, prospectivo, que analisou a reconstrução do ligamento patelofemoral medial em 32 pacientes (34 joelhos). A avaliação funcional foi feita pelos escores Lysholm e Kujala nos períodos pré e pós-operatórios e os fatores de risco envolvidos foram avaliados.
RESULTADOS Dos 32 pacientes analisados, todos obtiveram melhoria dos escores funcionais comparativamente ao período pré-operatório. Pacientes com menos de cinco episódios de luxação prévios obtiveram melhores resultados funcionais. O valor médio de Lysholm no pré-operatório foi de 62,8 e no pós-operatório de 94,3, quanto ao escore de Kujala a média pré-operatório foi de 63,0 e pós-operatória de 94,0.
CONCLUSÃO A reconstrução do ligamento patelofemoral medial com enxerto de tendão flexor do joelho em atletas propiciou melhoria dos escores clínicos e funcionais nos pacientes com instabilidade patelofemoral. A perfuração óssea da patela e o posicionamento do túnel femoral devem ocorrer de forma judiciosa.


Palavras-chave: instabilidade articular; ligamentos articulares; luxação patelar; articulação patelofemoral; atletas.

Avaliação biomecânica de diferentes métodos de fixação tibial na reconstrução do ligamento anterolateral em ossos suínos*

Rogério Nascimento Costa, Rubens Rosso Nadal, Paulo Renato Fernandes Saggin, Osmar Valadão Lopes, Leandro de Freitas Spinelli, Charles Leonardo Israel

Rev Bras Ortop. 2019;54(2):183-9

OBJETIVO Avaliar a força de resistência à tração de diferentes métodos de fixação tibial na reconstrução do ligamento anterolateral (LAL). Além disso, comparar os mecanismos de falha da fixação tibial dessa reconstrução em joelhos suínos.
MÉTODOS Foram usados 40 membros recém-congelados de suínos, divididos em quatro grupos de dez espécimes, conforme as técnicas de fixação tibial usadas. No grupo A, a fixação tibial do enxerto tendíneo foi feita por meio de uma âncora e seu fio transpassou o enxerto. No grupo B, a fixação tibial foi feita por meio de parafuso de interferência metálico em túnel ósseo único. No grupo C, a fixação tibial incluiu uma âncora associada à sutura de ponto sobre o tendão (sem a presença de fio que transpassasse o tendão) e, no grupo D, foram usados dois túneis ósseos confluentes associados a um parafuso de interferência em um dos túneis.
RESULTADOS A força média menos elevada (70,56 N) ocorreu no grupo A e a mais elevada (244,85 N), no grupo B; as médias dos outros dois grupos variaram entre 171,68N (grupo C) e 149,43 N (Grupo D). Considerando-se a margem de erro fixada (5%), foi observada diferença significativa entre os grupos (p < 0,001).
CONCLUSÃO A fixação com parafuso de interferência em túnel ósseo único apresentou a maior força de resistência à tração dentre as técnicas avaliadas.


Palavras-chave: ligamento cruzado anterior; ligamentos articulares; joelho; procedimentos ortopédicos

Análise biomecânica da reconstrução do ligamento cruzado anterior*

António Completo, José Carlos Noronha, Carlos Oliveira, Fernando Fonseca

Rev Bras Ortop. 2019;54(2):190-7

OBJETIVO A reconstrução do ligamento cruzado anterior é aconselhável sobretudo em atletas de alta demanda física. Diversas técnicas são usadas na reconstrução, mas a grande questão é qual o melhor posicionamento para o enxerto. Analisar o efeito biomecânico da posição dos túneis ósseos na repartição de carga e cinemática da articulação, bem como os resultados funcionais em médio prazo, após reconstrução do ligamento cruzado anterior.
MÉTODOS Fez-se um estudo de simulação biomecânica computacional com modelos de elementos finitos do joelho original e com reconstrução do ligamento cruzado anterior (Neo-LCA) em quatro combinações de posição dos túneis ósseos (femoral central-tibial central, femoral anterior-tibial central, femoral posterossuperior-tibial anterior e femoral central-tibial anterior) com o mesmo tipo de enxerto. Para cada modelo, foram comparadas a pressão de contato na cartilagem, a rotação e translação do fêmur e dos meniscos e a deformação nos ligamentos.
RESULTADOS Nenhum modelo de Neo-LCA foi capaz de reproduzir, na íntegra, o modelo do joelho original. Quando o túnel femoral era colocado em posição mais posterior, observaram-se pressões na cartilagem 25% mais baixas e translação dos meniscos superiores entre 12% e 30% relativamente ao modelo intacto. Quando o túnel femoral estava em posição mais anterior, observou-se uma rotação interna do fêmur 50% inferior ao modelo intacto.
CONCLUSÃO Os resultados evidenciam que uma localização do túnel femoral mais distante da posição central parece ser mais preponderante para um comportamento mais díspar relativamente à articulação intacta. Na posição mais anterior existe um aumento da instabilidade rotatória.


Palavras-chave: ruptura; reconstrução do ligamento cruzado anterior; ligamento cruzado anterior

Osteotomias femorais distais com cunha de fechamento medial—estudo retrospectivo*

Pedro Barreira Cabral, Diego Costa Astur, Eduardo Vasconcelos Freitas, Bruno Silveira Pavei, Camila Cohen Kaleka, Moises Cohen

Rev Bras Ortop. 2019;54(2):198-201

OBJETIVO Descrever a técnica cirúrgica da osteotomia femoral com cunha de fechamento medial e uma série de casos submetidos a essa técnica.
MÉTODOS Foram avaliados 26 pacientes submetidos a osteotomia femoral distal com cunha de fechamento medial de 2002 a 2013. Os prontuários e exames de imagem de todos os pacientes foram revisados para avaliação do grau de correção e estado atual.
RESULTADOS Dos 26 pacientes operados, 12 eram do sexo masculino e 14 do feminino. A idade média foi de 47,15 anos. Em todos os casos, obteve-se alinhamento neutro em relação ao eixo anatômico. A maioria dos pacientes alcançou a consolidação óssea da osteotomia com seis semanas. Não foram observados casos de sangramentos durante a cirurgia. Um paciente apresentou retardo da consolidação óssea. Um paciente apresentou desconforto sobre a placa, foi necessária sua retirada. Um paciente apresentou infecção superficial sem necessidade de revisão da osteotomia. Não foram observados casos de trombose venosa profunda e tromboembolismo pulmonar. Até o momento não houve conversão para artroplastia total de joelho.
CONCLUSÃO O tratamento com osteotomia femoral distal com cunha de fechamento medial manteve a correção proposta em pacientes com seguimento de até 15 anos.


Palavras-chave: osteotomia; fêmur; joelho; osteoartrite; geno valgo

RELATO DE CASO

Migração do fio de Kirschner após o tratamento da luxação acromioclavicular para o ombro contralateral – relato de caso*

Fabiano Rogerio Palauro, Guilherme Augusto Stirma, Armando Romani Secundino, Gabriel Bonato Riffel, Filipe Baracho, Leonardo Dau

Rev Bras Ortop. 2019;54(2):202-5

O uso dos fios metálicos, denominados fios de Kirschner, é um método de fixação simples e eficaz para a correção de fraturas e luxações do ombro na cirurgia ortopédica. Uma das possíveis complicações é a migração do fio durante o acompanhamento pós-operatório. Os autores apresentam um caso de um paciente masculino de 48 anos, administrador, que sofreu uma queda de mesmo nível com trauma em ombro direito durante uma partida de futebol. Atendido em um hospital de referência de ortopedia e traumatologia, foi diagnosticada luxação acromioclavicular grau V. Quatro dias após o trauma, fez-se o tratamento cirúrgico da luxação acromioclavicular com amarrilhos com fios de âncora, transferência do ligamento coracoacromial e fixação com fio de Kirchner do acrômio à clavícula. No retorno, 12 dias após o procedimento cirúrgico, identificou-se a migração do fio de Kirschner do bordo do acrômio. Apesar de orientado a se submeter a cirurgia para remoção do fio, o paciente se recusou. Nove meses após o tratamento cirúrgico, o paciente apresentou dores no ombro esquerdo (lado contra-lateral), dificuldade para mobilizar o ombro, equimose e saliência. Foram feitas radiografias bilaterais e foi constatado que o fio de Kirschner, originalmente no ombro direito, estava no ombro contralateral. Fez-se então cirurgia para remoção do implante, com sucesso.

Palavras-chave: migração de corpo estranho; luxação do ombro; articulação do ombro; articulação acromioclavicular; fios ortopédicos

Tenotomia do glúteo máximo em artroplastia total do quadril como prevenção de lesão do nervo ciático

Leonardo Morais Paiva, Karina Maria Alécio de Oliveira, Diogo Ranier de Macedo Souto, Sílvio Leite de Macedo, Nicolay Jorge Bonvine Kircov, Anderson Freitas

Rev Bras Ortop. 2019;54(2):206-9

Os autores relatam um único caso de artroplastia total de quadril primária complexa em uma paciente do sexo feminino de 34 anos, com dismetria de membros inferiores de 5,5 cm, na qual foi feita tenotomia do glúteo máximo a fim de prevenir lesão do nervo ciático. Tal cirurgia foi feita sob monitoração eletroneurofisiológica dos ramos fibular e tibial do nervo ciático. Foram coletados dados pré-tenotomia, pós-tenotomia e pós-redução artroplástica. Os achados demonstram que a tenotomia do glúteo máximo melhorou a reposta motora do componente fibular do nervo ciático.


Palavras-chave: nervo ciático/lesões; artroplastia de quadril; tenotomia/métodos

Discrepância de membros em menino de 11 meses de idade associada a osteoma osteoide*

Ana Cotta, Renato Cesar Rezende de Castro, Julia Filardi Paim, Leonardo Sardenberg Fiuza, Maria Henriqueta Freire Lyra

Rev Bras Ortop. 2019;54(2):210-3

Osteoma osteoide é um tumor ósseo benigno, mais frequente dos 10 aos 25 anos de idade e, em cerca de 80% dos pacientes, está associado a dor forte. O presente artigo descreve um paciente masculino apresentando claudicação, encurtamento do membro inferior direito e aumento de volume indolor da perna direita desde os 11 meses de idade. Os exames de imagem demonstraram lesão osteolítica contendo pequenas ossificações de permeio, envolvidas por espessamento cortical da diáfise da tíbia direita. As hipóteses diagnósticas de osteoma osteoide, de osteomielite crônica (abscesso de Brodie), de sarcoma de Ewing e de histiocitose de células de Langerhans foram levantadas. As culturas para microrganismos foram negativas e o exame histopatológico demonstrou osteoma osteoide. O presente relato expande o conhecimento sobre osteoma osteoide como causa de claudicação e discrepância de membros inferiores indolor em lactente. O diagnóstico diferencial precoce é importante, pois a exérese da lesão é curativa e previne sequelas futuras.

Palavras-chave: osteoma osteoide; diagnóstico; neoplasias ósseas; criança; biópsia

Piomiosite do piriforme em um paciente com doença de Kikuchi-Fujimoto—relato de caso e revisão da literatura*

Antônio Augusto Guimarães Barros, Cláudio Beling Gonçalves Soares, Eduardo Frois Temponi, Victor Atsushi Kasuya Barbosa, Luiz Eduardo Moreira Teixeira, George Grammatopoulos

Rev Bras Ortop. 2019;54(2):214-8

A piomiosite primária é uma infecção bacteriana profunda do músculo esquelético. Quando não diagnosticada ou tratada, a infecção pode evoluir para sepse, choque necrotizante histiocítica séptico e até morte. Os autores relatam o caso de uma paciente do sexo feminino, 23 anos, apresentando piomiosite do músculo piriforme durante o tratamento da doença de Kikuchi-Fujimoto. A piomiosite é uma infecção rara, mas potencialmente grave, que pode levar ao choque séptico. Esse caso mostra a necessidade em se elevar o grau de suspeição clínica em pacientes com comprometimento do sistema imunológico, para que o tratamento seja iniciado em estágio precoce. A literatura mostra que os resultados do tratamento da piomiosite do piriforme são bons.


Palavras-chave: piomiosite; staphylococcus aureus; linfadenitis; necrotizante histiocítica

Osteoblastoma cervical: relato de caso*

Carolina Oliveira, Luísa Vital, Francisco Serdoura, André Rodrigues Pinho, Vitorino Veludo

Rev Bras Ortop. 2019;54(2):219-22

Osteoblastoma é um tumor primário benigno raro. Constitui cerca de 3% dos tumores benignos e 1% de todos os tumores ósseos. O objetivo do tratamento é a ressecção completa, que limita o risco de recidiva. Por se tratar de um tumor vascularizado, a
ressecção completa é, muitas vezes, difícil. Os autores descrevem um caso clínico de um paciente do sexo masculino de 19 anos que apresentava queixas de cervicalgia direita com irradiação para o ombro. O exame por tomografia computadorizada indicou uma lesão em C7 compatível com osteoblastoma. O paciente foi submetido a resseção cirúrgica após embolização pré-operatória e artrodese anterior. Aos 3 anos de seguimento, o paciente encontra-se assintomático e, até a data, sem evidência de recidiva.


Palavras-chave: osteoblastoma; cervicalgia; embolização; neoplasias da medula espinhal

Ruptura atraumática bilateral do ligamento patelar — relato de caso*

Raul Hernandez Juliato, Luis Henrique Boschi, Raul Francisco Juliato, Americo Pinto de Freitas, Alexandre Felipe França, Lourenço Betti Bottura

Rev Bras Ortop. 2019;54(2):223-7

A ruptura atraumática bilateral do ligamento patelar é uma lesão rara, geralmente associada a doenças sistêmicas e ao uso de medicamentos como corticoides e fluoroquinolonas. Este relato apresenta um caso de rotura atraumática bilateral do ligamento patelar em um homem de 43 anos, portador de obesidade, diabetes melitus tipo 2 e em uso de corticoide sistêmico para doença autoimune (granulomatose de Wegener). Esses fatores provocam alterações degenerativas e inflamatórias crônicas nos ligamentos, confirmadas pelo exame histológico. Devido à qualidade tecidual, foi feito reparo primário do ligamento associado a reforço com o tendão semitendíneo. Após um ano, o paciente apresentou evolução satisfatória, com ganho de amplitude de movimento completo e retorno às atividades habituais, sem sequelas.


Palavras-chave: ligamento patelar; histologia; joelho/cirurgia

NOTA TÉCNICA

McLaughlin artroscópico modificado no tratamento de luxação glenoumeral posterior – nota técnica*

Tiago Pinheiro Torres, Sara Lima, Manuel Gutierre

Rev Bras Ortop. 2019;54(2):228-32

A luxação do ombro posterior traumática é de difícil diagnóstico e tratamento. Há séries que descrevem que 60%-80% dessas luxações não são diagnosticadas numa primeira ida ao serviço de urgência. Desse modo, casos de luxações com vários dias e por vezes semanas são frequentes, o que sempre torna o tratamento mais complexo. As luxações posteriores são geralmente acompanhadas por uma fratura de impressão na superfície anterior da cabeça umeral, conhecida como lesão de Hill-Sachs reversa. Esse defeito ósseo pode “encravar” na borda glenoidal posterior e levar a instabilidade recorrente e destruição progressiva da articulação. Os autores descrevem um procedimento de McLaughlin artroscópico modificado, que permite o preenchimento do defeito ósseo com o terço superior do tendão subescapular, evita a recorrência da posterior do ombro instabilidade posterior. Associadamente, fez-se uma reparação da lesão de Bankart posterior e uma tenodese da longa porção do tendão bicipital. Essa técnica, além de reparar a lesão condrolabral posterior, cria um efeito de remplissage anterior, o que torna a reparação mais forte, é um ótimo procedimento no tratamento definitivo da luxação posterior recidivante. É um procedimento inteiramente feito por via artroscópica, não apresenta as desvantagens dos procedimentos abertos.


Palavras-chave: artroscopia; articulação do ombro; luxação do ombro; instabilidade

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