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Setembro / Outubro de 2018
VOLUME 53 - NÚMERO 5

ARTIGO DE REVISÃO

Uso de anticoagulantes orais para prevenção de eventos tromboembólicos no pós-operatório de artroplastia de quadril: revisão sistemática

Anderson Reus Trevisol, Eduardo Felipe Mandarino Coppi, Julia Pancotte, Emanuelly Casal Bortoluzzi, Gabriel Pozzobon Knop

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):515-20

Os anticoagulantes orais usados no pós-operatório de artroplastia de quadril para prevenção de eventos tromboembólicos geram dúvidas a respeito da efetividade tromboprofilática e da redução de riscos hemorrágicos. Para isso, esta revisão sistemática tem como objetivo avaliar o uso de anticoagulantes orais para prevenção de eventos tromboembólicos no pós-operatório de pacientes submetidos a artroplastia de quadril. Os métodos usados foram pesquisas nas bases de dados indexadas do PubMed, BVS e periódicos da Capes de setembro de 2015 a junho de 2016, dos últimos dez anos, completos, livres e nos idiomas inglês e português. Os resultados apresentaram alguns casos de embolia pulmonar, trombose venosa profunda e sangramentos; apesar disso, os NACOs foram considerados, pelos estudos citados, eficazes na prevenção de eventos tromboembólicos. Os três medicamentos estudados mostraram-se importantes na prevenção de eventos tromboembólicos, mas os melhores resultados profiláticos foram obtidos com Rivaroxaban 10 mg, uma vez ao dia, com duração entre 30 e 35 dias com anticoagulantes orais e 28 a 42 dias com antiagregante plaquetário.


Palavras-chave: Artroplastia de quadril; Anticoagulantes; Embolia pulmonar; Trombose venosa/prevenção & controle.

ARTIGO ORIGINAL

Análise da reprodutibilidade intra e interobservadores das classificações antiga e atual da AO para fraturas toracolombares

Felipe Augusto Rozales Lopes, Ana Paula Ribeiro Bonilauri Ferreira, Ricardo André Acácio dos Santos, Carlos Henrique Maçaneiro

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):521-6

OBJETIVO: Avaliar a concordância inter e intraobservadores dos sistemas de classificação Magerl AO e AOSpine para fraturas toracolombares.
MÉTODOS: Os participantes foram divididos em dois grupos, um com seis médicos ortopedistas especialistas em coluna e o outro com 18 médicos residentes em ortopedia. Os participantes analisaram 25 radiografias com fraturas toracolombares em duas oportunidades, com um mês de intervalo entre elas, e classificaram com o uso dos dois sistemas de classificação de fratura toracolombar, Magerl AO e AOSpine. Os dados de concordância foram analisados pelo método do coeficiente kappa.
RESULTADOS: A classificação de Magerl AO apresentou uma concordância interobservadores leve (k = 0,32), considerando o tipo e o subtipo das fraturas, enquanto a classificação AOSpine obteve uma concordância interobservadores moderada (k = 0,59). A classificação de Magerl AO apresentou uma concordância intraobservadores leve entre médicos residentes e médicos especialistas (k = 0,21 e 0,38, respectivamente), enquanto a classificação AOSpine apresentou uma boa concordância intraobservadores entre médicos residentes (k = 0,62) e moderada entre médicos especialistas (k = 0,53).
CONCLUSÃO: O sistema de classificação da AOSpine para fraturas toracolombares apresentou uma melhor confiabilidade e reprodutibilidade comparado com o sistema de classificação Magerl AO, em relação à morfologia da fratura.


Palavras-chave: Fraturas da coluna vertebral; Classificação Magerl AO; Classificação AOSpine; Concordância interobservadores e intraobservadores.

Avaliação do ganho de altura discal e lordose lombar obtido pelas técnicas de fusão intersomática transforaminal e posterior

Tiago Cardoso Martinelli, Erica Antunes Effgen, Marcus Alexandre Novo Brazolino, Igor Machado Cardoso, Thiago Cardoso Maia, Charbel Jacob

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):527-31

OBJETIVO: Avaliar o ganho de altura discal e lordose lombar, comparativamente, conforme as duas técnicas de artrodese lombar, fusão intervertebral lombar transforaminal (TLIF) e fusão intervertebral lombar posterior (PLIF), usadas para o tratamento de doenças degenerativas da coluna vertebral.
MÉTODOS: O presente estudo, retrospectivo, foi feito com 60 pacientes submetidos a descompressão e artrodese lombar de um nível em nossa instituição de janeiro de 2010 a dezembro de 2015. Os pacientes foram divididos em dois grupos de 30 cada, conforme a técnica de artrodese intersomática TLIF ou PLIF. Todos apresentavam patologias no nível de L4-L5. Neste estudo, avaliaram-se o ganho de altura discal e a variação na lordose lombar por meio da análise das radiografias de coluna vertebral do período pré e pós-operatório dos pacientes dos dois grupos, mensurados por meio do programa de computador Surgimap®. Além disso, estimou-se a intensidade de dor no período pós-operatório por meio da Escala Visual Analógica (EVA).
RESULTADOS: Ambas as técnicas apresentaram ganho de altura discal no pós-operatório. Não existiu diferença estatisticamente significativa entre a variação da altura discal obtida com a técnica PLIF quando comparada com técnica TLIF (p = 0,139). Da mesma forma, não houve diferença estatisticamente significativa entre a variação de lordose lombar observada entre os dois grupos (p = 0,184). Por meio da análise da EVA, não houve diferença significativa na dor no período pós-operatório entre ambas as cirurgias de artrodese.
CONCLUSÃO: Não houve diferença no ganho de altura discal e lordose lombar, assim como na intensidade de dor no período pós-operatório, em pacientes submetidos a artrodese intersomática de um nível quando comparadas as técnicas PLIF e TLIF.


Palavras-chave: Artrodese; Disco intervertebral; Lordose.

Fixação anterior de fraturas do processo odontoide: resultados

João Pedro Ferraz Montenegro Lobo, Vitorino Veludo Moutinho, António Francisco Martingo Serdoura, Carolina Fernandes Oliveira, André Rodrigues Pinho

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):532-6

OBJETIVO: Avaliar os resultados clínicos e radiológicos do tratamento cirúrgico em pacientes com diagnóstico de fratura do processo odontoide submetidos a redução aberta e fixação interna (RAFI) com parafusos.
MÉTODOS: Estudo retrospectivo com nove pacientes. Avaliada a dor (escala visual analógica [EVA]) e o estado neurológico (escala de Frankel). O Neck Disability Index (NDI) e a amplitude de movimento cervical pós-operatória foram calculados. A coluna cervical foi avaliada radiologicamente (raios X e TC) nos períodos pré- e pós-operatório.
RESULTADOS: A idade média dos pacientes foi de 70 anos. Todos apresentaram fraturas do tipo IIb (classificação de Grauer), com desvio médio de 2,95 mm. Dois apresentaram lesões subaxiais. O seguimento médio foi de 30 meses. O tempo médio entre trauma e cirurgia foi de sete dias. O escore pré-operatório de Frankel foi E em todos, exceto em um paciente (B), no qual se observou uma melhoria pós-operatória de B para D. A dor pós-operatória foi 2/10 (EVA). Apresentaram incapacidade leve ou moderada (NDI) 77% pacientes. Seis pacientes recuperaram toda a amplitude de movimento cervical; a consolidação óssea levou aproximadamente 14 semanas. Foram observadas complicações de pseudartrose em dois pacientes (taxa de consolidação: 77%), um paciente necessitou reposicionamento do parafuso e um paciente, disfonia.
CONCLUSÃO: O diagnóstico tardio ainda é um problema no tratamento de fraturas do odontoide, especialmente em pacientes idosos. As lesões concomitantes, especialmente em pacientes mais jovens, não são incomuns. A literatura apresenta altas taxas de consolidação com RAFI (≥ 80%), o que também foi observado no presente estudo. No entanto, o sucesso cirúrgico depende da seleção adequada do paciente e do conhecimento rigoroso da técnica. Essa patologia apresenta um prognóstico funcional reservado em médio prazo, especialmente em idosos.


Palavras-chave: Lesão cervical; Fratura espinhal; Fixação de coluna; Processo odontoide; Parafusos ósseos.

Qual o papel da descompressão simples em estágios precoces na osteonecrose da cabeça femoral? Avaliação do resultado cirúrgico por meio de escore funcional e acompanhamento radiológico

Helder de Souza Miyahara, Bruno Berbert Rosa, Fabio Yuiti Hirata, Henrique de Melo Campos Gurgel, Leandro Ejnisman, José Ricardo Negreiros Vicente

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):537-42

OBJETIVOS: O presente estudo tem como objetivo avaliar se a descompressão simples da cabeça femoral nos estágios iniciais da osteonecrose da cabeça femoral melhora a percepção subjetiva da dor dos pacientes e se evita a progressão da doença para o colapso da cabeça femoral e a indicação final de artroplastia total do quadril.
MÉTODOS: Foram avaliados 18 pacientes (30 quadris) em estágios iniciais da doença (Ficat e Arlet 1 e 2 A) por critérios clínicos, radiológicos, manutenção dos fatores de risco e pela escala funcional de Merle D'Aubigné e Postel antes e após a descompressão simples da cabeça femoral.
RESULTADOS: Houve melhoria dos sintomas precocemente (até o sexto mês) em 83,3% dos quadris avaliados pela escala de Merle D'Aubigné e Postel. No entanto, 73,3% dos casos evoluíram com colapso da cabeça femoral e em 50% deles foi indicada artroplastia total do quadril, independentemente da manutenção ou não dos fatores de risco.
CONCLUSÕES: A descompressão simples da cabeça femoral melhora a dor dos pacientes precocemente nos estágios iniciais da patologia. Entretanto, não altera o prognóstico da doença e a indicação final de artroplastia total do quadril nos estágios finais da doença.


Palavras-chave: Descompressão da cabeça femoral; Necrose da cabeça do fêmur/patologia; Necrose da cabeça do fêmur/fisiopatologia; Necrose da cabeça do fêmur/diagnóstico; Resultado do tratamento.

Comorbidades, intercorrências clínicas e fatores associados à mortalidade em pacientes idosos internados por fratura de quadril

Stephanie Victoria Camargo Leão Edelmuth, Gabriella Nisimoto Sorio, Fabio Antonio Anversa Sprovieri, Julio Cesar Gali, Sonia Ferrari Peron

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):543-51

OBJETIVO: Analisar as comorbidades e as intercorrências clínicas e determinar os fatores associados à mortalidade de pacientes idosos internados por fratura de quadril em um hospital público de atenção terciária.
MÉTODOS: Neste estudo coorte retrospectivo, foram revisados 67 prontuários médicos de pacientes com idade igual ou maior que 65 anos, admitidos em nossa instituição por fratura de quadril, no período entre janeiro a dezembro de 2014. Foram avaliados os intervalos de tempo entre a fratura e admissão hospitalar e entre essa e o procedimento cirúrgico, o tempo total de internação, a presença de comorbidades, as intercorrências clínicas, o tipo de procedimento ortopédico adotado, o risco cirúrgico, o risco cardíaco e o desfecho de alta.
RESULTADOS: A média de idade foi de 77,6 anos, com predominância do sexo feminino (64,1%). A maioria dos pacientes (50,7%) tinha duas ou mais comorbidades. As principais intercorrências clínicas durante a internação foram distúrbios cognitivo-comportamentais e infecções respiratórias e do trato urinário. Os intervalos de tempo entre fratura e internação e entre essa e a cirurgia foram superiores a sete dias na maioria dos casos. A taxa de mortalidade durante a internação foi de 11,9% e esteve diretamente vinculada à presença de infecções no período hospitalar (p = 0,006), ao intervalo de tempo entre a internação e a cirurgia superior a sete dias (p = 0,005), ao escore de Goldman igual a III (p = 0,008) e à idade igual ou superior a 85 anos (p = 0,031).
CONCLUSÃO: Pacientes com fraturas do quadril geralmente apresentam comorbidades, estão predispostos a intercorrências clínicas e têm uma taxa de mortalidade de 11,9%.


Palavras-chave: Idosos; Fraturas do quadril; Cirurgia ortopédica.

Transplante de aloenxerto de aparelho extensor do joelho em casos de rotura do tendão patelar em pacientes com artroplastia total

Fernando Fonseca

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):552-6

OBJETIVO: Estudo retrospectivo para avaliação dos resultados funcionais de pacientes com artroplastia total do joelho e rotura do tendão patelar submetidos a transplante total de aparelho extensor do joelho congelado.
MÉTODO: Nove pacientes, operados entre 2003 e 2015, com um mínimo de um ano de seguimento. Procedeu-se a uma avaliação funcional com o escore da Knee Society, compararam-se os valores no pré-operatório e na última avaliação.
RESULTADOS: Sobrevida média de 2,7 ± 1,9 anos (14-1). O escore joelho melhorou de 38 ± 4,5 para 70 ± 8,5 e o escore funcional de 30 ± 6,5 para 90 ± 3,5. Déficit de extensão médio de 5° (1° - 15°). Arco de movimento médio de 80° (60-100).
CONCLUSÃO: O uso de aloenxerto é solução, de recurso, para casos extremos de rotura do tendão patelar após artroplastia total do joelho, parece apresentar resultados funcionais razoáveis e apresenta-se como uma opção à artrodese do joelho.


Palavras-chave: Ruptura; Ligamento patelar; Artroplastia do joelho; Transplante; Aloenxerto.

Avaliação de diferentes ácidos hialurônicos comerciais como veículo de injeção para células mesenquimais humanas derivadas do tecido adiposo

Camila Cohen Kaleka, Eder Zucconi, Tierri da Silva Vieira, Mariane Secco, Mário Ferretti, Moisés Cohen

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):557-63

OBJETIVO: Avaliar in vitro, de forma direta, a citotoxicidade de ácidos hialurônicos como veículo de injeção para linhagens de células-tronco mesenquimais (CTMs) obtidas de tecido adiposo humano.
MÉTODOS: As CTMs foram divididas em sete grupos, os quais foram expostos ao ácido hialurônico de seis marcas comerciais, além do contato com tampão fosfato-salino PBS (grupo controle). Após quatro, 24 e 48 horas, foi feita a análise da viabilidade celular através do contador Countess pelo método de coloração com Trypan Blue (Thermo Fisher Scientific).
RESULTADOS: Os resultados demonstraram uma diferença significativa na viabilidade celular quando essas linhagens de CTMs foram expostas aos diferentes ácidos hialurônicos em comparação com o grupo controle.
CONCLUSÃO: Os dados sugerem que o ácido hialurônico pode ser usado como veículo de injeção para CTMs, porém é necessária cautela na escolha do melhor produto para aplicação terapêutica futura.


Palavras-chave: Doenças da cartilagem; Joelho; Artroscopia; Cartilagem articular; Células-tronco mesenquimais; Transplante de células-tronco mesenquimais.

Análise biomecânica da dupla fixação de enxerto tendinoso em tíbia porcina – uso de parafuso de interferência e agrafe

Luis Antônio de Ridder Bauer, Hermes Augusto Agottani Alberti, Vitor Gustavo de Paiva Corotti, Ana Paula Gebert de Oliveira Franco, Edmar Stieven, Luiz Antônio Munhoz da Cunha

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):564-9

OBJETIVO: Comparar o comportamento mecânico da fixação tibial com parafuso de interferência versus parafuso de interferência com agrafe, em modelo animal.
MÉTODOS: Foram selecionadas 36 peças de joelho suíno e divididas em dois grupos: Grupo 1, fixação tibial com parafuso de interferência (n = 17) e Grupo 2, fixação com parafuso de interferência e agrafe (n = 19). Os modelos foram submetidos a teste de ciclo único de tração. Foram mensuradas as seguintes variáveis: medida da área de seção transversal do enxerto, ponto de falha nos 10 mm (F10), yield load (Fy) e rigidez.
RESULTADOS: Os valores médios de área de seção transversal do enxerto, F10, Fy, e rigidez não apresentaram diferenças significativas entre os grupos.
CONCLUSÃO: A adição de um segundo dispositivo de fixação ligamentar tibial tipo agrafe, complementar ao parafuso de interferência, não aumentou a segurança mecânica do sistema.


Palavras-chave: Ligamento cruzado anterior; Tíbia; Dispositivos de fixação ortopédica; Fenômenos biomecânicos; Tendões.

Resultados da reconstrução isolada do ligamento patelofemoral medial em pacientes com patela alta

Lúcio Flávio Biondi Pinheiro, Marcos Henrique Frauendorf Cenni, Oscar Pinheiro Nicolai, Lucas Paschoal Horta Gomes, Rafael Soares Leal, Daniel Gonzales Pinto Coelho

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):570-4

OBJETIVO: Comparar os resultados clínicos e escores funcionais do joelho em pacientes com altura patelar normal e patela alta submetidos a reconstrução isolada do ligamento patelofemoral medial.
MÉTODOS: Foram incluídos 37 joelhos de 33 pacientes com quadro de luxação recidivante da patela submetidos a reconstrução isolada do ligamento patelofemoral medial. Retrospectivamente, foi comparado o resultado clínico pós-operatório pelas escalas de Kujala e Lysholm entre o grupo de pacientes com altura patelar dentro da normalidade e aqueles com patela alta.
RESULTADOS: A amostra foi constituída por 37 pacientes; 16 joelhos de 14 pacientes pertenciam ao grupo da patela com altura normal e 21 joelhos de 19 pacientes compuseram o grupo com patela alta. No primeiro grupo, a pontuação média pela escala de Kujala foi de 85,8 e pela de Lysholm, 85,6. No segundo, a pontuação média pela escala de Kujala foi de 78,1 e pela de Lysholm, 79,7. Não foi observada diferença significativa entre os grupos em relação aos escores das escalas de Lysholm (p = 0,296) e de Kujala (p = 0,181).
CONCLUSÃO: A reconstrução isolada do ligamento patelofemoral medial apresentou resultados semelhantes em pacientes com altura patelar normal e elevada.


Palavras-chave: Patela; Luxação patelar; Articulação patelofemoral; Procedimentos cirúrgicos reconstrutivos.

Nervo interósseo anterior: estudo anatômico e implicações clínicas

Edie Benedito Caetano, Luiz Angelo Vieira, João José Sabongi, Maurício Benedito Ferreira Caetano, Rodrigo Guerra Sabongi

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):575-81

OBJETIVO: Analisar as relações anatômicas e as variações do nervo interósseo anterior e suas implicações clínicas. A paralisia completa do nervo interósseo anterior resulta na incapacidade de fletir as falanges distal do polegar e indicador; na incompleta, ocorre menor dano axonal e apenas o polegar ou o indicador são afetados.
MÉTODO: Este estudo baseou-se na dissecção de 50 membros de 25 cadáveres, 22 eram do sexo masculino e três do feminino. A idade variou entre 28 e 77 anos, 14 da etnia branca e 11 não branca; 18 foram preparados por injeção intra-arterial de uma solução de glicerina e formol a 10% e sete foram dissecados a fresco.
RESULTADOS: O nervo interósseo anterior originou-se do nervo mediano em média de 5,2 cm distal à linha intercondilar. Em 29 membros, originou-se dos fascículos nervosos da região posterior do nervo mediano e em 21 membros, dos fascículos posterolaterais. Em 41 membros, o nervo interósseo anterior posicionava-se entre as cabeças umeral e ulnar do músculo pronador redondo. Em dois membros, observou-se a duplicação do nervo interósseo anterior. Em todos os membros, registramos que o nervo interósseo anterior se desprendia do nervo mediano proximalmente à arcada do músculo flexor superficial dos dedos. Em 24 antebraços a ramificação do nervo interósseo anterior ocorreu proximalmente à arcada do músculo flexor superficial dos dedos em 26, distalmente.
CONCLUSÃO: As bandas fibrosas formadas pelas cabeças umeral e ulnar do músculo pronador redondo, a arcada fibrosa do músculo flexor superficial dos dedos e o músculo de Gantzer, quando hipertrofiado e posicionado anteriormente ao nervo interósseo anterior, podem comprimir o nervo contra estruturas profundas, alterar seu curso normal, por estreitar o espaço de sua passagem, causar alterações no músculo flexor longo do polegar e no flexor profundo dos dedos da mão.


Palavras-chave: Músculo esquelético/inervação; Nervo mediano; Síndrome compressiva; Pronação.

Hemiartroplastia do escafoide com APSI – resultados funcionais em longo prazo

Filipe Lima Santos, Andreia Ferreira, Rita Grazina, David Sá, Pedro Canela, Rui Lemos

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):582-8

OBJETIVO: Avaliar os resultados em longo prazo da hemiartroplastia do escafoide proximal no tratamento da osteonecrose avascular pós-traumática na instituição.
MÉTODOS: Foram identificados 12 pacientes submetidos a esse procedimento. O tempo médio de seguimento foi de 6,5 anos (entre cinco e oito). Todos os pacientes eram do sexo masculino, com média de 39 anos (entre 28 e 55). Em oito pacientes o membro afetado foi o não dominante. O procedimento foi feito por meio de uma abordagem dorsal e todos os pacientes foram submetidos ao mesmo protocolo de reabilitação. Todos os casos foram avaliados quanto à ocorrência de complicações, dor, amplitude de movimento, capacidade funcional (Mayo Wrist Score) e incapacidade (QuickDASH Score).
RESULTADOS: Não foram observadas complicações no período pós-operatório imediato, como infeção ou luxação do implante. No fim do período de seguimento, todos os casos apresentavam osteólise peri-implante no estudo radiográfico. Nenhum dos pacientes abandonou a sua atividade profissional prévia à cirurgia, embora em cerca de 50% dos casos tenha sido necessário algum tipo de adaptação no local de trabalho. A capacidade funcional média foi, de acordo com o Mayo Wrist Score, de 67,5 pontos (entre 50 e 80), correspondeu a um nível de função satisfatório. O escore de incapacidade QuickDASH apresentou uma pontuação média de 25 (entre 3 e 47,7).
CONCLUSÃO: Os resultados desta série encontram-se em linha com os estudos publicados sobre essa técnica. A hemiartroplastia do escafoide com implante de pirocarbono é uma técnica segura para o tratamento da necrose avascular do polo proximal do escafoide após fratura. Essa técnica permitiu obter um resultado funcional satisfatório após uma média de 6,5 anos de seguimento.


Palavras-chave: Hemiartroplastia; Osso escafoide; Necrose; Punho.

Novo método quantitativo para medida da lesão de Hill-Sachs: validação do método radiográfico de Hardy para ressonância magnética/artro-RNM

Flávio de Oliveira França, André Godinho, Elisio Ribeiro, Abel Ranzzi, Brício Lima Lobão Bittencourt, Bruno Brum Barreto

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):589-94

OBJETIVO: Validar o índice radiográfico de Hardy para ressonância magnética/artrorressonância magnética (RM/ARM) na avaliação do grau de acometimento da lesão de Hill-Sachs (LHS) em pacientes com histórico de instabilidade anterior do ombro.
MÉTODOS: Foram avaliados retrospectivamente 53 exames radiográficos e de RM/ARM do ombro para comparação das medidas da LHS por meio do índice radiográfico de Hardy. Os exames de imagem usados no estudo foram feitos entre março de 2013 e setembro de 2015. A coleta dos dados desses exames foi feita durante 2015. Os critérios de inclusão foram: história de instabilidade anterior do ombro, presença de LHS e radiografias em rotação medial com 70°.
RESULTADOS: A RM/ARM apresentou sensibilidade de 100% e especificidade de 100% quando usado o ponto de corte de 20% do índice de Hardy para mensuração da LHS.
CONCLUSÃO: A RM/ARM pode ser usada para avaliação do grau de acometimento da LHS com a mesma confiabilidade da avaliação radiográfica pelo índice de Hardy.


Palavras-chave: Índices de instabilidade; Luxação do ombro; Imagem por ressonância magnética.

O uso da prototipagem tridimensional para o planejamento do tratamento das deformidades ósseas do úmero proximal

Fernando Carlos Mothes, Almiro Britto, Fábio Matsumoto, Marco Tonding, Rafael Ruaro

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):595-601

OBJETIVO: Descrever o uso da prototipagem tridimensional ou prototipagem rápida em resina acrílica na criação de modelos sintéticos tridimensionais para facilitar o entendimento das deformidades ósseas do ombro.
MÉTODOS: Foram analisados cinco pacientes entre 11 e 73 anos, tratados entre 2008 e 2013, com deformidades glenoumerais, que necessitavam de uma avaliação mais precisa da alteração anatômica, nos quais foi feita a prototipagem tridimensional.
RESULTADOS: O paciente 1 foi tratado conservadoramente e aguarda artroplastia da cabeça umeral caso haja pioria dos sintomas. O paciente 2 foi submetido a osteotomia valgizante do úmero proximal, fixada com placa bloqueada de quadril pediátrica conforme avaliação prévia da prototipagem. O paciente 3 foi submetido a desinserção do manguito e plastia dos tubérculos e posterior reinserção do manguito rotador. O paciente 4 foi submetido a ressecção artroscópica do degrau articular, capsulotomia 360 graus e tenólise do subescapular. O paciente 5 foi submetido a artroplastia reversa de ombro com enxerto ósseo em L na glenoide posterossuperior.
CONCLUSÃO: A prototipagem rápida em resina acrílica permite um melhor planejamento pré-operatório no tratamento das deformidades ósseas no ombro, minimiza o risco de intercorrências intraoperatórias, numa tentativa de aprimorar os resultados.

Etnia Asiática: um fator de risco para a capsulite adesiva?

Eduardo Angeli Malavolta, Mauro Emilio Conforto Gracitelli, Gustavo de Mello Ribeiro Pinto, Arthur Zorzi Freire da Silveira, Jorge Henrique Assunção, Arnaldo Amado Ferreira

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):602-6

OBJETIVO: Avaliar se a etnia asiática é um fator de risco no desenvolvimento da capsulite adesiva. Os objetivos secundários foram descrever a prevalência da capsulite adesiva no ambulatório especializado em ombro e a dispersão dos casos de capsulite por faixa etária.
MÉTODOS: Estudo transversal que comparou a taxa de capsulite adesiva na etnia asiática (casos) com outras etnias (controles). Excluímos pacientes com fraturas e sintomatologia que não envolviam o ombro. O risco relativo foi exposto em razão de chance, ajustado para fatores confundidores por uma regressão logística binária.
RESULTADOS: Foram avaliados os prontuários de 1.331 pacientes. Após aplicação dos critérios de seleção, restaram 814. Observamos 134 casos de capsulite adesiva (15,6%). O pico de incidência foi aos 60-64 anos na etnia asiática e 55-59 anos nas demais. A razão de chance não ajustada foi de 4,2 (IC 95%, 2,4 a 7,4), enquanto a ajustada para sexo e diabetes mellitus foi de 3,6 (IC 95%, 2,0 a 6,5).
CONCLUSÃO: A etnia asiática se mostrou um fator de risco independente para o desenvolvimento da capsulite adesiva, com uma razão de chance ajustada de 3,6. O diagnóstico de capsulite adesiva esteve presente em 15,6% da amostra, com pico entre 55 e 64 anos.


Palavras-chave: Fatores de risco; Capsulite adesiva; Distribuição por raça ou etnia; Estudo comparativo; Ombro; Etiologia.

Perfil biométrico, histomorfométrico e bioquímico no tratamento com atorvastatina cálcica de ratas com osteoporose induzida com dexametasona

Davilson Bragine Ferreira, Virgínia Ramos Pizziolo, Tânia Toledo de Oliveira, Sérgio Luis Pinto da Matta, Mayra Soares Píccolo, José Humberto de Queiroz

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):607-13

OBJETIVO: Avaliar os efeitos da atorvastatina cálcica no tratamento da osteoporose induzida com dexametasona.
MÉTODOS: A indução da osteoporose consistiu na administração de dexametasona na dose de 7,5 mg/kg de peso corporal, por via intramuscular, uma vez por semana durante quatro semanas, à exceção dos animais do grupo controle (G1). Os animais foram distribuídos nos seguintes grupos: G1 (grupo controle sem osteoporose), G2 (grupo controle com osteoporose sem tratamento), G3 (grupo controle com osteoporose tratado com alendronato de sódio 0,2 mg/kg) e G4 (grupo com osteoporose tratado com atorvastatina cálcica 1,2 mg/kg). Após 30 e 60 dias do início do tratamento dos animais, foram feitas as dosagens dos níveis séricos de fosfatase alcalina, fosfatase alcalina óssea, avaliação biométrica e histomorfométrica óssea.
RESULTADOS: Em relação às análises biométricas e histomorfométricas, aos 60 dias de tratamento o G4 apresentou densidade óssea (índice Seedor), densidade trabecular óssea e espessura da cortical de 0,222 ± 0,004 g/cm, 59,167 ± 2,401% e 387,501 ± 8,573 µm, respectivamente, com diferença positiva, estatisticamente significativa (p < 0,05), em relação ao grupo G2. Aos 30 e 60 dias de tratamento, o G4 apresentou níveis séricos de fosfatase alcalina óssea estatisticamente significativos (p < 0,05) e superiores a todos os grupos (7,451 ± 0,173 µg/L e 7,473 ± 0,529 µg/L, respectivamente).
CONCLUSÃO: O tratamento com atorvastatina cálcica demonstrou a capacidade desse fármaco de aumentar a atividade osteoblástica e a atividade reparadora tecidual óssea, atuar de forma diferente do alendronato de sódio, que demonstrou atividade preponderantemente antirreabsortiva.


Palavras-chave: Glicocorticóide; Difosfonatos; Alendronato; Fosfatase alcalina; Histomorfometria óssea.

Comparação dos efeitos da reposição volêmica com NaCl 7,5% ou sangue em um modelo experimental de compressão muscular e choque hemorrágico

Mauricio Wanderley Moral Sgarbi, Bomfim Alves Silva, Daniel de Almeida Pires, Irineu Tadeu Velasco

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):614-21

OBJETIVO: A síndrome de esmagamento é caracterizada por lesões musculares traumáticas com graves repercussões clínicas sistêmicas. A reação inflamatória sistêmica, caracterizada agudamente por infiltração de neutrófilos nos pulmões, tem sido estudada como parte do espectro da síndrome de esmagamento. A pesquisa experimental pode demonstrar opções de tratamento para a síndrome de esmagamento. Os autores estudaram a hipótese de que solução salina hipertônica (NaCl 7,5%) pudesse minimizar os efeitos locais e sistêmicos da síndrome de esmagamento em um modelo de compressão muscular e choque hemorrágico.
MÉTODOS: Coelhos foram submetidos a um novo modelo de compressão muscular associado ao choque hemorrágico. A compressão foi feita por uma faixa de Esmarch aplicada por uma hora em todo membro inferior direito. O choque hemorrágico foi induzido durante uma hora por dissecção e cateterização da artéria carótida. O choque foi tratado com reposição de sangue ou solução salina hipertônica. Foram feitas análises bioquímicas do plasma, quantificação do edema muscular e infiltração de células inflamatórias nos pulmões.
RESULTADOS: Os animais tratados com solução hipertônica apresentaram a mesma resposta hemodinâmica observada naqueles tratados com sangue, menor quantidade de água nos músculos comprimidos e menor infiltração de células inflamatórias nos pulmões. O grupo tratado com sangue apresentou hipocalcemia, característica da síndrome de esmagamento.
CONCLUSÕES: O modelo proposto mostrou-se efetivo para o estudo da síndrome de esmagamento associada ao choque hemorrágico. O tratamento com solução hipertônica apresentou benefícios quando comparado com a reposição volêmica com sangue.


Palavras-chave: Síndrome de esmagamento; Choque hemorrágico; Coelho; Solução salina hipertônica.

RELATO DE CASO

Tratamento artroscópico de condromatose sinovial do tornozelo

Daniel Peixoto, Marta Gomes, António Torres, António Miranda

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):622-5

A condromatose sinovial é uma doença proliferativa, rara e caracterizada pela ocorrência de metaplasia na sinovial das articulações. Essas lesões tornam-se pediculadas e à medida que a doença evolui, as lesões se soltam, dão origem a corpos livres intra-articulares. A prevalência é maior em homens entre a terceira e quinta décadas de vida, atingindo normalmente grandes articulações como o joelho e o quadril. Articulações menores, como o tornozelo, são afetadas com menos frequência.Os pacientes referem dor articular, bloqueio e limitação da mobilidade causados pelos fragmentos livres. Com o evoluir da doença, a articulação sofre alterações degenerativas. Os autores apresentam um caso clínico de condromatose sinovial do tornozelo, tratado por artroscopia. O doente, do sexo masculino e de 59 anos, referia queixas de dor e edema do tornozelo esquerdo. Ao exame físico, apresentava limitação da mobilidade da tibiotársica (flexão plantar e dorsiflexão de 20° e 5°, respectivamente). Após avaliação clínica e estudo imagiológico, foi proposta artroscopia do tornozelo para tratamento de pinçamento articular com limitação da mobilidade. O tratamento artroscópico permitiu um fácil acesso à articulação, remoção dos corpos livres e sinovectomia parcial, com baixa morbilidade e reabilitação precoce. O prognóstico final foi excelente.


Palavras-chave: Condromatose sinovial; Tornozelo; Artroscopia.

Revisão de prótese total do quadril com alto risco de lesão vascular pélvica associada a abordagem endovascular: relato de caso

Rafael Leite de Pinho Tavares, Elias Arcenio, Walter Taki

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):626-31

A lesão vascular durante cirurgia de revisão da artroplastia do quadril é um evento incomum, porém reconhecido como complicação perioperatória. O planejamento pré-operatório torna-se imperativo nesses casos, especialmente quando há conflito entre o material implantado e os vasos ilíacos. Usualmente faz-se uma abordagem com via de acesso ilioinguinal para identificar as estruturas vasculares em risco e isolá-las dos componentes protéticos, o que aumenta o tempo de duração e a morbidade do procedimento para o paciente.O artigo descreve uma abordagem opcional menos invasiva para prevenção de lesão arterial intraoperatória. A paciente foi informada de que os dados relativos ao seu caso seriam submetidos a publicação e assinou um termo de consentimento livre e esclarecido.

Palavras-chave: Acetábulo; Parafusos ósseos; Prótese de quadril; Lesões do sistema vascular.

Dissociação traumática do inserto tibial com ruptura do tendão patelar após artroplastia total do joelho com a prótese Genesis II de alta flexibilidade e estabilização posterior

Sanjay Agarwala, Mayank Vijayvargiya

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):632-5

Os autores relatam o primeiro caso de dissociação tardia traumática do inserto de polietileno com ruptura do tendão patelar após artroplastia total do joelho, com o uso de uma prótese Genesis II de alta flexibilidade e estabilização posterior, em paciente com 60 anos com doença de Parkinson. A luxação do inserto plástico tem sido mais comumente descrita em ATJs com suporte de carga móvel e que pouparam o ligamento cruzado. Até o presente, foram descritos apenas quatro casos de dissociação dos insertos de polietileno em próteses de suporte fixo e alta flexibilidade. Este relato de caso abre caminho para a compreensão das potenciais causas de dissociação inserto de polietileno e sua conduta.


Palavras-chave: Artroplastia; Substituição; Joelho; Prótese de joelho; Articulação do joelho; Desenho da prótese; Sexo feminino.

Lesão condral do fêmur tratada com sutura óssea após luxação aguda de patela: um relato de caso

Camila Maftoum Cavalheiro, Riccardo Gomes Gobbi, Betina Bremer Hinckel, Marco Kawamura Demange, José Ricardo Pécora, Gilberto Luis Camanho

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):636-42

A fratura osteocondral após luxação aguda de patela em adolescentes é relativamente comum (até 60% dos casos de luxação patelar), porém pouco diagnosticada. Existem diversos tratamentos propostos para esse tipo de lesão, mas nenhum está bem definido na literatura. Paciente do sexo masculino, 13 anos, com diagnóstico de fratura osteocondral do côndilo femoral lateral, após luxação aguda da patela direita. Foi submetido a tratamento cirúrgico da lesão condral, que consistiu em sutura do fragmento condral ao defeito da cartilagem e, em um segundo tempo, a reconstrução do ligamento patelotibial medial (LPTM) e reconstrução do ligamento patelofemoral medial (LPFM) com enxerto autólogo de flexores. Atualmente o paciente encontra-se com o seguimento de 16 meses de pós-operatório da sutura do fragmento condral e oito meses da reconstrução ligamentar, foi avaliado através de escores funcionais e ressonância magnética com mapeamento de T2. Em casos especiais, pode-se considerar o uso de fixação aguda por sutura óssea direta de um fragmento puramente condral.

Palavras-chave: Fraturas ósseas; Luxação patelar; Ligamentos articulares; Osteocondrite.

Fratura luxação transescafoperissemilunar além do estágio IV de Mayfield. Estudo preliminar. Proposta de nova classificação: relato de caso

Antonio Lourenço Severo, Marcelo Barreto Lemos, Tomas Araújo Prado Pereira, Rulby Deisy Puentes Fajardo, Philipe Eduardo Carvalho Maia, Osvandré Lech

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):643-6

Esse relato e revisão na literatura tem como objetivo reconhecer a enucleação total além do estágio IV da classificação proposta por Mayfield. Propõe-se a adição de uma quinta categoria, para lesões ligamentares completas que levam a uma circulação inexistente do ligamento radiolunar, impedem a reconstrução cirúrgica e influenciam, assim, o tratamento cirúrgico.


Palavras-chave: Luxações; Fraturas ósseas; Ossos do carpo; Classificação.

Condromatose sinovial simétrica bilateral do ombro: relato de caso

Balakrishnan M. Acharya, Pramod Devkota, Suman K. Shrestha, Nabeesman S. Pradhan, Shiraz Ahmad

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):647-50

A condromatose sinovial é uma artropatia benigna raramente vista em articulações diartrodiais. A condromatose sinovial simétrica bilateral extra-articular do ombro é a variedade mais rara. O diagnóstico é estabelecido com a ajuda de exames de imagem e histopatológicos. Este relato descreve o caso de uma paciente de 39 anos, com aumento de volume progressivo simétrico sobre a região bilateral do ombro com 12-18 meses de duração com dor entorpecido e limitação dos movimentos das articulações do ombro. A ressonância magnética e a ultrassonografia revelaram um grande aumento de volume da bursa subacromial subdeltoidea bilateral com corpos livres flutuantes. A excisão cirúrgica extensa da bursa bilateral foi feita com quatro semanas de intervalo. O exame histopatológico revelou condromatose sinovial em ambos os lados. A recuperação pós-operatória transcorreu sem complicações.


Palavras-chave: Ombro; Condromatose sinovial/patologia; Condromatose sinovial/cirurgia; Condromatose sinovial/diagnóstico por imagem.

NOTA TÉCNICA

Reconstrução do tendão distal do bíceps com enxerto de semitendíneo: descrição da técnica

Leandro Masini Ribeiro, Jose Inacio de Almeida, Paulo Santoro Belangero, Alberto de Castro Pochini, Carlos Vicente Andreoli, Benno Ejnisman

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):651-5

As rupturas distais do bíceps são raras quando comparadas com as rupturas proximais, têm epidemiologia e mecanismo de trauma diferentes. Não apresentam uma fisiopatologia exata; entretanto, a zona hipovascular na inserção distal e o impacto mecânico durante o movimento devem ser considerados fatores importantes. O tratamento cirúrgico dos casos crônicos apresenta pior prognóstico pelo encurtamento muscular com retração do tendão, dificulta a reparação anatômica da lesão, deve ser considerado o uso de enxertos para sua reconstrução. Este é um estudo prospectivo, envolve quatro pacientes com lesão crônica do bíceps distal. Os tendões foram reconstruídos com enxerto autólogo do tendão semitendíneo do joelho ipsilateral e fixado na tuberosidade do rádio com auxilio de duas âncoras. A técnica cirúrgica mostrou-se um procedimento simples e viável para reconstrução das rupturas crônicas do bíceps distal.


Palavras-chave: Cotovelo/lesões; Ruptura; Procedimentos cirúrgicos reconstrutivos; Resultado de tratamento.

Acesso iliofemoral modificado para revisão de componente acetabular intrapélvico – nota técnica

José Ricardo Negreiros Vicente, Helder de Souza Miyahara, Leandro Ejnisman, Bruno de Biase Souza, Henrique Melo Gurgel, Alberto Tesconi Croci

Rev Bras Ortop. 2018;53(5):656-9

Entre os padrões de osteólise acetabular associados às solturas acetabulares, os autores destacam como de maior gravidade a dissociação pélvica e as perdas segmentares mediais nas quais a lâmina quadrilátera está gravemente acometida. Tais lesões são potencialmente letais em casos de lesão vascular de grande porte. O objetivo desta nota foi descrever um acesso iliofemoral modificado quando há migração intrapélvica maciça do componente acetabular em pacientes com proximidade total do feixe vascular ilíaco e ausência de plano demarcatório anatômico entre o conteúdo migrado e o feixe ilíaco. Esse acesso foi feito em 12 pacientes de 21 que apresentavam tais critérios.

Palavras-chave: Artroplastia de quadril; Articulação do quadril; Acetábulo.

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