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Janeiro / Fevereiro de 2019
VOLUME 54 - NÚMERO 1

ARTIGO DE REVISÃO

Tromboprofilaxia na artroplastia total do joelho*

Julio Cesar Gali, Danilo Bordini Camargo

Rev Bras Ortop. 2019;54(1):1-5

Os autores descrevem uma atualização dos principais métodos de prevenção da trombose venosa profunda após artroplastia total do joelho, classificados em métodos mecânicos e farmacológicos. Reportam as principais drogas usadas, dosagem, riscos e benefícios comparativos.


Palavras-chave: prótese total de joelho; complicações; trombose venosa; prevenção

ARTIGO ORIGINAL

Tratamento das lesões musculares agudas da coxa com ou sem punção do hematoma em atletas*

Rodrigo Moreira Sales, Marcelo Cortês Cavalcante, Moisés Cohen, Benno Ejnisman, Carlos Vicente Andreoli, Alberto de Castro Pochini

Rev Bras Ortop. 2019;54(1):6-12

OBJETIVOS Comparar o tempo médio de retorno dos atletas ao esporte após lesão muscular aguda da coxa com hematoma que foi ou não puncionado.
MÉTODOS Estudo longitudinal de intervenção clínica, controlado e não randomizado, com participação de 20 atletas amadores e profissionais com lesão muscular aguda do tipo parcial moderada ou (sub)total na região da coxa, segundo a classificação do Consenso de Munique. Nove atletas foram incluídos no grupo intervenção e 11 no grupo controle. Os atletas do grupo intervenção foramsubmetidos a punção do hematoma e fisioterapia e os do grupo controle, apenas a fisioterapia. A variável tempo de retorno ao esporte foi analisada como teste deMann-Whitney e o nível de significância usado foi 95% (p < 0,05).
RESULTADOS A população estudada foi composta principalmente por homens, dos quais oito eram praticantes de esportes no nível amador. Três mulheres, das quais duas eram amadoras, foram incluídas no estudo. A média de idade dos participantes foi de 34,70 ± 12,79 anos. Houve 13 indivíduos com lesões na região posterior da coxa, cinco comlesões na região anterior e dois com lesões na região adutora. Considerando todas as lesões, o tempo médio de retorno ao esporte foi de 48,50 ± 27,50 dias no grupo intervenção. Já no grupo controle, esse intervalo foi de 102,09 ± 52,02 dias (p ¼ 0,022).
CONCLUSÃO No presente estudo, a punção do hematoma muscular mostrou-se efetiva em abreviar o tempo de retorno ao esporte dos atletas com lesões musculares parciais moderadas e (sub)totais associadas a hematomas.


Palavras-chave: músculo esquelético/lesões; coxas; hematoma; drenagem

Resultados clínicos e de imagem da abordagem da lesão de Hill-Sachs pela técnica de remplissage na instabilidade anterior do ombro*

Flávio de Oliveira França, André Couto Godinho, Diego Pedrosa Capitol Carneiro Leal, Mateus Matos Mantovani, Rafael Rodrigues Frazão, Ricardo Ferreira Mariz

Rev Bras Ortop. 2019;54(1):13-9

OBJETIVOS Avaliar o resultado funcional da técnica de remplissage, a cicatrização da capsulotenodese do tendão infraespinal no defeito de Hill-Sachs, o grau de infiltração gordurosa do músculo infraespinal e sua força de rotação lateral no pós-operatório.
MÉTODO Foram avaliados 25 pacientes com luxação anterior recidivante do ombro e lesão de Hill-Sachs comíndice de Hardy maior do que 20%, submetidos à técnica artroscópica de remplissage com seguimento mínimo de um ano. Os pacientes foram submetidos a avaliação clínica (escores funcionais deCarter-RoweeWalch-Duplay,medição de amplitude de movimento e força) e exame de ressonância magnética no ombro operado.
RESULTADOS Dos pacientes, 88% e 92% apresentaram resultados bons ou excelentes nas avaliações funcionais pelos escores de Carter-Rowe e Walch-Duplay, respectivamente. Identificou-se diferença média de 1 kg a menos de força do membro operado em relação ao contralateral (p < 0,001) e diferença média de 10ºem rotação lateral 1 e 2 (p < 0,001), novamente com o uso como referência do lado contralateral. Todos os pacientes submetidos a ressonância magnética apresentaram preenchimento de alto grau da lesão de Hill-Sachs pela capsulotenodese, assim como ausência ou mínima infiltração gordurosa no músculo infraespinal.
CONCLUSÃO A técnica de remplissage apresentou resultados bons/excelentes nos escores funcionais, apesar da perda discreta de força e amplitude de rotação lateral com significância estatística. Foram observados resultados excelentes quanto à cicatrização da capsulotenodese e ao preenchimento do defeito de Hill-Sachs.


Palavras-chave: ombro; instabilidade articular; recidiva; lesões de Bankart; artroscopia

Desenvolvimento de um guia paciente-específico para fixação de coluna cervical alta*

Felipe de Negreiros Nanni, Emiliano Neves Vialle, José Aguiomar Foggiattob, Kayo Winiccius Samuel Neves e Silva, Heraldo de Oliveira Mello

Rev Bras Ortop. 2019;54(1):20-5

OBJETIVOS A fixação de coluna cervical alta pode representar um desafio para os cirurgiões de coluna devido à anatomia complexa e aos riscos de lesão vascular e medular. Os recentes avanços com a tecnologia de impressão 3 D abriram um novo leque de opções para os cirurgiões.
MÉTODOS Desenvolveu-se umguia para a adaptação de parafusos demassa lateral em C1 comauxílio de impressão 3 D. Foram confeccionados oitomodelos em tamanho real de coluna cervical alta e seus respectivos guias com base em tomografias computadorizadas.Os fios-guia foram introduzidos com o auxílio dos guias; os modelos foram analisados com auxílio de tomografia computadorizada.
RESULTADOS Todos os fios-guia avaliados no estudo apresentaram um trajeto seguro nos modelos, respeitaram as superfícies articulares superiores e inferiores, o canal vertebral e a artéria vertebral.
CONCLUSÃO O estudo demonstrou que o guia tem boa eficácia, é uma ferramenta confiável para auxiliar a adaptação de fios-guia para parafusos em massas laterais de C1.


Palavras-chave: vértebras cervicais/patologia; vértebras cervicais/cirurgia; fraturas da coluna vertebral; fusão vertebral; impressão tridimensional

Estudo retrospectivo dos resultados do tratamento cirúrgico de 31 tumores de células gigantes da bainha do tendão da mão*

José Antonio Galbiatti, Gabriel Rodrigues dos Santos Milhomens, Luís Felipe Haber Figueiredo e Silva, Diego dos Santos Santiago, José Cassimiro da Silva, Sérgio de Oliveira Bruno Belluci

Rev Bras Ortop. 2019;54(1):26-32

OBJETIVO Avaliar os resultados do tratamento de 31 tumores de células gigantes da bainha do tendão da mão encontrados entre 2006 e 2015.
MÉTODOS Entre fevereiro de 2006 e novembro de 2015, um grupo de pacientes foi selecionado para avaliação retrospectiva, na qual foram estudados e avaliados 31 prontuários de pacientes submetidos a procedimento cirúrgico devido a tumor de células gigantes da bainha do tendão dos dedos da mão. O tratamento preconizado foi a excisão completa do tumor com a preservação das estruturas adjacentes. A confirmação diagnóstica foi feita pelo exame anatomopatológico. Foi avaliada a evolução do tratamento após a cirurgia, principalmente no tocante ao índice de recidivas dos tumores.
RESULTADOS Dos 31 pacientes da amostra, houve predomínio do sexo feminino e da etnia branca. O tumor acometeu principalmente indivíduos entre 30 e 50 anos. O lado mais acometido foi o esquerdo, e amaioria dos tumores estava na face flexora. Houve predominância dos dedos radiais, juntamente com sua extremidade distal. Esses pacientes têm sido acompanhados em intervalos regulares em ambulatório. Dos 27 pacientes reavaliados, foram identificados 3 casos de recidiva tumoral.
CONCLUSÃO Uma técnica cirúrgica adequada é essencial para a prevenção de recidivas do TCGBT. Os resultados obtidos na pesquisa estão em concordância com a literatura atual.


Palavras-chave: neoplasias; mãos; tumores de células gigantes

Contaminação do trajeto de biópsia em sarcomas primários ósseos*

Jairo Greco Garcia, Dayane Screpante Marques, Dan Carai Maia Viola, Marcelo de Toledo Petrilli, Maria Teresa de Seixas Alves, Reynaldo Jesus-Garcia

Rev Bras Ortop. 2019;54(1):33-6

OBJETIVO Determinar a incidência da contaminação do trajeto de biópsia nos pacientes com sarcomas primários ósseos, bem como as características clínicas que influenciaram neste desfecho.
MÉTODO Foram avaliados retrospectivamente os laudos anatomopatológicos de pacientes tratados pelo Serviço de Oncologia Ortopédica do Departamento de Ortopedia e Traumatologia dessa instituição.
RESULTADO Dentre os 148 pacientes incluídos no presente estudo, apenas um apresentou contaminação por células neoplásicas em seu trajeto de biópsia.
CONCLUSÃO O procedimento de biópsia óssea em pacientes com sarcomas primários ósseos apresenta grande segurança no quesito contaminação quando feito em centros especializados no tratamento dessas patologias.


Palavras-chave: sarcoma de Ewing; osteossarcoma; biópsia

Função e qualidade de vida de pacientes com fratura do planalto tibial operados com placa bloqueada ou convencional: estudo comparativo*

Bruno Gonçalves Schröder e Souza, Thiago Avelino Leite, Tarsis Aparecido Bueno da Silva, Carlos Otavio Fabiano de Faria Candido, Felipe Freesz de Almeida, Valdeci Manoel de Oliveira

Rev Bras Ortop. 2019;54(1):37-44

OBJETIVOS Comparar resultados clínicos, funcionais e de qualidade de vida de pacientes com fratura do planalto tibial operados com placa bloqueada ou convencional e comparar os custos hospitalares dos implantes.
MÉTODOS Estudo comparativo de coortes transversal, retrospectivo, em uma série consecutiva de pacientes com fratura do planalto tibial tratados cirurgicamente entre agosto de 2015 e junho de 2016. Foram excluídos: menores de 18 anos; indivíduos incapazes de responder os questionários ou de comparecer para reavaliação; politraumatizados ou comlesões associadas no mesmomembro; pacientes não tratados complaca ou conservadoramente. Os autores compararam os custos dos implantes, a qualidade de vida (SF-12), o escore de Lysholm, a escala visual de dor e os parâmetros clínicos e radiográficos.
RESULTADOS Foram observadas 45 fraturas no período, das quais 11 foram excluídas. Dos 34 pacientes, dois não compareceram à entrevista (seguimento de 94%). O tempo de seguimento foi 15,1 ± 4,8 meses. O grupo A (placa bloqueada) incluiu 22 pacientes (69%), com custo hospitalar médio dos implantes de R$ 4.125,39 (dp = R$1.634,79/paciente). O grupo B (placa convencional) incluiu dez pacientes (31%), a um custo médio de R$ 438,53 (dp = R$ 161,8/paciente; p < 0,00001). Para os demais parâmetros avaliados, não foram observadas diferenças significativas entre os grupos, exceto por um maior degrau articular no grupo A (2,7 mm ± 3,3 mm vs. 0,5 mm ± 1,6 mm; p = 0,02; TE = 0,90).
CONCLUSÃO O custo dos implantes bloqueados para o tratamento das fraturas do planalto tibial é significativamente superior aos implantes convencionais, embora não tenham apresentado vantagem clínica, radiográfica, funcional ou de qualidade de vida, nos pacientes dessa amostra.


Palavras-chave: fraturas da tíbia; placas ósseas; qualidade de vida; escore de Lysholm para joelho; licença médica; custos e análise de custo; sistema único de saúde

Contaminação de enxertos de tendões flexores na reconstrução do ligamento cruzado anterior: comparação de duas técnicas de retirada*

Eduardo Frois Temponi, Luís Henrique Grassi Marques da Costa, Luiz Fernando Machado Soares, Lúcio Honório de Carvalho

Rev Bras Ortop. 2019;54(1):45-52

OBJETIVO Avaliar a taxa de contaminação de autoenxerto de tendões flexores comparando duas técnicas e verificar se a contaminação intraoperatória está associada ao desenvolvimento de infecção clínica em pacientes submetidos a reconstrução do ligamento cruzado anterior.
MÉTODOS Foram feitas 110 reconstruções do ligamento cruzado anterior com tendão dos flexores e divididas em dois grupos: 1) técnica com retirada total dos tendões flexores e 2) técnica que manteve a inserção tibial desses tendões. Durante o preparo, dois fragmentos de cada um desses foram enviados para cultura, sendo mensurado o tempo de retirada dos tendões, do preparo dos tendões e total da cirurgia. Com 24 horas de pós-operatório, foi dosada a proteína C reativa. Seguimento clínico ambulatorial foi realizado de forma protocolada até 180 dias de pós-operatório.
RESULTADOS Apesar de terem sido observadas duas infecções pós-operatórias, não houve contaminação dos enxertos nem diferença entre os grupos emrelação ao tempo de preparo dos enxertos e a proteína C reativa com 24 horas de pós-operatório. A técnica clássica apresentou maior tempo de retirada do enxerto (p = 0,038) e não houve diferença estatística entre os dois grupos no que tange ao grau de contaminação e consequente infecção clínica, embora dois pacientes do grupo 2 tenham tido infecção com culturas perioperatórias negativas.
CONCLUSÃO Com base nos resultados obtidos, não houve associação entre contaminação do enxerto com o tempo ou a técnica de sua preparação, tampouco entre a contaminação intraoperatória e o desenvolvimento de infecção clínica ou entre alteração precoce da proteína C reativa e o surgimento de infecção.


Palavras-chave: enxerto de flexores; reconstrução do ligamento cruzado anterior; infecção; artrite séptica

“Joelho flutuante,” uma lesão incomum: análise de 12 casos*

Vishal Yadav, Harpreet Singh Suri, Mayank Vijayvargiya, Vikas Agashe, Vivek Shetty

Rev Bras Ortop. 2019;54(1):53-9

OBJETIVO As lesões do tipo joelho flutuante (FKIs, na sigla em inglês) são complexas e são geralmente causadas por trauma de alta velocidade. Estas lesões são frequentemente associadas a lesões que causamrisco demorte, que devemter precedente sobre lesões nas extremidades. Os autores revisaram os resultados das lesões do tipo joelho flutuante tratadas nesta instituição entre 2003 e 2015.
MÉTODO Foi realizado um estudo retrospectivo de todos os pacientes com FKIs de 2003 a 2015. Doze pacientes foram incluídos no estudo. Os dados relacionados ao tipo de fratura, lesões associadas, modalidades de tratamento e complicações foram observados. A avaliação funcional foi realizada utilizando os critérios de Karlstrom modificados após a união óssea completa.
RESULTADOS Omecanismo de lesão foi acidente automobilístico em todos os pacientes. O acompanhamento médio foi de 4 anos. A média de idade dos pacientes foi de 34,75 anos. O tempo médio de união óssea foi de 6,5 meses nos fêmures e de 6,7 meses nas tíbias. As complicações foram rigidez do joelho, união óssea tardia e infecção. De acordo com os critérios modificados de Karlstrom, três resultados foram considerados excelentes, cinco bons, três razoáveis e um resultado foi considerado ruim.
CONCLUSÃO Lesões do tipo joelho flutuante são graves e são geralmente associadas a lesões de vários órgãos. A detecção precoce e o tratamento adequado das lesões associadas, a afixação precoce das fraturas e a reabilitação pós-operatória são necessários para um bom resultado. As complicações são frequentes, sob a forma de união óssea tardia, rigidez do joelho e infecção.


Palavras-chave: fraturas femorais; fraturas tibiais; lesões no joelho; fixação de fratura

Prevalência de sinais radiográficos de impacto femoroacetabular em indivíduos assintomáticos e não atletas*

André Sousa Garcia, Murilo Gobetti, Anderson Yutaka Tatei, Guilherme Guadagnini Falótico, Gustavo Gonçalves Arliani, Eduardo Barros Puertas

Rev Bras Ortop. 2019;54(1):60-3

OBJETIVO O impacto femoroacetabular foi descrito como uma variação anatômica do fêmur proximal e/ou da borda acetabular, causa impacto na articulação do quadril. Uma parcela da população assintomática quanto ao quadril pode apresentar alterações radiográficas de impacto femoroacetabular. O objetivo do estudo é avaliar a prevalência desses sinais em indivíduos do sexo masculino assintomáticos e sedentários.
MÉTODOS Estudo clínico, observacional, primário, transversal, controlado. Foram selecionados 32 voluntários masculinos, de 18 a 40 anos, assintomáticos quanto ao quadril, sedentários, atendidos em um Pronto-Socorro de Ortopedia de Hospital Universitário. Todos fizeram radiografias anteroposteriores da pelve padronizadas. Foram analisadas as medidas de ângulo alfa, índice de retroversão, sinal da espinha isquiática e sinal da parede posterior.
RESULTADOS A média de idade foi de 29 anos (18-40). A prevalência de sinais radiográficos de impacto femoroacetabular com o uso do ângulo alfa de 67o foi de 53,1%; como ângulo alfa de 82o, essa prevalência foi de 31,2%. A média do ângulo alfa foi de 67o (52,4-88,2o), 35,9% dos quadris foram classificados como limítrofes e 6,3% como patológicos. Amédia do ângulo alfa para o lado direito foi de 67,5o (52,5-88,2o) e para o esquerdo, 66,6o (53,1-86,9o). O índice de retroversão médio foi de 0,048 (lado direito - 0,044 e lado esquerdo - 0,052). O sinal da espinha foi positivo em15,6% e da parede posterior em 20,3%.
CONCLUSÃO O presente estudo demonstrou que a prevalência de sinais radiográficos numa população de homens adultos, assintomáticos e sedentários foi elevada (31,2%). O real significado clínico desse achado ainda carece de novos estudos.


Palavras-chave: impacto femoroacetabular; quadril; lesões no quadril

Fratura pantrocantérica: incidência da complicação em pacientes com fratura trocantérica tratados com parafuso dinâmico de quadril em um hospital do Sul do Brasil*

Marcelo Teodoro Ezequiel Guerra, Luiz Giglio, Bruno Cornelios Leite

Rev Bras Ortop. 2019;54(1):64-8

OBJETIVO Investigar a incidência de fraturas pantrocantéricas nos casos de fraturas trocantéricas tratadas com parafuso dinâmico de quadril em nosso serviço.
MÉTODOS Uma amostra de 54 pacientes com fraturas trocantéricas tratadas com parafuso dinâmico de quadril foi incluída neste estudo retrospectivo. Foram avaliadas radiografias précirúrgicas para classificação das fraturas com o sistema AO/OTA, identificação de osteoporose radiográfica e mensuração da espessura da cortical lateral, enquanto nas imagens pós-operatórias imediatas foi avaliada a presença de fratura pantrocantérica.
RESULTADOS A amostra final apresentou a incidência de 16,7% de fraturas pantrocantéricas. A espessura da parede lateral foi significativamente mais baixa no grupo coma complicação (p < 0,001). Embora a incidência de fraturas classificadas como 31.A2 tenha sido maior no grupo com fratura pantrocantérica, a diferença não foi significativa (p = 0,456).
CONCLUSÃO O percentual de fraturas pantrocantéricas nesse serviço encontra-se em acordo com trabalhos prévios. Houve associação entre espessura da cortical lateral e ocorrência de fratura iatrogênica da parede lateral. Não houve diferença significativa entre classificação das fraturas e fratura pantrocantérica, possivelmente devido ao tamanho da amostra.


Palavras-chave: fratura do fêmur proximal; fratura trocantérica; DHS; fratura pantrocantérica; espessura da parede lateral

Prevalência da deficiência de vitamina D em pacientes com fraturas ocasionadas por trauma de baixa energia*

Nilo Devigili, Luiza Botega, Simony dos Reis Segovia da Silva Back, Willian Nandi Stipp, Martins Back Netto

Rev Bras Ortop. 2019;54(1):69-72

OBJETIVO Avaliar os níveis séricos da 25-hidroxivitamina D [25(OH)D] em pacientes internados com fraturas causadas por traumas de baixa energia e analisar o perfil desses pacientes e os principais tipos de fraturas.
MÉTODOS Estudo transversal observacional em que foram obtidas amostras séricas de 25(OH)D de 40 pacientes internados com fraturas resultantes de trauma de baixa energia. As seguintes variáveis foram analisadas: tipo da fratura, idade, sexo, uso de vitamina D, tabagismo, atividade física e uso de protetor solar.
RESULTADOS Apresentaram níveis deficientes de 25(OH)D 29 (72,5%) pacientes, dez (25%) apresentaram níveis insuficientes e apenas um (2,5%) apresentou níveis suficientes. Os pacientes que faziam uso de vitamina D obtiveram níveis de 25(OH)D (24,8 ± 12,75) estatisticamente significantes (p = 0,048) em relação aos que não usavam (16,47 ± 6,28). Além disso, aqueles que praticavam exercícios físicos duas a três vezes por semana obtiveram uma concentração média de 25(OH)D (22,5 ± 6,08 ng/mL) estatisticamente significante (p = 0,042) em comparação com o grupo que referiu não fazer atividade física (15,5 ± 7,25 ng/mL).
CONCLUSÃO A prevalência da deficiência de 25(OH)D foi de 72,5%, indivíduos que praticavam atividade física duas a três vezes por semana, bem como aqueles que faziam uso de vitamina D, apresentaram um nível maior de vitamina D.


Palavras-chave: fraturas ósseas; eficiência de vitamina D; exercício

RELATO DE CASO

Fratura da diáfise de úmero associada a luxação de cotovelo e fratura do terço distal do antebraço: relato de caso*

Jonatas Brito Alencar, Maria Luzete Costa Cavalcante, Renackson Jordelino Garrido, Pedro Henrique Messias da Rocha

Rev Bras Ortop. 2019;54(1):73-7

A fratura da diáfise do úmero associada a luxação posterolateral do cotovelo e fratura de terço distal dos ossos do antebraço é uma lesão rara, não relatada na literatura pesquisada. Alguns estudos reportam a associação de duas dessas lesões, porém não foram encontrados relatos com as três ipsilateralmente nas bases PubMed, Lilacs e Bireme. Os autores apresentam o caso de um paciente de 13 anos, do sexo masculino, com história de queda de aproximadamente três metros de altura. Foi atendido em um hospital terciário de referência em traumatologia com diagnóstico de fratura diafisária do úmero associada a luxação do cotovelo, lesão da placa fisária do rádio e fratura de terço distal da ulna ipisilateral esquerda. O paciente foi submetido a redução incruenta de todas as lesões sob sedação anestésica; posteriormente à redução, optou-se pelo uso de tala antebraquiopalmar e tipoia comercial tipo Velpeau como tratamento da fratura diafisária de úmero. Após uma semana, o paciente apresentou desvio da fratura diafisária do úmero, foi submetido a tratamento cirúrgico com hastes flexíveis de forma retrógrada, gesso antebraquiopalmar e tipoia comercial do tipo Velpeau.


Palavras-chave: fraturas do úmero; cotovelo; pinos ortopédicos; fios ortopédicos; fixação interna de fraturas

Condromatose sinovial extensa envolvendo todos os tendões do túnel do tarso: relato de caso*

Zachariah Pinter, Ashish Shah, Cesar de Cesar Netto, Walter Smith, Andres O’Daly, Alexandre Leme Godoy-Santos

Rev Bras Ortop. 2019;54(1):78-82

A condromatose sinovial é uma condição rara caracterizada por metaplasia condrogênica benigna do tecido sinovial extra-articular, que geralmente afeta uma única bainha tendínea da mão ou do pé. O objetivo é relatar o caso raro de um paciente com diagnóstico de condromatose sinovial extensa afetando todos os tendões flexores na topografia do túnel do tarso, suas características radiológicas, tratamento cirúrgico e desfecho clínico. Os autores apresentam um caso único de condromatose sinovial extensa em um homem de 48 anos envolvendo as bainhas dos tendões flexor longo do hálux, flexor longo dos dedos e tibial posterior, na topografia do túnel do tarso, com extensão para a região plantar do retropé. O sintoma inicial foi de compressão neurovascular (síndrome do túnel do tarso). A suspeita diagnóstica foi condromatose sinovial com base em evidências radiográficas e de ressonância magnética. O paciente foi submetido a ressecção cirúrgica do tumor, bem como a liberação do túnel tarsal e alongamento do tendão dos gastrocnêmios. O diagnóstico foi confirmado por exame histopatológico do espécime colhido no período intraoperatório. A evolução pós-operatória do paciente ocorreu sem complicações e os sintomas da síndrome do túnel do tarso cessaram. Os autores relatam um caso de condromatose sinovial extensa envolvendo todos os tendões flexores do túnel do tarso, corretamente diagnosticado por achados clínicos e radiológicos e que necessitou de ressecção cirúrgica precoce para evitar complicações neurovasculares em longo prazo.


Palavras-chave: crondomatose sinovial/diagnóstico por imagem; crondomatose sinovial/cirurgia; crondomatose sinovial/diagnóstico; crondomatose sinovial/patologia; sinovite

Desartrodese de anca - relato de três casos*

Diogo Lino Moura, António Figueiredo

Rev Bras Ortop. 2019;54(1):83-6

A desartrodese de anca, isto é, a conversão da artrodese ou fusão óssea cirúrgica em uma artroplastia de substituição articular da anca, é uma intervenção difícil e desafiante, na medida em que é preciso reconstruir uma articulação perante uma consolidação óssea e uma imobilização muitas vezes de longa duração entre fêmur e acetábulo, já com importantes alterações anatômicas e retrações dos tecidos moles adjacentes, com encurtamento do membro associado. Visto que a artrodese de anca é uma cirurgia cada vez mais raramente aplicada, consequentemente a desartrodese é cada vez menos frequente. Nesse artigo, os autores apresentam três casos raros de pacientes com artrodeses da anca de longa duração submetidos a conversão para artroplastia total e descrevem a técnica de desartrodese usada e seus resultados clínico-funcionais.


Palavras-chave: artrodese; artroplastia; anca

Pseudotumor em artroplastia total do quadril metal-metal com cabeça de grande diâmetro*

Elmano de Araújo Loures, Daniel Naya Loures, Armando D'Lucca de Castro e Silva, Luiz Fernando Ribeiro Monte

Rev Bras Ortop. 2019;54(1):87-9

Os autores descrevem caso de artroplastia total do quadril (ATQ) com par tribológico metal-metal e cabeça de grande diâmetro que evoluiu com formação de pseudotumor inflamatório. O diagnóstico foi estabelecido por ressonância magnética com supressão de artefato metálico. O tratamento consistiu na ressecção do tecido anormal e revisão com par tribológico cerâmica-polietileno reticulado. Nenhum caso semelhante em língua portuguesa encontra-se descrito nas bases de dados PubMed, Scielo e Lilacs até a presente data.


Palavras-chave: reação tecidual adversa; pseudotumor; artroplastia total do quadril

Dislocação patelar aguda irredutível devido a uma nova variante anatômica - a patela entalhada*

Miguel Duarte-Silva, Joaquim Rodeia, Tiago Mota Gomes, Francisco Guerra-Pinto

Rev Bras Ortop. 2019;54(1):90-4

As luxações irredutíveis da patela são raras e são geralmente associadas a mecanismos complexos. Os autores relatam o caso clínico de uma luxação patelar lateral irredutível devido a uma variante anatômica. Os autores atenderam um paciente de 16 anos que apresentou uma luxação lateral da patela de redução impossível por manipulação fechada, mesmo sob anestesia geral. Durante o estudo de imagem, a tomografia computadorizada (TC) mostrou um entalhe na faceta medial da patela, impactada no côndilo lateral, o que impediu a redução. Esta variante anatômica foi posteriormente confirmada durante a cirurgia. Em uma TC bilateral de acompanhamento, esta variante anatômica também estava presente no joelho contralateral, normal, excluindo o remodelamento traumático como o motivo deste entalhe patelar. Os autores utilizaramuma abordagem parapatelar medial para a redução aberta do deslocamento e para o reparo do retináculo medial. De acordo comWiberg, existem três tipos diferentes de patela. Os autores descrevem uma variação da patela de tipo III com um entalhe na margem medial que não está incluída na classificação anterior. Ressalta-se a importância de um estudo de TC na presença de luxação irredutível e o reconhecimento desta variante anatômica da patela, já quemanobras agressivas foram testadas sem sucesso. A redução aberta parece ser a melhor opção neste cenário.


Palavras-chave: deslocamentos articulares; fraturas intraarticulares; deslocamento da patela

Sarcoma histiocítico ósseo em escápula: relato de caso*

Gabriel Severo da Silva, Luis José Moura Alimena, Bernardo Vaz Peres Alves, Alexandre David, Roque Domingos Furian

Rev Bras Ortop. 2019;54(1):95-8

Relato de caso de paciente pediátrico com diagnóstico de sarcoma histiocítico ósseo em escápula, submetido à ressecção oncológica (cirurgia de Tikhoff-Linberg tipo II), com retorno às atividades prévias e livre de doença após 24 meses de seguimento.


Palavras-chave: sarcoma histiocítico/patologia; sarcoma histiocítico/diagnóstico por imagem; sarcoma histiocítico/cirurgia

NOTA TÉCNICA

Transferência tendínea do grande dorsal com enxerto tendíneo homólogo para as lesões irreparáveis do manguito rotador: técnica cirúrgica*

Alberto Naoki Miyazaki, Caio Santos Checchia, Wagner de Castro Lopes, João Manoel Fonseca, Guilherme do Val Sella e Luciana Andrade da Silva

Rev Bras Ortop. 2019;54(1):99-103

No contexto do tratamento cirúrgico dos pacientes jovens com lesões irreparáveis da porção posterossuperior do manguito rotador, a técnica mais usada é a transferência do tendão do grande dorsal para a porção superolateral do tubérculo maior, conforme descrita e preconizada por Gerber et al. Entretanto, duas características dessa técnica podem levar a resultados ruins e complicações: (i) a deiscência da origem do deltoide, que ocorre devido à sua violação durante a criação da via em golpe de sabre e (ii) a ruptura pós-operatória da inserção da transferência. Na tentativa de solucionar esses dois problemas, as seguintes modificações foram feitas à técnica cirúrgica original. Por meio de uma única via deltopeitoral, o tendão do grande dorsal é isolado e desinserido do úmero. Ele é então alongado e reforçado com um enxerto tendíneo homólogo, transferido ao redor do úmero e fixado à porção superolateral do tubérculo maior. Não foi usada imobilização pós-operatória com órtese toracobraquial rígida.


Palavras-chave: lesões do manguito rotador; transferência tendinosa; lesões do ombro; ombro; ortopedia

Técnica radiográfica de estresse em varo bilateral simultâneo*

Felipe Moreira Borges, Jacqueline Vieira de Castro, Nicholas Kennedy, Marcio Balbinotti Ferrari, Joao Luiz Ellera Gomes

Rev Bras Ortop. 2019;54(1):104-7

As radiografias de estresse em varo são descritas como uma técnica efetiva e econômica de diagnóstico e tomada de decisão em lesões laterais do joelho, tanto no contexto agudo quanto crônico. A abertura do compartimento lateral varia de acordo com o número de estruturas danificadas, ajudando a diferenciar lesões isoladas do ligamento colateral fibular das lesões do canto posterolateral de grau III. A técnica convencional exige que o médico ou outro profissional de saúde aplique estresse em varo manual ao obter a radiografia em um joelho de cada vez. O presente estudo teve como objetivo descrever, em detalhes, o método preferido dos autores para avaliar a abertura do compartimento lateral em ambos os joelhos simultaneamente, o que também evita a necessidade da presença do examinador na sala de imagem.


Palavras-chave: joelho; fraturas; estresse; radiografia

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