ISSN - Versão Impressa: 0102-3616 ISSN - Versão Online: 1982-4378

Jun de 2003
VOLUME 38 - NÚMERO 6

ATUALIZAÇAO

Tratamento das fraturas da diáfise do fêmur na criança

PAULO CEZAR DE MALTA SCHOTT

Rev Bras Ortop. 2003;38(6):

O tratamento ideal das fraturas da diáfise do fêmur na criança permanece controvertido, havendo, porém, consenso de que a idade é fator fundamental na escolha da conduta a ser adotada, em especial nas fraturas isoladas da diáfise femoral. Não existe um método em particular que possa ser utilizado em todos os pacientes neste tipo de fratura. O tratamento deve ser individualizado, levandose em consideração: a idade do paciente, o grau de desvio da fratura, a associação de outras lesões, da presença de trauma craniencefálico, de lesão das partes moles e, eventualmente, das condições socioeconômicas dos familiares. Historicamente, o tratamento conservador tem sido o método mais adotado nestas fraturas. Entretanto, existem situações com indicações para o tratamento operatório, sendo algumas absolutas e outras relativas. Em relação aos métodos operatórios, têm-se as seguintes opções: a estabilização com fixador externo, a fixação intramedular e, muito raramente, a osteossíntese com placa e parafusos. Há indicação específica para a utilização de cada um desses métodos. No tratamento das fraturas da diáfise do fêmur na criança podem ocorrer complicações, que estão mais relacionadas com a falta de aplicação correta do método utilizado do que com a escolha do mesmo. As-sim, por existirem variáveis na escolha do tratamento das fraturas da diáfise do fêmur na criança, a conduta adotada deve ser individualizada para cada situação específica.

ARTIGO ORIGINAL

Tratamento de fraturas do tornozelo tipo Danis-Weber B com placa antideslizante póstero-lateral*

CARLOS TUCCI NETO, HÉLIO JORGE ALVACHIAN FERNANDES, PEDRO FRANCISCO TUCCI NETO, FERNANDO BALDY DOS REIS, FLAVIO FALOPPA

Rev Bras Ortop. 2003;38(6):

Os autores avaliaram 21 pacientes com 21 fraturas do tornozelo tipo B de Danis-Weber tratadas cirurgicamente com placa póstero-lateral com efeito antideslizante. Os resultados foram avaliados pelo escore de Olerud e Mo-lander de 1984, sendo que obtiveram pontuação média de 95 (máximo de 100). Todos os pacientes retornaram a sua atividade prévia, sem prejuízo funcional. Concluíram que o método adotado possibilitou vantagens biológicas, como: melhor cobertura de partes moles, menor exposição cirúrgica; e mecânicas, como: maior contato da placa com a superfície óssea, parafusos mais longos, melhor estabilidade com implantes menores e o uso do parafuso interfragmentar pela placa. Recomendam o emprego do método como tratamento de escolha para as fraturas selecionadas.

Escorregamento epifisário proximal do fêmur: tratamento mediante fixação "in situ" com um único parafuso canulado*

ERNESTO FERNANDO ROCHA, CLÁUDIO SANTILI

Rev Bras Ortop. 2003;38(6):

No Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo - Pavilhão "Fernandinho Simonsen", no período de 1989 a 1999, foram tratados 218 pacientes, portadores do escorregamento epifisário proximal do fêmur, mediante a fixação in situ com um único parafuso canulado. Desse total, foram selecionados ao acaso os prontuários de 40 pacientes, sendo 20 de cada sexo. No momento do diagnóstico, a média de idade dos pacientes do sexo masculino foi de 12,7 anos, enquanto que nos do feminino foi de 11,9 anos. O fechamento da placa epifisária (epifisiodese) proximal do fêmur foi obtido em todos os casos e com tempo médio de 14,05 meses após a fixação. O objetivo do presente estudo é a análise epidemiológica e radiográfica retrospectiva nesta amostragem de 40 pacientes assim tratados, bem como suas complicações, avaliadas exclusivamente do ponto de vista radiográfico. Unitermos - Epifisiólise; epífise femoral proximal; parafusos ósseos

Reconstrução do ligamento cruzado anterior com tendões dos músculos flexores do joelho fixos com Endobutton®*

GILBERTO LUÍS CAMANHO, LUÍS FELIPPE CAMANHO, ALEXANDRE DE CHRISTO VIEGAS

Rev Bras Ortop. 2003;38(6):

Entre março de 1992 e novembro de 1999, foram operados 209 pacientes que apresentavam lesão do ligamento cruzado anterior (LCA); a técnica escolhida foi o uso dos tendões dos músculos flexores do joelho como enxerto. A configuração do enxerto variou, sendo usado em 92 pacientes o tendão do músculo semitendíneo (ST) triplo, em outros 92, o ST duplo associado com o tendão do músculo grácil (GR) duplo e, em 25 pacientes, configurações diferentes, sempre utilizando os tendões flexores como enxerto. Os enxertos foram fixados no fêmur com Endobutton® e na tíbia por amarrilho e parafuso de esponjosa. Dos pacientes, 154 eram do sexo masculino e o lado direito foi acometido 109 vezes. A idade variou dos 15 aos 64 anos, sendo a média de 36,8 anos. O tempo médio de seguimento foi de 57 meses, variando de 29 a 120 meses. Houve 196 (94%) casos considerados bons, oito (3,7%) regulares e cinco (2,3%) maus.

Estudo anatômico da vascularização cutânea do dorso dos dedos e sua aplicação no retalho desepidermizado homodigital*

JEFFERSON BRAGA SILVA, WALTER MANNA ALBERTONI, FLÁVIO FALOPPA

Rev Bras Ortop. 2003;38(6):

Os autores apresentam o estudo anatômico da vascularização cutânea do dorso dos dedos (144 dedos) e sua aplicação na confecção do retalho desepidermizado homodigital (22 pacientes). A análise estatística dos resultados demonstrou predominância de dois ramos arteriais constantes no nível das falanges proximal e média provenientes de cada artéria colateral palmar, formando um sistema anastomótico dorsal na altura das articulações metacarpofalângicas, interfalângicas proximais e distais. A série clínica correspondeu a 22 pacientes que apresentavam perda de substância dorsal dos dedos. O agente etiológico mais freqüente foi a queimadura (54,5%), seguindo-se o esmagamento (31,9%). O dedo médio foi o mais acometido em 45,8% dos casos e a segunda falange, em 46,9%. Baseados nesses resultados anatômicos e clínicos, os autores concluíram que é possível a realização de um retalho desepidermizado homodigital para cobrir perdas de substância cutânea na face dorsal dos de-dos.

Estudo anatômico do retalho ampliado lateral do braço*

RENATO RIBEIRO GONÇALVES, MARCOS ALMEIDA MATOS, ARNALDO VALDIR ZUMIOTTI, TENG HSIANG WEI

Rev Bras Ortop. 2003;38(6):

Foram realizadas dissecções anatômicas de 45 membros superiores de cadáveres, com o objetivo de avaliar as dimensões e o padrão vascular da porção distal ao epicôndilo lateral do retalho lateral do braço. Os casos foram divididos em grupos A, B, e C e submetidos a injeção de contraste diretamente na artéria colateral radial posterior. Nos cadáveres dos grupos A e B, foi injetado contras-te à base de azul de metileno, que serviu para avaliar o maior comprimento e largura de pele corada, tendo como local para início das medidas o epicôndilo lateral do úmero. Nos cadáveres do grupo C foi utilizado contraste à base de látex, que serviu para avaliar o padrão vascular da artéria colateral radial posterior encontrado distalmente ao epicôndilo lateral. Em todos os casos, a pele foi corada pelo contraste distalmente ao epicôndilo lateral, com o comprimento variando de 4cm a 12cm, com média de 7,5cm, e a largura variando de 3cm a 10cm, com média de 6cm. Houve em todas as dissecções um padrão plexiforme da artéria colateral radial posterior distalmente ao epicôndilo lateral. Os autores concluem que é possível a confecção do retalho lateral do braço na forma ampliada, sendo os limites de 7,5cm de comprimento por 6,0cm de largura, distalmente ao epicôndilo lateral, seguros para a confecção desse tipo de retalho. A artéria colateral radial posterior apresenta padrão arterial plexiforme, nessa região.

RELATO DE CASO

Displasia condroectodérmica (síndrome de Ellis-van Creveld): relato de dois casos*

SÉRGIO C. PINTO JR., CAMILA LAMMEL, JUNG HO KIM, JORGE L. P. BORGES

Rev Bras Ortop. 2003;38(6):

A displasia condroectodérmica, também chamada de síndrome de Ellis-van Creveld, é uma forma de displasia extremamente rara(1), descrita por dois autores, Ellis e Van Creveld, em 1940(2). Até hoje, o número de casos relatados na literatura mundial não chega a 200(3). Apesar da raridade, essa síndrome tem incidência aumentada entre o povo Amish da cidade de Lancaster, no Estado da Pensilvânia, Estados Unidos. Essa patologia é caracterizada por condrodisplasia, polidactilia, defeitos congênitos do coração e por displasia ectodérmica afetando os cabelos, os dentes e as unhas. O nanismo desproporcional com membros curtos é caracterizado por os antebraços, mãos e pés estarem mais envolvidos que os segmentos proximais dos membros (acromesomelia)(4). A polidactilia geralmente é pós-axial, acometendo mais freqüentemente as mãos do que os pés. A sindactilia pode ocorrer, assim como fusões cárpicas e alterações no formato das falanges(1).
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