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Julho de 2018
VOLUME 53 - NÚMERO 4

ARTIGO ORIGINAL

Avaliação radiológica do posicionamento do túnel femoral na reconstrução do ligamento cruzado anterior

Luciano Rodrigo Peres; Matheus Silva Teixeira; Caetano Scalizi; Wolf Akl

Rev Bras Ortop. 2018;53(4):397-403

OBJETIVO: Avaliar a inclinação e o comprimento dos túneis femorais em pacientes submetidos a reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA) pelas técnicas transtibial e anatômica.
MÉTODOS: Estudo observacional analítico em pacientes com lesão do LCA submetidos à reconstrução artroscópica pelas técnicas cirúrgicas transtibial e anatômica. No pós-operatório imediato foram feitos os exames de tomografia computadorizada (TC) e radiografia digital simples (RX) na incidência anteroposterior para avaliação da inclinação e do comprimento do túnel femoral.
RESULTADOS: Dos 42 pacientes analisados, 27 foram submetidos à reconstrução anatômica e 15 à reconstrução pela técnica transtibial. O ângulo de inclinação e o comprimento do túnel na técnica transtibial são sempre maiores do que na reconstrução anatômica. Os ângulos de inclinação na técnica transtibial foram 59,75º (53,9º-66,1º) no RX e 54,17º (43,5º-62,3º) na TC; na técnica anatômica, 42,91º (29,3-57,4º) no RX e 39,10º (23,8-50,6º) na TC. Em relação ao comprimento do túnel femoral, a técnica transtibial gera túneis mais longos. Em média 55,7 mm (40-70,2 mm) na técnica transtibial e 35,5 mm (24,5-47 mm) na anatômica. Não encontramos correlação estatisticamente significativa nos valores do comprimento versus inclinação do túnel, independentemente da técnica usada. Portanto, são variáveis independentes.
CONCLUSÃO: A técnica de reconstrução anatômica apresentou túneis femorais mais curtos e com ângulo de inclinação menor do que a técnica transtibial. A TC apresentou valores de inclinação do túnel menores do que o RX, independentemente da técnica cirúrgica.


Palavras-chave: Articulação do joelho; Ligamento cruzado anterior; Reconstrução do ligamento cruzado anterior; Radiografia; Tomografia computadorizada por raios X.

Ultrassonografia para avaliação do diâmetro dos tendões flexores do joelho: é possível predizer o tamanho do enxerto?

Diego da Costa Astur; João Victor Novaretti; Andre Cicone Liggieri; César Janovsky; Alexandre Pedro Nicolini; Moises Cohen

Rev Bras Ortop. 2018;53(4):404-9

OBJETIVO: Fazer a mensuração pré-operatória dos tendões flexores do joelho com o uso do exame de ultrassonografia, validar e correlacionar o valor medido com aquele encontrado durante a reconstrução cirúrgica do ligamento.
MÉTODOS: Estudo transversal com 24 pacientes submetidos a mensuração ultrassonográfica dos tendões dos músculos semitendíneo e grácil e posteriormente submetidos a reconstrução cirúrgica do LCA, com enxerto ipsilateral dos tendões semitendíneo e grácil do próprio paciente.
RESULTADOS: A idade dos pacientes variou entre 16 e 43 anos, com média de 24,8 (DP = 8,4), 79,2% eram homens e a distribuição quanto ao lado foi de 41,7% joelhos direitos e 58,3% joelhos esquerdos. Foi encontrado coeficiente de correlação não significante entre a área calculada a partir do ultrassom (2 × área do semitendíneo + 2 × área do grácil) e a medida obtida intraoperatoriamente (r = 0,16, p = 0,443). Não foi encontrada evidência de diferença entre medidas intraoperatórias < 8 mm e ≥ 8 mm quanto à área calculada a partir do ultrassom (p = 0,746). A diferença observada entre os grupos foi de -0,01 (IC 95%: -0,09 a 0,07).
CONCLUSÃO: A mensuração pré-operatória por método de imagem ultrassonográfico dos tendões dos músculos semitendíneo e grácil não apresenta correlação estatisticamente significante com a mensuração intraoperatória do enxerto quádruplo de flexores para reconstrução ligamentar.


Palavras-chave: Ligamento cruzado anterior; Traumatismos do joelho; Ultrassonografia.

Caracterização por estudo anatomorradiográfico da posição patelar em pacientes portadores de síndrome femoropatelar

Bruno Adelmo Ferreira Mendes Franco; David Sadigursky; Gildásio de Cerqueira Daltro

Rev Bras Ortop. 2018;53(4):410-4

OBJETIVOS: Determinar a prevalência de patela alta em pacientes adultos portadores de dor no joelho, correlacionar a altura patelar com sintomas de instabilidade patelar e dor anterior no joelho. Verificar índice de concordância entre os índices de Insall-Salvati e Caton-Deschamps.
MÉTODOS: Estudo de corte transversal, com análise de prontuários de pacientes portadores de dor no joelho e radiografias em perfil do joelho a 30º graus de flexão e tomografia computadorizada. Usadas as medidas do Índice de Insall-Salvati e Índice de Caton-Deschamps para determinar a altura patelar.
RESULTADOS: Foram analisados 756 prontuários, 140 joelhos, 39% de homens e 61% de mulheres. Para ambos os índices obtivemos associações estatisticamente significantes para a ocorrência de patela alta e sinais de instabilidade patelar, entretanto não houve associação significativa para a dor anterior no joelho. O índice Kappa obtido para analisar a relação de concordância entre o Índice de Insall-Salvati e Caton-Deschamps aponta para uma associação regular entre eles.
CONCLUSÃO: Pacientes portadores de patela alta apresentam maior prevalência de instabilidade na população estudada. Ter patela alta não apresenta relação significativa com a presença de dor anterior do joelho. Os Índices de Insall-Salvati e Caton-Deschamps apresentam concordância regular na apresentação dos resultados das alturas patelares.


Palavras-chave: Patela; Luxação da patela; Condromalácia patelar; Dor.

Estudo histológico da inserção femoral do ligamento cruzado posterior

Lauro Augusto Veloso Costa; Marcos Barbieri Mestriner; Thiago Alvim do Amaral; Bárbara dos Santos Barbosa; Camila Cohen Kaleka; Ricardo de Paula Leite Cury

Rev Bras Ortop. 2018;53(4):415-20

OBJETIVOS: Descrever a anatomia microscópica da inserção femoral do ligamento cruzado posterior a fim de identificar e estabelecer diferenças entre as inserções direta e indireta desse ligamento.
MÉTODOS: Foram usados dez joelhos procedentes de amputações transfemorais. A inserção femoral do ligamento cruzado posterior foi observada microscopicamente. A coloração hematoxilina e eosina foi feita para observar a morfologia da inserção do ligamento cruzado posterior. A coloração azul de Alcian foi feita para determinar a localização da matriz de cartilagem e melhor ajudar na observação e diferenciação entre a inserção direta e indireta.
RESULTADOS: Observou-se que a inserção direta do ligamento cruzado posterior é uma estrutura mais complexa do que a inserção indireta, por apresentar quatro camadas histológicas distintas (ligamento, fibrocartilagem não calcificada, fibrocartilagem calcificada e osso). Os condrócitos foram observados nas camadas não calcificadas e calcificadas de fibrocartilagem. Foi observado que a inserção indireta, composta de duas camadas nas quais o ligamento está inserido diretamente ao osso por fibras de colágeno, está localizada na região marginal do ligamento cruzado posterior entre a inserção direta e a borda da cartilagem anterior do côndilo.
CONCLUSÃO: Através de análise histológica, o presente estudo demonstrou que a inserção indireta do ligamento cruzado posterior situa-se adjacente à borda da cartilagem anterior do côndilo femoral e apresenta um padrão histológico no qual as fibras de colágeno se inserem diretamente no osso. A inserção direta encontra-se posterior à inserção indireta e apresenta quatro camadas histológicas distintas.


Palavras-chave: Ligamento cruzado posterior/anatomia & histologia; Joelho; Cadáver.

Anatomia descritiva da inserção femoral do ligamento cruzado anterior

Julio Cesar Gali; Danilo Bordini Camargo; Felipe Azevedo Mendes de Oliveira; Rafael Henrique Naves Pereira; Phelipe Augusto Cintra da Silva

Rev Bras Ortop. 2018;53(4):421-6

OBJETIVO: Avaliar os aspectos morfológicos da inserção femoral do ligamento cruzado anterior (LCA) para definir suas características anatômicas e a localização de seu sítio de inserção, com a finalidade de verificar se essa inserção tem características individuais e para prover informações para o posicionamento adequado do túnel femoral na reconstrução anatômica do LCA.
MÉTODOS: Foram examinados 16 joelhos originados de amputações. Nesses, foram observados macroscopicamente o número de bandas e o formato das inserções ligamentares. Foram medidos, com um paquímetro digital, o comprimento e a espessura dessas inserções. As distâncias entre os limites do ligamento e a cartilagem articular e a medida da área de inserção ligamentar foram avaliadas com o software ImageJ.
RESULTADOS: A localização do sítio de inserção ligamentar do LCA no côndilo femoral lateral foi excêntrica, mais próxima da cartilagem condilar profunda. Em dez joelhos (62,5%) as inserções foram ovais; o comprimento médio das inserções foi de 16,4 mm, variou de 11,3 a 19,3 mm; a espessura variou de 7,85 a 11,23 mm (média de 9,62). A área média das inserções foi de 99,7 mm2, variou de 80,9 a 117,2 mm2. As distâncias médias entre os limites do ligamento até a cartilagem articular superficial, profunda e inferior foram, respectivamente, 9,77 ± 1,21; 2,60 ± 1,20 e 1,86 ± 1,15.
CONCLUSÃO: Houve uma diferença de 30% a 40% entre os resultados mínimo e máximo das mensurações do comprimento, da espessura e da área das inserções femorais do LCA, evidenciou uma variação individual importante. O sítio de inserção do LCA foi excêntrico, mais próximo da cartilagem articular profunda do côndilo femoral lateral.


Palavras-chave: Fêmur; Ligamento cruzado anterior; Anatomia; Procedimentos ortopédicos.

O teste de visualizac¸ão artroscópica do túnel femoral durante a reconstrução do LCA garante a integridade do túnel

Eduardo Frois Temponi; João Newton Penido Oliveira; Luiz Fernando Machado Soares; Lúcio Honório de Carvalho

Rev Bras Ortop. 2018;53(4):427-31

OBJETIVOS: A violação da cortical femoral posterior pode ser complicação intraoperatória devastadora na reconstrução do ligamento cruzado anterior (RLCA), pode levar à perda de fixação ou à falha precoce do enxerto. Este estudo descreve e analisa a capacidade do teste de visualização artroscópica do túnel femoral em evidenciar a integridade de suas paredes durante a RLCA.
MÉTODOS: Foram prospectivamente avaliados 584 pacientes elegíveis à RLCA entre 2014 e 2016 quanto à integridade do túnel femoral com o uso do teste de visualização artroscópica. A localização ao longo do túnel femoral e a profundidade da violação no túnel (< 3 mm, 3-5 mm, > 5 mm) foram avaliadas. O tempo para o teste foi medido e a ocorrência de complicações relacionadas ao mesmo também foi analisada.
RESULTADOS: Todos os 584 pacientes elegíveis foram submetidos ao teste de visualização do túnel femoral durante a cirurgia artroscópica para RLCA. Em 12 (1%) pacientes, o túnel femoral apresentou perda de integridade da cortical posterior, que não ultrapassou 3 mm. Apenas quatro (0,6%) pacientes apresentaram violação da cortical posterior, que se estendeu para além de 5 mm. O tempo médio dispendido no teste foi de 40 segundos (± 20). Nenhuma complicação realização foi relatada.
CONCLUSÃO: O teste de visualização do túnel femoral é eficaz para avaliar a integridade desse túnel durante a RLCA, sem aumentar o tempo cirúrgico e sem provocar aumento na taxa de complicações relativas ao procedimento.
RELEVÂNCIA CLÍNICA: O teste de visualização artroscópica do túnel femoral é uma técnica simples e rápida, capaz de obter visão adequada da anatomia do paciente, garante a integridade do túnel durante a RLCA.


Palavras-chave: Ligamento cruzado anterior; Túnel femoral; Artroscopia.

Artroplastia total de joelho e quadril: a preocupante realidade assistencial do Sistema Único de Saúde brasileiro

Marcio de Castro Ferreira; Julio Cesar Pinto Oliveira; Flavio Ferreira Zidan; Carlos Eduardo da Silveira Franciozi; Marcus Vinicius Malheiros Luzo; Rene Jorge Abdalla

Rev Bras Ortop. 2018;53(4):432-40

OBJETIVO: Analisar o número de autorizações de internação hospitalar para cirurgias de artroplastia total de joelho (ATJ) e quadril (ATQ) no Brasil entre 2008 e 2015 e correlacioná-lo com aspectos demográficos e epidemiológicos regionais, nacionais e internacionais.
MÉTODOS: Os dados sobre informativos demográficos, econômicos e sobre ATJ e ATQ foram obtidos no website do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Agência Nacional de Saúde (ANS) e Ministério da Saúde/Datasus para avaliar o assistencialismo do Sistema Único de Saúde (SUS) em artroplastias para a população idosa brasileira sem planos de saúde privados.
RESULTADOS: As Regiões Sul e Sudeste apresentaram a melhor relação assistencial, com 8,07 e 6,07ATJ/100.000 habitantes e uma ATJ para 1.811 e 2.624 idosos e 17,3 e 10,99ATQ/100.000 habitantes e uma ATQ para 923 e 1.427 idosos, respectivamente. Os piores índices foram do Norte e Nordeste, com 0,88 e 0,98 ATJ/100.000 e uma ATJ para 6.930 e 10.411 idosos e 0,96 e 3,25 ATQ/100.000 e uma ATQ para 6.849 e 2.634 idosos, respectivamente. A média nacional foi de 4,00 ATJ/100.000 e uma ATJ para 3.249 idosos e 8,01 ATQ/100.000 e uma ATQ para 1.586 idosos. A média internacional foi de 142,8 ATJ/100.000 e 191,8 ATQ/100.000.
CONCLUSÃO: Os resultados indicaram resultados assistenciais insatisfatórios para ATJ e ATQ no Brasil, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.


Palavras-chave: Artroplastia; Joelho; Quadril.

Correlação entre as escalas da UCLA e Constant-Murley nas roturas do manguito rotador e fraturas da extremidade proximal do úmero

Eduardo Angeli Malavolta; Jorge Henrique Assunção; Mauro Emilio Conforto Gracitelli; Pedro Antonio Araújo Simões; Danilo Kenji Shido; Arnaldo Amado Ferreira

Rev Bras Ortop. 2018;53(4):441-7

OBJETIVO: Avaliar a correlação entre as escalas da UCLA e de Constant-Murley no tratamento cirúrgico de roturas do manguito rotador e de fraturas da extremidade proximal do úmero (FEPU).
MÉTODOS: Estudo retrospectivo, que avaliou pacientes submetidos ao reparo do manguito rotador por via artroscópica e tratamento cirúrgico de FEPU com dois anos de seguimento. Os pacientes foram avaliados pelas escalas da UCLA e de Constant-Murley no período pré-operatório nas roturas do manguito rotador e após seis, 12 e 24 meses da cirurgia em ambos os diagnósticos. O coeficiente de correlação de Pearson (r) foi calculado para medir o grau de correlação entre as duas escalas clínicas.
RESULTADOS: Avaliamos 109 pacientes, 54 com rotura do manguito rotador e 55 com FEPU. Após 24 meses do tratamento cirúrgico, as pontuações pelas escalas da UCLA e da Constant-Murley foram de 32,6 ± 4,0 e 85,0 ± 12,0 nas roturas do manguito rotador e 30,3 ± 5,3 e 73,8 ± 13,9 nas FEPU, com melhoria significativa em ambas em relação à avaliação inicial (p < 0,001). As escalas demostraram alta correlação (r = 0,88, p < 0,001). Em todas as avaliações clínicas pós-operatórias as pontuações obtidas nas duas escalas se correlacionaram de modo alto ou muito alto (r = 0,79 a 0,91, p < 0,001). No pré-operatório a correlação foi alta (r = 0,73, p < 0,001).
CONCLUSÃO: As escalas da UCLA e de Constant-Murley apresentam uma correlação alta ou muito alta na avaliação do tratamento cirúrgico das roturas do manguito rotador e das FEPU. No pré-operatório a correlação é alta.


Palavras-chave: Manguito rotador; Artroscopia; Fraturas do ombro; Reabilitação; Ombro; Escalas clínicas.

Reparo artroscópico do manguito rotador: fileira simples versus fileira dupla – Resultados clínicos após um a quatro anos

Luís Filipe Senna; Max Rogério Freitas Ramos; Ricardo Folador Bergamaschi

Rev Bras Ortop. 2018;53(4):448-53

OBJETIVO: Avaliar e comparar os resultados do reparo artroscópico de lesões do manguito rotador feito pelas técnicas da fileira única (FU) e da fileira dupla (FD).
MÉTODOS: De dezembro de 2009 até maio de 2013 foram feitos 115 reparos artroscópicos do manguito rotador com o uso de âncoras de sutura. Após a aplicação dos critérios de exclusão, restaram 75 pacientes (79 ombros) para serem avaliados retrospectivamente, dos quais 53 (56 ombros) compareceram para reavaliação. Os pacientes foram divididos em dois grupos: FU, com 29 ombros, e FD, com 27 ombros. A avaliação dos pacientes foi feita pelas escalas de pontos da University of California at Los Angeles (UCLA) e da American Shoulder and Elbow Surgeons (ASES).
RESULTADOS: O tempo médio de seguimento no grupo FU foi de 37,8 meses e no grupo FD, de 41,0 meses. A média dos pontos obtidos pela escala de UCLA foi de 30,8 no grupo FU e de 32,6 no grupo FD. Essa diferença não foi estatisticamente significativa (p > 0,05). As médias obtidas pela escala da ASES também não apresentaram diferença estatística, ficaram em 82,3 no grupo FU e 88,8 no grupo FD.
CONCLUSÕES: Não foi encontrada diferença estatisticamente significativa entre os métodos FU e FD pela análise comparativa das médias dos escores UCLA e ASES em pacientes submetidos ao reparo artroscópico do manguito rotador por um único cirurgião.


Palavras-chave: Manguito rotador; Ombro; Bursite; Artroscopia.

Reparo da lesão de Bankart: análise biomecânica e anatômica das suturas tipo Mason-Allen e simples em modelo suíno

Ricardo Barreto Monteiro dos Santos; Cleber Maciel de Morais Prazeres; Ricardo Mertens Fittipaldi; João Monteiro; Tiago Cerqueira Lima Nogueira; Saulo Monteiro dos Santos

Rev Bras Ortop. 2018;53(4):454-9

OBJETIVO: Avaliar a altura labral e a resistência ao arrancamento do reparo da lesão de Bankart em articulação glenoumeral de suínos, com âncoras duplamente carregadas com duas configurações de sutura: simples e tipo Mason-Allen.
MÉTODOS: Foram usados dez ombros suínos, nos quais foram criadas as lesões de Bankart. Para cada espécime foi feita a sutura da lesão com suturas tipo Mason-Allen e simples de forma aleatória. A altura labral foi mensurada previamente à confecção da lesão e após o reparo labral. Os espécimes foram submetidos ao ensaio de tração para avaliação biomecânica.
RESULTADOS: Nos espécimes submetidos a sutura simples (n = 5), observou-se altura média previamente à confecção da lesão de 3,86 mm e após a sutura, de 3,33 mm. Nos espécimes submetidos a sutura Mason-Allen (n = 5), observou-se que a altura média previamente à confecção da lesão era de 3,92 mm e após a sutura, de 3,48 mm. Ao comparar a altura labral após a sutura simples e Mason-Allen, não foram observadas diferenças significantes. A força de arrancamento no fim do ensaio de tração nos espécimes com sutura simples foi de 130 N e nos espécimes com sutura Mason-Allen, 128,6 N. Não houve diferença estatisticamente significante entre os ombros com suturas simples e Mason-Allen, p = 0,885.
CONCLUSÕES: O reparo das lesões de Bankart com sutura Mason-Allen proporciona aumento da altura do labrum, mas não eleva a força de resistência ao arrancamento.


Palavras-chave: Luxação do ombro; Cápsula articular; Interface osso-implante.

Tríade terrível do cotovelo. Avaliação do tratamento cirúrgico

José Antonio Galbiatti; Fabrício Luz Cardoso; James Augusto Soares Ferro; Rafael Cassiolato Garcia Godoy; Sérgio de Oliveira Bruno Belluci; Evandro Pereira Palacio

Rev Bras Ortop. 2018;53(4):460-6

OBJETIVO: Este estudo tem o objetivo de analisar, retrospectivamente, os resultados clínico- funcionais e radiográficos do tratamento cirúrgico da tríade terrível do cotovelo, com no mínimo doze meses de acompanhamento pós-operatório, avaliando a função do cotovelo.
MÉTODOS: Definimos um grupo de pacientes para avaliação retrospectiva no período de 2004 a 2015, no qual foram estudados 12 pacientes, submetidos a procedimento cirúrgico devido a fratura da cabeça do rádio, fratura do processo coronoide e luxação do cotovelo; sendo avaliados pelo escore Disabilities of the Arm, Shoulder and Hand (DASH), grau de satisfação do paciente, grau de energia do trauma, radiografias, arco de movimento e complicações.
RESULTADOS: Observou-se maior incidência de fraturas do processo coronoide do tipo II de Regan e Morrey; em relação às lesões, nove pacientes apresentaram desinserção do músculo braquial. Metade dos pacientes apresentou queda da própria altura como mecanismo de trauma. Os graus de flexão e extensão do cotovelo tiveram respectivamente as médias: 126,6 e 24,1 graus; e as médias em graus de pronação e supinação foram respectivamente: 64,1 e 62,0 graus. Todos os pacientes apresentaram grau de força muscular IV ou V. Obtivemos escore DASH médio de 14,3, a escala de dor teve média de 2,5, e a maioria dos pacientes se disse satisfeita com o tratamento.
CONCLUSÃO: Apesar da perda de amplitude total de movimento do cotovelo, principalmente em extensão, o tratamento mostrou-se satisfatório para a maioria dos pacientes.


Palavras-chave: Fraturas do rádio; Articulação do cotovelo; Luxações; Ortopedia.

Metástase óssea como primeira manifestação de tumores: contribuição do estudo imuno-histoquímico para o estabelecimento do tumor primário

Leandro Duil Kim; Fabiana Toledo Bueno; Eduardo Sadao Yonamine; José Donato de Próspero; Geanete Pozzan

Rev Bras Ortop. 2018;53(4):467-71

OBJETIVOS: Determinar a contribuição do estudo imuno-histoquímico na identificação do sítio primário da neoplasia, além de estabelecer quais os ossos mais frequentemente comprometidos, sua relação com o sítio primário neoplásico e a frequência de fratura em osso patológico como primeira manifestação do tumor maligno.
MÉTODOS: Foram levantados, retrospectivamente, todos os prontuários de metástases ósseas de janeiro de 2006 a dezembro de 2011 do Departamento de Ortopedia e Traumatologia.
RESULTADOS: O estudo imuno-histoquímico determinou corretamente o sítio primário neoplásico em 61,2% dos casos analisados. Com relação à localização metastática, o osso mais acometido foi o fêmur, correspondeu a 49,6% da amostra. A metástase óssea foi a primeira manifestação da neoplasia em apenas 20,2% dos pacientes; desses, 95% deram entrada com quadro de fratura do osso patológico.
CONCLUSÃO: O estudo evidenciou que os sítios primários e sua frequência de incidência são compatíveis com a literatura avaliada. Observou-se que, na presente amostra, a maior parte dos pacientes não apresentou a fratura do osso patológico como primeira manifestação clínica da doença neoplásica. Entretanto, quando analisados os pacientes que apresentaram como primeiro sintoma clínico a metástase, essa se manifestou por meio de fratura patológica em quase todos os pacientes. O estudo imuno-histoquímico foi compatível com o sítio primário neoplásico na maioria dos casos, demonstrou a relevância de tal método no auxílio da identificação do sítio primário.


Palavras-chave: Fratura, espontâneas; Imuno-histoquímica; Metástase neoplásica.

Estudo epidemiológico das fraturas do calcâneo em um hospital terciário

Chilan Bou Ghosson Leite; Rodrigo Sousa Macedo; Guilherme Honda Saito; Marcos Hideyo Sakaki; Kodi Edson Kojima; Túlio Diniz Fernandes

Rev Bras Ortop. 2018;53(4):472-6

OBJETIVO: Analisar a epidemiologia e as características das lesões e dos pacientes com fraturas do calcâneo.
MÉTODOS: Revisão retrospectiva dos pacientes com fraturas do calcâneo internados de 2006 a 2010, no Instituto de Ortopedia e Traumatologia dessa instituição. Foram analisados parâmetros como idade, gênero, lateralidade, mecanismo de trauma, tipo de fratura, lesões associadas, exposição e tempo decorrido até o tratamento cirúrgico.
RESULTADOS: Foram encontrados 52 pacientes com fratura do calcâneo, dez casos bilaterais (19,2%), total de 62 calcâneos fraturados, com predomínio do gênero masculino, na relação 5,5:1. A média de idade foi de 36,8 anos. O mecanismo de trauma mais frequente foi a queda de altura (75,0% dos casos), seguido por acidentes de motocicleta (11,5%) e acidentes de automóvel (9,6%). Fraturas intra-articulares foram mais frequentes, com 47 casos. Quinze pacientes apresentaram fraturas expostas (28,9%). Dos 52 pacientes com fratura do calcâneo, 11 foram tratados conservadoramente e 41, cirurgicamente. O tempo médio entre o trauma e o tratamento cirúrgico definitivo foi de 7,8 dias, variou de 0 a 21 dias, com a maioria dentro dos primeiros sete dias (58,5%).
CONCLUSÃO: Pacientes com fraturas do calcâneo atendidos em um hospital voltado para o atendimento de alta complexidade foram na maioria jovens, do sexo masculino, que sofreram queda de altura e com algum tipo de lesão associada. Os índices elevados de bilateralidade (19,2%) e de exposição da fratura (28,9%) caracterizam a maior gravidade dessas fraturas nesse grupo populacional.


Palavras-chave: Fraturas ósseas; Calcâneo; Epidemiologia.

Tratamento de fraturas intertrocantéricas estáveis do fêmur com haste femoral proximal versus parafuso dinâmico de quadril: um estudo comparativo

Anmol Sharma; Anisha Sethi; Shardaindu Sharma

Rev Bras Ortop. 2018;53(4):477-81

OBJETIVO: Avaliar e comparar os resultados clínicos e radiológicos de pacientes com fraturas intertrocantéricas estáveis tratados com hastes femorais proximais vs. parafuso dinâmico de quadril.
MÉTODOS: Sessenta pacientes com fraturas intertrocantéricas estáveis, maiores de 18 anos, foram divididos aleatoriamente em dois grupos, um de hastes femorais proximais e outro de parafuso dinâmico de quadril. Um parafuso dinâmico de quadril com placa lateral de três furos e um parafuso antirrotação foram usados, bem como uma hastes femorais proximais ultracurtas, modificadas para a população asiática de menor estatura. As complicações intraoperatórias, precoces e tardias foram registradas; o resultado funcional de cada grupo foi avaliado com o Harris Hip Score.
RESULTADOS: No grupo parafuso dinâmico de quadril, o Harris Hip Score foi um pouco menor do que o do grupo hastes femorais proximais. Entretanto, nos seguimentos de três e seis meses, o grupo parafuso dinâmico de quadril apresentou maior média do que o grupo hastes femorais proximais; no seguimento de um ano, ambos os grupos atingiram valores similares.
CONCLUSÃO: A hastes femorais proximais proporcionam uma cirurgia significativamente mais curta, com uma menor incisão e consequentemente menos complicações relacionadas à ferida. Entretanto, a incidência de erros técnicos foi significativamente maior no grupo hastes femorais proximais quando comparada com o grupo parafuso dinâmico de quadril, visto que essa é uma cirurgia tecnicamente mais exigente, que apresenta mais falhas de implantes e as consequentes reoperações.


Palavras-chave: Hastes ósseas; Parafusos ósseos; Fixação de fratura, intramedular/instrumentação; Fraturas do quadril/cirurgia.

Resultado do tratamento cirúrgico de fraturas acetabulares desviadas: estudo prospectivo

Sahu Ramji Lal

Rev Bras Ortop. 2018;53(4):482-8

OBJETIVO: Avaliar o resultado funcional das fraturas acetabulares tratadas cirurgicamente.
MÉTODOS: Um estudo longitudinal prospectivo foi feito neste hospital entre dezembro de 2010 e dezembro de 2014. Foram incluídos 46 pacientes com diagnóstico de fratura acetabular. A principal causa da lesão acetabular foi acidente de trânsito. Todos os pacientes foram tratados cirurgicamente com placas e parafusos. O resultado foi avaliado radiologicamente e funcionalmente pela escala de avaliação do quadril (Harris Hip Score). O período médio de seguimento dos pacientes no pós-operatório foi de 30 meses (24-36).
RESULTADOS: Os resultados foram excelentes em 60,86%, bons em 21,73%, razoáveis em 8,69% e ruins em 8,69% dos casos. Complicações pós-operatórias da fratura acetabular, tais como ossificação heterotópica, foram encontradas em 2,17% dos casos; osteoartrite, em 6,52%; infecções da pele, em 4,34%; lesões nervosas, em 2,17% e necrose vascular, em 4,34% dos pacientes. Mais de 80% dos pacientes estavam satisfeitos com os resultados da cirurgia.
CONCLUSÃO: Os presentes resultados indicam que a fixação interna das fraturas acetabulares conduz a um bom resultado na maioria dos pacientes.


Palavras-chave: Acetábulo; Artroplastia, substituição, quadril; Fraturas, osso; Articulação do quadril.

RELATO DE CASO

Um caso raro de subluxação central bilateral da articulação do quadril associada a fratura bilateral da lâmina quadrilátera em um homem idoso devido a convulsões

Kiran Makwana; Mayank Vijayvargiya; Nitesh Agarwal; Ketan Desai; Vivek Shetty

Rev Bras Ortop. 2018;53(4):489-92

Lesões musculoesqueléticas, tais como luxação das articulações do ombro e quadril e fraturas do colo do fêmur, são complicações conhecidas de convulsões. A subluxação central bilateral da articulação do quadril associada a fratura bilateral da lâmina quadrilátera do acetábulo é uma entidade rara e propensa ao diagnóstico tardio, ainda mais em pacientes que experimentam desorientação pós-convulsão. Os autores relatam o caso de um paciente masculino de 74 anos com subluxação central bilateral da articulação do quadril associada a fratura bilateral da lâmina quadrilátera decorrente de atividade convulsiva. Foi feita reconstrução bilateral aberta e a lâmina quadrilátera foi fixada com uma placa de reconstrução pré-dobrada de 3,5 mm, reforçada com uma placa de reconstrução da borda pélvica de 3,5 mm. Conclui-se que este caso é um raro exemplo de fratura bilateral das lâminas quadriláteras causada pela atividade convulsiva. Os profissionais de saúde devem manter um alto nível de suspeita para esse tipo de fratura ao avaliar pacientes após um episódio convulsivo.


Palavras-chave: Fraturas do úmero; Placas ósseas; Parafusos ósseos.

Relato de caso: tratamento da gangrena de Fournier na cintura escapular

Nivaldo Cardozo; Gyoguevara Patriota; Rodrigo Falcão; Roberto Maia; Gildásio Daltro; Daniel Alencar

Rev Bras Ortop. 2018;53(4):493-8

A gangrena de Fournier é uma infecção rara e com alta mortalidade que acomete o tecido subcutâneo, com necrose rapidamente progressiva. O objetivo é relatar um caso de gangrena de Fournier que envolveu a região da cintura escapular após fratura fechada da clavícula e discutir essa incomum evolução. A paciente foi submetida a procedimentos cirúrgicos seriados e acompanhada ambulatorialmente por 12 meses, quando obteve alta. A gangrena de Fournier é uma lesão agressiva e necessita de diagnóstico precoce (correlação clínico-laboratorial) com adequada abordagem cirúrgica e estabilização clínica.


Palavras-chave: Gangrena de Fournier; Ombro; Fasciíte necrosante.

Osteocondrite dissecante da tróclea: relato de caso

Guilherme Conforto Gracitelli; Fernando Cury Rezende; Ana Luiza Cabrera Martimbianco; Carlos Eduardo da Silveira Franciozi; Marcus Vinicius Malheiros Luzo

Rev Bras Ortop. 2018;53(4):499-502

Os autores relatam um caso raro de osteocondrite dissecante de tróclea. O tratamento dessas lesões com inviabilidade do fragmento osteocondral é difícil e muitas vezes limitado no nosso meio. Os autores apresentam resultados clínicos e radiológicos após o tratamento com a técnica de microfratura, enxertia óssea e cobertura com membrana de colágeno.


Palavras-chave: Articulação do joelho; Cartilagem articular; Osteocondrite dissecante.

Artroplastia total do joelho em paciente com luxação permanente da patela. Relato de dois casos e revisão da literatura

Rodrigo Pires e Albuquerque; Pedro Guilme Teixeira de Sousa; Fabrício Bolpato Loures; Hugo Cobra; João Maurício Barretto; Naasson Cavanellas

Rev Bras Ortop. 2018;53(4):503-9

A ocorrência de luxação permanente da patela associada a osteoartrite grave é considerada rara e de tratamento difícil. A literatura é bastante controversa sobre o assunto. O objetivo do trabalho é relatar dois raros casos de osteoartrite grave com luxação permanente da patela que foram submetidos a artroplastia total do joelho, além da técnica cirúrgica relacionada e de uma revisão da literatura. A artroplastia total do joelho com o acesso parapatelar medial associado a uma liberação lateral foi uma boa opção cirúrgica em pacientes com luxação permanente da patela associada a osteoartrite avançada.


Palavras-chave: Artroplastia do joelho; Patela; Luxação.

Fratura da tuberosidade anterior da tíbia associada à ruptura distal do tendão patelar: relato de caso

André Lourenço Pereira; Ângelo Ribeiro Vaz de Faria; Túlio Vinícius de Oliveira Campos; Marco Antônio Percope de Andrade; Guilherme Moreira de Abreu e Silva

Rev Bras Ortop. 2018;53(4):510-3

A fratura-avulsão da tuberosidade anterior da tíbia é uma lesão incomum que ocorre no jovem atleta, resultado de uma contração excêntrica do mecanismo extensor do joelho com o membro inferior fixo ao solo. Lesões concomitantes ao tendão patelar são muito raras, com poucos casos relatados na literatura. Os autores apresentam o caso de um atleta de basquete de 15 anos que sofreu uma fratura-avulsão da tuberosidade anterior da tíbia associada à ruptura completa distal do tendão patelar durante movimento de arremesso no treino esportivo. O paciente foi tratado com redução aberta da fratura e reparo do tendão patelar com miniâncoras e parafuso poste com reforço tendinoso com enxerto autólogo de semitendíneo. O paciente apresentou ótimos resultados e retornou ao esporte após 12 meses de acompanhamento.


Palavras-chave: Fraturas avulsão; Fraturas da tíbia; Ruptura; Tendão patelar.

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