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Novembro / Dezembro de 2018
VOLUME 53 - NÚMERO 6

ARTIGO DE REVISÃO

Indicações cirúrgicas para reconstrução do ligamento cruzado anterior combinada com tenodese extra-articular lateral ou reconstrução do ligamento anterolateral

Diego Ariel de Lima, Camilo Partezani Helito, Fábio Roberto Alves de Lima, José Alberto Dias Leite

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):661-7

Recentemente descrito na literatura médica, o ligamento anterolateral do joelho já é considerado um importante estabilizador contra a rotação tibial anterolateral, afeta o pivot shiftna falha do ligamento cruzado anterior e comporta-se como um grande estabilizador secundário rotacional. O mecanismo de lesão do ligamento anterolateral combinado com a lesãodo ligamento cruzado anterior é semelhante ao mecanismo da lesão isolada do ligamentocruzado anterior. Assim, o principal objetivo da reconstrução conjunta do ligamento cruzado anterior e do ligamento anterolateral seria um maior controle rotacional e prevençãoda rerruptura do ligamento cruzado anterior. Tendo em vista tal importância, o objetivo dopresente trabalho é resumir as evidências sobre as principais indicações cirúrgicas descritaspara reconstrução do ligamento cruzado anterior combinada com tenodese extra-articularlateral ou reconstrução do ligamento anterolateral. Foi feita uma revisão da literatura emabril de 2017, por meio de pesquisa nas bases de dados PubMed, Medline, Cochrane e GoogleScholar, sem limites de data. Após revisão dos principais artigos no assunto, os autores concluíram que as principais indicações cirúrgicas descritas para reconstrução do ligamentocruzado anterior combinada com tenodese extra-articular lateral ou reconstrução do ligamento anterolateral são: revisão do ligamento cruzado anterior, exame físico com pivotshift grau 2 ou 3, prática de esporte com mecanismo de pivot e/ou de alto nível, frouxidão ligamentar e fratura de Segond. Secundariamente, as seguintes indicações são possíveis: lesão crônica de ligamento cruzado anterior, idade menor de que 25 anos e sinal radiológico de afundamento do côndilo femoral lateral. Todavia, vale ressaltar que mais estudos ainda são necessários para comprovar essas tendências.


Palavras-chave: Reconstrução do ligamento cruzadoanterior; Joelho; Instabilidade articular

ARTIGO ORIGINAL

Injeção percutânea de medula óssea autóloga para tratamento de retardo de consolidação ou pseudoartrose de fraturas de ossos longos após fixação interna

Ramji Lal Sahu

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):668-73

OBJETIVO: Avaliar os resultados da injeção percutânea de medula óssea autóloga no tratamento de fraturas com retardo de consolidação ou pseudoartrose após fixação interna.
MÉTODOS: Estudo prospectivo feito no Departamento de Ortopedia de junho de 2005 a junhode 2010. Foram recrutados 93 pacientes com retardo de consolidação e pseudoartrose (56retardos de consolidação e 37 pseudoartroses) de osso longo dos Departamentos de Emergência e Ambulatórios e tratados com injeções de medula óssea autóloga percutânea. Osresultados clínicos deste estudo foram avaliados com base em critérios de consolidação.Todos os pacientes foram seguidos durante 24 meses.
RESULTADOS: Todas as fraturas (retardo de consolidação e pseudoartrose) apresentaramconsolidação dentro de 12 semanas. A maioria dos pacientes apresentava desconforto naregião doadora por alguns dias; nenhum caso de dor persistente foi observado. Os resulta-dos foram excelentes em 68,81% (64/93), bons em 19,35% (18/93) e ruins em 11,82% (11/93)dos casos.
CONCLUSÃO: A injeção de medula óssea autóloga percutânea é um método efetivo e seguropara o tratamento da pseudoartrose e do retardo de consolidação diafisários. Assim, conclui-se que uma quantidade adequada de injeção autóloga de medula óssea pode levar a umaconsolidação bem sucedida em casos de retardo de consolidação e pseudoartrose de fraturasde ossos longos.


Palavras-chave: Hastes ósseas; Fraturas femorais; Fixação interna de fratura; Fraturas com pseudoartrose

O uso de placas bloqueadas pediátricas no quadril paralítico: resultados preliminares de 61 casos

Frederico Coutinho de Moura Vallim, Henrique Abreu da Cruz, Ricardo Carneiro Rodrigues, Caroline Sandra Gomes de Abreu, Eduardo Duarte Pinto Godoy, Marcio Garcia Cunha

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):674-80

OBJETIVO: Avaliar os resultados clínicos e radiológicos da osteotomia varizante, de rotação eencurtamento da extremidade proximal do fêmur (OVRF) com uso de placa bloqueada empacientes com paralisia cerebral classificados pela escala Gross Motor Functional Classification System como IV e V.
MÉTODOS: Estudo retrospectivo de 42 pacientes (61 quadris) com paralisia cerebral, GrossMotor Functional Classification System IV e V, submetidos a OVRF. O seguimento mínimo pós-operatório foi de 24 meses. Foram avaliadas as características clínicas (idade na data dacirurgia, sexo, Gross Motor Functional Classification System, classificação geográfica da paralisia cerebral, padrão de acometimento motor), radiológicas pré e pós-operatórias (ângulo cérvico-diafisário, índice acetabular, índice de Reimers e tempo até a consolidação radiológica) e complicações pós-operatórias.
RESULTADOS: O ângulo cérvico-diafisário, índice acetabular e o índice de Reimers médios pré-operatórios foram respectivamente de 121,6º, 22,7º e 65,4% nos casos não complicados, vs.154,7º, 20,4º e 81,1% nos que evoluíram com complicações pós-operatórias. Todos os parâmetros apresentaram diferença significativa entre os valores pré e pós-operatórios (p < 0,05).O ângulo cérvico-diafisário e o índice de Reimers foram maiores no grupo com complicações(p < 0,0001). Não houve diferenças nas características clínicas, no tempo de imobilizaçãoou consolidação, exceto em relação ao grau Gross Motor Functional Classification System V (p< 0,0001). Foram observadas complicações pós-operatórias em 14 pacientes (33,3%). Desses,somente seis necessitaram reintervenção cirúrgica.
CONCLUSÃO: A placa bloqueada é um recurso seguro, com baixa taxa de complicac¸ões cirúrgicas e de técnica reprodutível para a OVRF na paralisia cerebral Gross Motor Functional Classification System IV e V. Maiores ângulos cérvico-diafisário, índices de Reimers e graus de Gross Motor Functional Classification System V estão ligados a maiores chances de complicac¸ões pós-operatórias.


Palavras-chave: Paralisia cerebral; Luxação do quadril; Osteotomia; Fêmur; Procedimentos cirúrgicos reconstrutivos

Precisão do sinal do beijo na RM da coluna lombar em casos de hérnia do disco axial e a correlação cirúrgica: um estudo multicêntrico indiano

Jitendra Parmar, Yash Gulati, Maulik Vora, Bhupesh Patel, Chander Mohan

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):681-6

OBJETIVOS: A ressonância magnética provou ser uma ferramenta valiosa na avaliação das anormalidades do disco. Dois tipos de extrusão de disco podem ser descritos de acordo com a direção do disco herniado: lateral e axilar. A hérnia de disco axilar é definida quando o fragmento do disco extruso encontra-se no recesso entre a borda lateral da cauda equina e medial às raízes do nervo, enquanto na hérnia lateral o disco posiciona-se lateralmente às raízes do nervo. A descrição do tipo de hérnia de disco é extremamente importante, pois a abordagem cirúrgica difere em cada tipo. Tanto quanto é do conhecimento dos autores, nenhum sinal definido foi descrito na literatura até o momento. Este estudo teve como objetivo abordar a precisão do sinal do beijo na RM no diagnóstico de herniação de disco axilar.
MÉTODOS: As RM de 72 pacientes submetidos à cirurgia da coluna vertebral foram avaliadas prospectivamente em relação à presença de hérnia de disco axilar por um radiologista sênior e cirurgião da coluna experiente com o sinal do beijo na RM. O sinal do beijo foi considerado positivo quando o material do disco herniado estava em contato direto com a lâmina e/ou ligamento amarelo em imagens axiais. Posteriormente, todas as cirurgias foram feitas por dois cirurgiões independentes e o tipo real de hérnia de disco foi documentado. A precisão dos resultados foi avaliada estatisticamente.
RESULTADOS: O sinal do beijo na RM apresentou 66,66% de sensibilidade, 92,59% de especificidade e 76,38% de precisão na detecção de hérnia de disco axilar com correlação significativa com os achados cirúrgicos.
CONCLUSÃO: O tipo de hérnia de disco é um parâmetro importante para a seleção de pacientes em diferentes abordagens cirúrgicas. O sinal do beijo na RM pode ser considerado uma ferramenta importante para o diagnóstico de hérnia de disco axilar devido à sua alta especificidade e precisão.


Palavras-chave: Deslocamento do disco; intervertebral; Ressonância magnética; Coluna/cirurgia

Osteotomia intracárpica biplanar no tratamento de pacientes com artrogripose

Ricardo Kaempf de Oliveira, Fabiano da Silva Marques, Rafael Pegas Praetzel, Leohnard Roger Bayer, Pedro Jose Delgado, Samuel Ribak

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):687-95

OBJETIVO: Descrever os resultados do tratamento cirúrgico de pacientes portadores de artrogripose congênita com deformidade do punho através da osteotomia intracárpica biplanar.
MÉTODO: Por meio de uma avaliação retrospectiva, entre janeiro de 2004 e dezembro de 2009, o estudo avaliou nove pacientes com grave deformidade em flexão e desvio ulnar do punho por artrogripose submetidos a osteotomia intracárpica com cunha de ressecção dorsal biplanar, com avaliação mínima de 48 meses de evolução pós-operatória. Em três pacientes, a osteotomia foi bilateral, perfez 12 punhos analisados. A indicação da técnica descrita foi deformidade e rigidez havia mais de seis meses, sem melhoria com tratamento conservador.
RESULTADOS: A média de idade dos pacientes no dia da cirurgia foi de cinco anos e oito meses. A média de mobilidade inicial do punho foi de 35º e as articulações apresentavam 72,5º de flexão média em posição de repouso. Todas osteotomias consolidaram em um período médio de 5,7 semanas. A média da posição final do punho em repouso foi de 12º de flexão e a mobilidade média foi de 26,6º , ligeiramente inferior ao pré-operatório, porém mais bem posicionado. Não foram observadas complicações graves decorrentes da cirurgia ou no pós-operatório imediato.
CONCLUSÕES: A osteotomia intracárpica com cunha de ressecção dorsal biplanar se mostrou útil e eficaz no auxílio da correção da deformidade em flexão e desvio ulnar do punho, com manutenção de uma mobilidade razoável. É uma cirurgia preservadora, com baixa morbidade e que evita a progressão da deformidade e alterações degenerativas futuras.


Palavras-chave: Artrogripose/terapia; Artrogripose/cirurgia; Procedimentos ortopédicos/métodos; Osteotomia/uso

Avaliação intraindividual dos resultados entre as técnicas aberta e endoscópica de um portal na síndrome do túnel do carpo bilateral

Carlos Henrique Fernandes, Lia Miyamoto Meirelles, Marcela Fernandes, Luis Renato Nakachima, João Baptista Gomes dos Santos, Flavio Fallopa

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):696-702

OBJETIVO: Foi feito um estudo de comparação intraindividual dos resultados cirúrgicos entre as técnicas cirúrgica aberta e endoscópica de um portal em pacientes com síndrome do túnel do carpo bilateral, cada uma das mãos operada por uma das técnicas citadas.
MÉTODOS: Quinze pacientes (30 mãos) foram avaliados no pré-operatório, na segunda semana e no primeiro, terceiro e sexto mês pós-operatório pelo questionário de Boston, escala visual analógica da dor, força de preensão palmar, pinça lateral, pinça polpa-polpa e pinça trípode. Foram comparados os escores de cada ferramenta de avaliação obtidos com as cirurgias endoscópica e aberta em cada um dos tempos de seguimento.
RESULTADOS: Em comparação com o grupo submetido a cirurgia aberta, o grupo submetido a cirurgia endoscópica apresentou piores escores na avaliação do primeiro e sexto meses pós-operatório quanto à gravidade dos sintomas. Não foram observadas diferenças quanto ao estado funcional da mão. Quanto à intensidade da dor avaliada pela escala visual analógica da dor, não foram observadas diferenças entre as médias em todos os períodos de tempo avaliados. Não foram observadas diferenças nas forças de preensão palmar, pinça polpa-polpa, polpa-lateral em todos os períodos de tempo. Quanto aos escores da força de preensão trípode, não foram observadas diferenças entre as médias nos períodos pré-operatório, duas semanas, um mês e três meses após a cirurgia. Aos seis meses de pós-operatório, o grupo de pacientes submetido a cirurgia aberta apresentou força trípode maior do que o grupo de pacientes submetidos a cirurgia endoscópica.
CONCLUSÃO: Com o uso da avaliação intraindividual não foram observadas diferenças entre os resultados das técnicas aberta e endoscópica para o tratamento da síndrome do túnel do carpo.


Palavras-chave: Síndrome do túnel do carpo; Procedimentos cirúrgicos; Descompressão cirúrgica/métodos; Endoscopia; Resultado do tratamento

Avaliação da reprodutibilidade intra e interobservadores da classificação AO para fratura do punho

Pedro Henrique de Magalhães Tenório, Marcelo Marques Vieira, Abner Alberti, Marcos Felipe Marcatto de Abreu, João Carlos Nakamoto, Alberto Cliquet

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):703-6

OBJETIVO: Este estudo avaliou a confiabilidade interobservador e intraobservador da classificação AO para radiografias simples em fraturas do terço distal do punho.
MÉTODOS: Trinta observadores, divididos em três grupos (residentes de ortopedia e traumatologia, ortopedistas e cirurgiões de mão), classificaram 52 fraturas do terço distal do antebraço com radiografias simples. Após quatro semanas, os mesmos observadores avaliaram as mesmas 52 fraturas em ordem aleatória. O índice kappa foi usado para estabelecer o nível de concordância entre os observadores individualmente e entre os grupos de residentes, ortopedistas e cirurgiões da mão, bem como para avaliar a concordância intraobservador. O índice de kappa foi interpretado conforme proposto por Landis e Koch.
RESULTADOS: A confiabilidade interobservador global da classificação AO foi considerada baixa (0,30). Os três grupos apresentaram índices globais de concordância considerados baixos (residentes, 0,27; ortopedistas, 0,30 e cirurgiões da mão, 0,33). A concordância intraobservador global obteve índice moderado (0,41), foi maior no grupo dos cirurgiões da mão, no qual foi considerada moderada (0,50). No grupo dos residentes e ortopedistas foi considerada baixa, com valores de 0,30 e 0,33, respectivamente.
CONCLUSÃO: A partir desses dados, concluímos que a classificação AO para fraturas do punho apresenta baixa reprodutibilidade interobservador e moderada reprodutibilidade intraobservador.


Palavras-chave: Ortopedia; Fratura ósseas; Punho; Classificação

Artrite séptica do ombro e do cotovelo: análise epidemiológica de uma década em um hospital terciário

Jorge Henrique Assunção, Guilherme Guelfi Noffs, Eduardo Angeli Malavolta, Mauro Emilio Conforto Gracitelli, Ana Lucia Munhoz Lima, Arnaldo Amado Ferreira

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):707-13

OBJETIVO: Descrever as características clínicas e epidemiológicas de pacientes com artrite séptica do ombro ou cotovelo e buscar fatores prognósticos para complicações durante o tratamento.
MÉTODOS: Foi feita uma série de casos retrospectiva com pacientes atendidos entre 2004 e 2014. As características clínicas e epidemiológicas dos pacientes foram coletadas. As complicações clínicas e ortopédicas foram identificadas e possíveis fatores prognósticos foram avaliados.
RESULTADOS: O estudo avaliou 27 pacientes, 17 com pioartrite no ombro e dez no cotovelo. A mediana da idade foi de 46 anos (IIQ 24,5; 61). Doença articular prévia foi observada em nove pacientes (33%). Uma ou mais comorbidades clínicas foram identificadas em 23 pacientes (85%). Staphylococcus aureus foi isolado em 14 casos (52%). Quatorze pacientes (52%) tiveram pelo menos uma complicação clínica e cinco pacientes foram a óbito (19%). Nove pacientes (33%) tiveram alguma complicação ortopédica. O tempo entre o início dos sintomas e o tratamento cirúrgico foi maior nos pacientes com complicações ortopédicas (p = 0,020). Em relação ao desenvolvimento de complicações clínicas, leucocitose na admissão hospitalar (p = 0,021) e presença de comorbidades clínicas (p = 0,041) foram fatores preditivos.
CONCLUSÕES: A pioartrite do ombro e cotovelo acomete preferencialmente indivíduos com comorbidades clínicas e/ou imunocomprometidos. O Staphylococcus aureus é o patógeno mais frequente no Brasil. Leucocitose na admissão hospitalar e a presença de comorbidades clínicas são fatores associados à presença de complicações clínicas. Maior tempo entre o início dos sintomas e o tratamento cirúrgico foi correlacionado a complicações ortopédicas.


Palavras-chave: Ombro; Cotovelo; Infecção; Artrite infecciosa; Epidemiologia

Avaliação clínica e funcional de pacientes submetidos a artroplastia reversa com seguimento mínimo de um ano

Flávio de Oliveira França, José Marcio Alves Freitas, Pedro Couto Godinho, Dermerson Martins Gonçalves, Tertuliano Vieira, Ulisses Silva Pereira

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):714-20

OBJETIVO: Avaliar os resultados clínicos e funcionais de pacientes submetidos a artroplastia reversa com seguimento mínimo de um ano.
MÉTODOS: Foram avaliados retrospectivamente 22 pacientes submetidos a artroplastia reversa de ombro pelo grupo de cirurgia e reabilitação de ombro da nossa instituição com análise pré e pós-operatória de exames de imagem, escala analógica da dor, amplitude de movimento e escala funcional ASES.
RESULTADOS: Dos 19 (86,3%) pacientes que apresentavam ASES pré-operatória classificada como péssimo/ruim, 11 (57,9%) evoluíram para bom/excelente após a intervenção, apresentaram melhoria da função, saíram de uma escala ASES pré-operatória média de 22 (±18,8) para uma pós-operatória de 64,8 (± 27,7; p = 0,031). Quanto à dor, observou-se melhoria da escala analógica da dor, apresentaram média pré-operatória de 7,64 (1-10) e pós-operatória de 2,09 (0-7; p < 0,001). Em relação à mobilidade, dos 22 pacientes, 15 (68,2%) apresentavam pseudoparalisia pré-operatória; desses, dez (66,7%) passaram a apresentar elevação anterior ativa superior a 90° após artroplastia reversa. Por outro lado, os pacientes sem pseudoparalisia não apresentaram ganho significativo de amplitude de movimento (p = 0,002). Foi observado ganho de elevação anterior ativa, com média pré-operatória de 76° (0-160°) e pós-operatória de 111° (0-160°; p = 0,002).
CONCLUSÃO: Apesar de ser um procedimento relativamente novo no Brasil, a artroplastia reversa de ombro pode ser usada com eficácia e segurança em pacientes que previamente apresentavam-se sem opções terapêuticas como artropatia do manguito rotador e revisões que proporcionam alívio de dor, melhoria da função e mobilidade do membro superior.


Palavras-chave: Artroplastia de substituição; Recuperação de função fisiológica; Amplitude de movimento articular; Resultado do tratamentor

Estudo prospectivo do bloqueio interscalênico periplexo guiado por ultrassom com cateter de infusão contínua para reparo artroscópico do manguito rotador e controle pós-operatório da dor

Leandro Cardoso Gomide, Roberto Araújo Ruzi, Beatriz Lemos Silva Mandim, Vanessa Alves da Rocha Dias, Rogério Henrique Dias Freire

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):721-7

OBJETIVO: Esse estudo investigou a analgesia pós-operatória em pacientes submetidos à cirurgia de reparo artroscópico do manguito rotador sob anestesia geral, associada ao bloqueio interescalênico periplexo guiado por ultrassom (BIPB-US), e comparou injeção única com a infusão contínua de anestésicos locais com bomba contínua de elastômero. As complicações associadas a ambas as técnicas são descritas.
MÉTODOS: Neste estudo clínico prospectivo, controlado e quase randomizado, 68 adultos programados para reparo artroscópico eletivo do manguito rotador foram designados para o Grupo 1 (G1 = 41) e submetidos à US-IBPB com uma injeção de 20 mL de ropivacaína periplexo a 0,5%, introdução de cateter e 20 mL de ropivacaína a 0,5% por meio de infusão contínua de anestesia local por bomba elastomérica (ropivacaína 0,2%, infusão de 5 mL/h). No Grupo 2 (G2 = 27), os pacientes foram submetidos à BIPB-US com uma única injeção periplexo de 40 mL de ropivacaína 0,5%. Em ambos os grupos, foram prescritos analgésicos orais: paracetamol 500 mg associado a codeína 30 mg para pacientes com VAS entre 3 e 5 e a mesma combinação associada a oxicodona 20 mg para aqueles com VAS ≥ 6. A equipe de anestesiologia estava disponível através de telefones de contato e os pacientes receberam uma tabela para relatar a intensidade da dor de acordo com a VAS, uso de medicação oral e complicações relacionadas ao cateter e à bomba, até o terceiro dia pós-operatório.
RESULTADOS: A intensidade da dor foi maior no segundo dia após a cirurgia do que nos dias 1 e 3, em ambos os grupos, confirmada pelo teste Anova (p = 0,00006). Entre os grupos, os pacientes do G1 apresentaram menor intensidade de dor do que os do G2, (p = 0,000197). Os pacientes do G2 apresentaram maior intensidade de dor durante todos os períodos estudados (dias 1, 2 e 3) do que pacientes com G1. No pós-operatório, os pacientes com G2 apresentaram maior consumo de analgésicos de resgate, náuseas e vômitos (40,74%) vs. G1 (5%) e tonturas (25,92%). Nenhum paciente com cateter e bomba elastomérica (G1) apresentou complicações quanto à inserção e manutenção durante o pós-operatório.
CONCLUSÃO: A qualidade da analgesia para reparo artroscópico do manguito rotador com BIPB-US periplexo e infusão contínua com bomba elastomérica apresentou qualidade de analgesia pós-operatória superior à da IBPB de punção única no segundo e terceiro dias pós-operatórios, com menor consumo de opioides de resgate nesse período.


Palavras-chave: Manguito rotador; Artroscópico; Ombro; Dor pós-operatória; Plexo braquial

Ressalto de escápula: tratamento cirúrgico artroscópico

Alexandre Tadeu do Nascimento, Gustavo Kogake Claudio

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):728-32

OBJETIVO: Avaliar os resultados funcionais de pacientes submetidos ao tratamento cirúrgico artroscópico para ressalto de escápula.
MÉTODOS: Estudo retrospectivo de 11 pacientes submetidos a artroscopia escapulotorácica para tratamento de ressalto de escápula. Foram incluídos no estudo pacientes com diagnóstico de ressalto de escápula que não apresentaram melhoria da dor com tratamento fisioterápico por no mínimo seis meses. Os pacientes foram avaliados pelo escore de Dash, UCLA, pela classificação visual analógica de dor (EVA) e pelo Short-Form 36 (SF36).
RESULTADOS: A média de idade na cirurgia foi de 38,4 anos (21 a 48). O tempo médio de sintomas antes da cirurgia foi de 2,8 anos (variação de seis meses a seis anos). O seguimento médio foi de 12 meses (variação de 6,4 a 28). A média dos escores pós-operatórios foi de 7,8 pontos no Dash; 1,5 ponto no EVA, dez casos (90%) de dores leves e um caso (10%) de dores moderadas; 32 pontos no UCLA e 79,47 pontos no SF-36.
CONCLUSÃO: A abordagem artroscópica para tratamento de ressalto de escápula apresenta excelentes resultados funcionais.


Palavras-chave: Bursite; Artroscopia; Dor de ombro; Escápula

Tratamento cirúrgico das lesões condrais do joelho com o uso da membrana de colágeno – condrogênese autóloga induzida por matriz

Diego Costa Astur, Jonathas Costas Lopes, Marcelo Abdulklech Santos, Camila Cohen Kaleka, Joicemar Tarouco Amaro, Moises Cohen

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):733-9

OBJETIVOS: Avaliar os resultados clínicos e funcionais dos pacientes com diagnóstico de lesões condrais de espessura total em joelhos sintomáticos submetidos a um método de reparação biológica por meio da técnica de condrogênese autóloga induzida por matriz.
MÉTODOS: Foram avaliados sete pacientes submetidos a tratamento cirúrgico devido a lesões condrais no joelho pela técnica de condrogênese autóloga induzida por matriz. Foram usados os questionários Lysholm e Kujala e a escala visual analógica da dor antes e após um ano de cirurgia. As imagens de ressonância nuclear magnética foram avaliadas após 12 meses de acordo com os critérios de reparo cartilaginoso de Mocart (magnetic resonance observation of cartilage repair tissue).
RESULTADOS: Dos sete pacientes avaliados, três apresentavam defeitos classificados como grau III e quatro como grau IV, de acordo com a classificação da International Cartilage Repair Society. Os defeitos condrais estavam no côndilo femoral medial (n = 2), na patela (n = 2) e na tróclea (n = 3). A média de idade dos sete pacientes (seis homens e uma mulher) foi de 37,2 anos (24 a 54). O tamanho médio dos defeitos condrais foi de 2,11 cm2(1,0 a 4,6 cm2). Após 12 meses, a ressonância nuclear magnética pós-operatória mostrou preenchimento do local da lesão com tecido cicatricial menos espesso do que a cartilagem normal em todos os pacientes. O valor médio do questionário de Mocart após 12 meses foi de 66,42 pontos. Observou-se diminuição importante na dor e melhoria da avaliação dos questionários de Lysholm e Kujala.
CONCLUSÃO: O uso da membrana de colágeno I/III de origem porcina se mostrou favorável no tratamento de lesões condrais e osteocondrais do joelho quando se avaliaram os resultados


Palavras-chave: Artroplastia subcondral; Cartilagem articular; Condrogênese; Colágeno; Traumatismos do joelho

Avaliação radiográfica e de sintomatologia dolorosa do joelho em indivíduos com obesidade grave – estudo controlado transversal

Glaucus Cajaty Martins, Luiz Felippe Martins, Andre Heringer Raposo, Raphael Barbosa Gamallo, Zarthur Menegazzi, Antônio Vítor de Abreu

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):740-6

OBJETIVO: Avaliar a prevalência de queixas álgicas no joelho e de alterações radiográficas degenerativas (artrose) em grupo obesos graves (índice de massa corporal [IMC] > 35).
MÉTODOS: Foram avaliados 41 pacientes com obesidade grave acompanhados em ambulatório de cirurgia bariátrica. Esse grupo foi subdividido em dois: obesos com IMC < 50 (n = 27); e obesos com IMC > 50 (n = 14). Os resultados foram comparados com os do grupo controle (n = 39). Foram avaliados a presença de artrose radiológica pela classificação de Kellgren-Lawrence, eixo tibiofemoral, idade, gênero e dor no joelho pela escala visual (EVA), foi feita correlação dos parâmetros entre si. Em 21 pacientes obesos e em 19 controles foi avaliada com o índice das universidades Western Ontario e McMaster (Womac).
RESULTADOS: Observou-se maior incidência de dor no grupo de obesos graves em relação ao grupo controle (p < 0,0001, coeficiente de risco de 2,96). No grupo de obesos graves observou-se aumento da dor com a idade (p = 0,047). Houve correlação positiva entre progressão da idade e artrose radiográfica tanto no grupo de obesos graves (p = 0,001) como no controle (p = 0,037). A escala Womac detectou pior desempenho funcional no grupo de obesos graves em relação ao controle (p = 0,0001, coeficiente de risco de 18,2).
CONCLUSÃO: Observou-se maior incidência de dor no grupo de obesos graves em relação ao controle. No grupo de obesos graves, a dor aumentou com a idade. Houve correlação positiva entre progressão da idade e artrose nos grupos de obesos graves e controle. O índice Womac apresentou pior desempenho no grupo de obesos graves.


Palavras-chave: Artrose; Joelho; Obesidade; Dor

Equilíbrio e qualidade de vida após artroplastia total de joelho

Daniel Araujo Fernandes, Lisiane Schilling Poeta, Cesar Antônio de Quadros Martins, Fernando de Lima, Francisco Rosa

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):747-53

OBJETIVO: Avaliar o equilíbrio e a qualidade de vida em pacientes submetidos a artroplastia total do joelho por gonartrose primária.
MÉTODO: Pacientes com 60 anos ou mais foram avaliados em relação ao equilíbrio e à qualidade de vida antes da artroplastia total de joelho e seis meses após a cirurgia. Para avaliar o equilíbrio, foi usado o teste da Escala Motora para a Terceira Idade; para avaliar a qualidade de vida, foram usados os questionários Western Ontario and McMaster Universities Osteoarthritis Index e Short Form Health Survey. Um grupo controle de indivíduos saudáveis, pareado por idade e gênero, foi usado para comparação dos níveis de equilíbrio do grupo em estudo após a cirurgia.
RESULTADOS: Completaram o estudo 28 pacientes, em 37 artroplastias. A média de idade foi de 70,18 ± 6,17 anos. Em todas as variáveis analisadas, observou-se significância estatística (p ≤ 0,05) para melhoria do equilíbrio e da qualidade de vida após a artroplastia. Observou-se que, após artroplastia do joelho, o nível de equilíbrio não alcança o nível esperado para indivíduos saudáveis (p ≤ 0,05).
CONCLUSÃO: A artroplastia total de joelho é capaz de melhorar o equilíbrio seis meses após a cirurgia, bem como todos os domínios da qualidade de vida. No entanto, não é capaz de restaurar o equilíbrio comparável àquele dos indivíduos saudáveis.


Palavras-chave: Artroplastia total do joelho; Equilíbrio postural; Idoso; Osteoartrite; Qualidade de vida

O papel das microfraturas associadas a osteotomia tibial no tratamento da gonartrose com geno varo

Leonardo Antunes Bellot de Souza, Vinícius Magno da Rocha, Max Rogerio Freitas Ramos

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):754-60

OBJETIVO: Avaliar a intervenção de microfratura associada a osteotomia tibial valgizante no tratamento de gonartrose medial com geno varo.
MÉTODOS: Entre novembro de 2005 e maio de 2013, foram avaliados 129 pacientes portadores de gonartrose medial, geno varo entre 8° e 12° e arco de movimento superior a 90°. Não foram incluídos pacientes com gonartrose avançada (Alhbäck 3, 4 e 5), lesão Outerbridge inferior a IV, cirurgia prévia na articulação, índice de massa corpórea superior a 35 kg/m2 e/ou lesão de ligamentos cruzados. Todos os pacientes foram submetidos a videoartroscopia do joelho seguida de osteotomia tibial valgizante. No grupo osteotomia tibial valgizante associado a microfratura (n = 56, média de idade = 39,3) foram associadas as técnicas de osteotomia tibial valgizante e microfratura nos defeitos condrais. No grupo osteotomia tibial valgizante isolada (n = 73, média de idade = 41,4), apenas esse procedimento foi feito. O acompanhamento pós-cirúrgico foi de 24 meses, com quatro avaliações ambulatoriais nos primeiros seis meses, passou-se a avaliações semestrais no período subsequente. A escala de Lysholm foi usada no acompanhamento funcional.
RESULTADOS: Uma melhoria significativa nos domínios dor, claudicação e agachamento da escala de Lysholm foi observada apenas no grupo osteotomia tibial valgizante isolada. Maior variância de resultados foi observada no grupo osteotomia tibial valgizante a ssociada amicrofratura e uma razão de chances de pioria de 8,64.
CONCLUSÃO: A associação das microfraturas e osteotomia tibial valgizante tem resultado funcional inferior à osteotomia tibial valgizante isolada, pode ainda estar relacionada ao risco de pioria nos primeiros dois anos de pós-operatório.


Palavras-chave: Osteoartrite do joelho; Geno varo; Osteotomia; Artroscopia; Escore de Lysholm para joelhor

Avaliação do uso do ácido tranexâmico em artroplastia total do joelho

Mariana Diana Chaves de Almeida, Rodrigo Pires e Albuquerque, Guilherme Mathias Palhares, Juliana Patrícia Chaves de Almeida, João Mauricio Barretto, Naasson Cavanellas

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):761-7

OBJETIVO: Avaliar a eficácia do ácido tranexâmico na redução do sangramento em pacientes submetidos a artroplastia total de joelho.
MÉTODOS: Foram randomizados 101 pacientes em dois grupos: grupo ácido tranexâmico (n = 51) e grupo placebo (n = 50). Os pacientes foram comparados nos quesitos redução da hemoglobina, perda sanguínea total estimada, débito do dreno e taxa de hemotransfusãopós-operatória.
RESULTADOS: Na comparação entre os grupos, observou-se diferença estatística (p < 0,05) nos seguintes parâmetros: redução da hemoglobina, redução do hematócrito, perda sanguínea estimada e débito do dreno. Todos os valores foram menores no grupo do ácido tranexâmico. Somente pacientes do grupo placebo necessitaram de hemotransfusão.
CONCLUSÃO: O uso de ácido tranexâmico intravenoso é eficaz para reduzir o sangramento dos pacientes submetidos a artroplastia total de joelho.


Palavras-chave: Ácido tranexâmico; Sangramento; Ortopedia; Artroplastia do joelho; Transfusão de sangue; Volume sanguíneo

Avaliação do resultado clínico e radiográfico das próteses de recapeamento de quadril após oito anos – estudo retrospectivo

Felipe Spinelli Bessa, Ronald Delgadillo Fuentes, Helder de Souza Miyahara, Alberto Tesconi Croci, Leandro Ejnisman, José Ricardo Negreiros Vicente

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):768-72

OBJETIVO: Avaliar o resultado clínico e radiográfico dos pacientes submetidos à prótese de recapeamento de quadril para o tratamento da osteoartrose de quadril.
MÉTODOS: Foram avaliados retrospectivamente 30 pacientes com coxartrose tratados com prótese de recapeamento de quadril entre 2005 e 2014. Foram incluídos no estudo pacientes de ambos os sexos portadores de osteoartrose de quadril avançada, primária ou secundária. Foram coletados dados sobre complicações pós-operatórias e necessidade de revisão da prótese. Foram feitas radiografias AP de bacia e perfil de quadril para classificação da osteólise segundo os critérios de Amstutz; os questionários do escore funcional de Lequèsne e do nível de atividade física do escore UCLA foram aplicados nos períodos pré e pós-operatórios.
RESULTADOS: Após um seguimento médio de oito anos, observou-se melhoria estatisticamente significativa entre as médias dos resultados pré e pós-operatórios de ambos os escores (p < 0,001). Entretanto, foi observada uma elevada taxa de revisão das próteses (20%), correlacionada ao tamanho do componente femoral usado e à falha na técnica cirúrgica.
CONCLUSÃO: A prótese de resurfacing de quadril pode proporcionar bons resultados, com a técnica adequada, em pacientes selecionados.


Palavras-chave: Osteoartrite; Prótese de quadril; Artroplastia de quadril; Falha de próteses

Efeito do tratamento cirúrgico sobre a qualidade de vida em pacientes com necrose avascular não traumática da cabeça femoral

Mohammad Reza Abbas-Zadeh, Ali Azizi, Leila Abbas-Zadeh, Farhad Amirian

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):773-7

OBJETIVO: A necrose avascular do quadril é uma doença debilitante comum durante a quarta e quinta décadas de vida. O presente estudo tentou avaliar a qualidade de vida em pacientes com necrose avascular da articulação do quadril antes e após a cirurgia.
MÉTODOS: Entre 2006 e 2013, o estudo avaliou 40 pacientes com necrose avascular do quadril que foram submetidos a artroplastia total do quadril, cirurgia bipolar ou descompressão do núcleo. O Harris Hip Score foi empregado para avaliar a função da articulação do quadril e a qualidade de vida antes e após a cirurgia. Os escores médios e o desvio padrão foram usados para descrever dados para variáveis quantitativas, enquanto a porcentagem de frequência foi usada para descrever variáveis qualitativas. Além disso, os dados foram analisados com o SPSS v.19 e o teste t pareado; p < 0,05 foi considerado significativo.
RESULTADOS: Este estudo envolveu 40 indivíduos com média de 32 ± 7,38 anos, variação de 21 a 45. Os escores médios no Harris Hip Score para pacientes antes e após a cirurgia foram 20,36 e 96,15, respectivamente, apresentaram diferença estatisticamente significante (p < 0,001). Diferenças significativas (p < 0,001) foram observadas na atividade média do paciente antes e após a cirurgia (8,9 e 44,2, respectivamente), sem deformidade (1,6 e 3,9) e movimento (3,6 e 4,9). Além disso, 80% dos pacientes não sentiram dor nas articulações do quadril seis meses após a cirurgia, enquanto 92,5% dos pacientes não usaram dispositivo auxiliar para deambulação.
CONCLUSÕES: Os resultados do presente estudo demonstraram que a cirurgia contribui substancialmente para aliviar a dor e melhorar em curto prazo a função do quadril em pacientes com osteonecrose da articulação do quadril.


Palavras-chave: Necrose da cabeça do fêmur; Artroplastia de quadril; Qualidade de vida

Existe relação entre a razão neutrófilo/linfócito e a bilateralidade para artrose de quadril?

Gustavo Göhringer de Almeida Barbosa, Fabricio Cardozo Vicente, Miguel Antonio Razia Fagundes, Lauro Manoel Etchepare Dornelles, Marcelo Reuwsaat Guimarães, Cristiano Valter Diesel

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):778-82

OBJETIVO: Avaliar a relação entre a razão neutrófilo/linfócito e a presença de sinais de artrose em ambos os quadris em pacientes acompanhados neste serviço.
MÉTODOS: Estudo transversal, retrospectivo, que usou análise de prontuários e revisão de banco de dados de pacientes maiores de 18 anos com diagnóstico de artrose de quadril acompanhados no ambulatório deste hospital.
RESULTADO: Com relação à análise do teste de Mann-Whitney para correlacionar a razão neutrófilo/linfócito e a lateralidade, observou-se um resultado de teste bilateral de 0,036, evidenciou desse modo a diferença entre os grupos. Quando os valores absolutos de neutrófilos e linfócitos foram analisados, observaram-se p = 0,14 e p = 0,24, não foi possível observar diferenças estatisticamente significativas entre os valores absolutos nos dois grupos.
CONCLUSÕES: Considerando-se as interações entre os mecanismos inflamatórios na osteoartrose e o fato de que a interação entre os neutrófilos e os linfócitos tem diferenças com relação à lateralidade da coxartrose, é possível levantar a hipótese de que a etiologia inflamatória da osteoartrose unilateral e da bilateral tem dinâmicas diferentes. Entretanto, são necessários estudos mais aprofundados, com citometria de fluxo, para avaliar o impacto com relação às diferenças nos mecanismos inflamatórios observados nesse estudo.


Palavras-chave: Osteoartrose; Inflamação; Neutrófilos; Linfócitos

Análise comparativa do tratamento de fraturas basocervicais de fêmur com CCS, DHS e PFN em adultos jovens

Anmol Sharma, Anisha Sethi, Shardaindu Sharma

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):783-7

OBJETIVO: Tanto quanto é do conhecimento dos autores, nenhum estudo na literatura comparou o resultado clínico dos três implantes mais comumente usados para tratar fraturas basocervicais do colo femoral (CCS, DHS e PFN) em adultos jovens. O presente estudo tenta preencher essa lacuna na literatura e chegar a uma conclusão sobre a utilidade desses implantes nessas fraturas.
MÉTODOS: Estudo prospectivo de intervenção, incluiu 90 pacientes com fratura basocervical do colo femoral tratada aleatoriamente com parafuso esponjoso canulado interfragmentário ou parafuso de quadril dinâmico, com um parafuso derrotativo ou um PFN curto.
RESULTADOS: O tempo médio para a consolidação de fratura foi de 14,4, 13,9 e 13,5 semanas e a taxa de consolidação foi de 93,2%, 100% e 100% nos grupos 1, 2 e 3, respectivamente. A média do Harris Hip Score no seguimento final foi similar entre todos os grupos: 79,4, 82,2 e 81,9 nos grupos CCS, DHS e PFN, respectivamente. A maior proporção de resultados bons a excelentes foi observada no grupo DHS (83,3%), enquanto que foi de 73,6% e 80% nos grupos CCS e PFN, respectivamente.
CONCLUSÃO: O uso de vários parafusos esponjosos não fornece uma construção suficientemente estável durante a consolidação da fratura. O PFN, embora associado a falhas de implantes menores do que o CCS, apresenta maior incidência de erros técnicos. O DHS proporciona estabilidade suficiente em fraturas basocervicais bem reduzidas em adultos jovens; seu uso está associado às maiores taxas de consolidação de fraturas e o melhor resultado funcional dentre os três implantes no seguimento final.


Palavras-chave: Fraturas do quadril; Hastes ósseas; Parafusos ósseos; Fraturas do fêmur; Fixação de fraturas; Intramedular

RELATO DE CASO

Apresentação incomum de instabilidade metacarpofalângica do polegar

Andrew Sephien, Francisco Schwartz-Fernandes

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):788-91

Lesões no polegar não são tão comuns como aquelas nos dedos. Os autores relatam um casoem que a paciente sofreu uma avulsão isolada do extensor curto do polegar que resultou eminstabilidade da articulação metacarpofalângica do polegar, com ligamento colateral ulnare radial intacto.


Palavras-chave: Deformidades congênitas da mão; Instabilidade articular; Articulação metacarpofalângica; Polegar

Planejamento de artroplastia total do joelho através de aplicativo para dispositivos móveis: relato de caso

João Bosco Sales Nogueira, Abrahão Cavalcante Gomes de Souza Carvalho, Edgar Marçal de Barros, Leonardo Heráclio do Carmo Araújo, Marcelo José Cortez Bezerra, José Alberto Dias Leite

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):792-6

Ao longo das décadas, a principal causa de insucesso em artroplastias totais do joelho (ATJ)continua a ser o mau alinhamento dos componentes protéticos. Os autores apresentamum caso de artrose avançada do joelho tratado por ATJ. O planejamento pré-operatório foifeito a partir de um aplicativo para dispositivos móveis e a paciente foi submetida à ATJprimária, com um implante desenvolvido com inspiração na teoria do “GAP modificado”,com base tibial rotatória. O alinhamento mecânico neutro dos membros inferiores foi obtidoe o aplicativo mostrou-se viável em sua proposta de planejamento para este caso.


Palavras-chave: Aplicativos móveis; Artroplastia do joelho; Mau alinhamento ósseo

Uso de aloenxerto osteocondral em paciente com necrose avascular do joelho secundária a lúpus

Fernando Fonseca

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):797-801

Nos casos de osteonecrose secundária do joelho sem colapso articular, a cirurgia de preservação articular é aceita. Contudo, não existe consenso quanto ao melhor tratamento: desbridamento e perfuração ou uso de auto ou aloenxerto. O autor descreve um caso clínico com 15 anos de evolução, no qual se usou enxerto alógeno osteocondral no tratamento de osteonecrose do côndilo femoral lateral secundário em paciente jovem com lúpus. Apesar das outras opções disponíveis e dos resultados referidos na literatura, a avaliação funcional, 15 anos depois, mostrou excelente resultado, com total autonomia da paciente para a vida diária e tarefas laborais, indica que a opção por aloenxerto osteocondral pode ser uma boa solução.


Palavras-chave: Osteonecrose; Joelho; Transplante; Aloenxerto

Compressão medular traumática por hérnia pulmonar

Guilherme Valdir Baldo, Alexandre Casagrande, Diogo Rath Fingerl Barbosa, Waldemar de Souza, Márcio Papaleo de Souza, Zaffer Maito

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):802-4

A compressão medular traumática por estruturas adjacentes à coluna é um evento raro. Os autores apresentam um caso de compressão medular ocasionada por parte do pulmão herniado em um adulto após acidente automobilístico. Não foram identificados casos semelhantes na literatura.


Palavras-chave: Compressão da medulaespinal/etiologia; Compressão da medulaespinal/cirurgia; Fraturas da coluna vertebralHér

Tratamento de ossificação heterotópica de quadril com uso de aparelho gessado: relato de caso

José Miguel Francisco da Silva Souza, Anna Luísa Franco de Aquino, Andréa Oliveira Basto

Rev Bras Ortop. 2018;53(6):805-8

A ossificação heterotópica pode ser definida como a formação de osso em tecidos que não têm propriedade de ossificação, como em músculos e tecido conjuntivo da região periarticular, sem invasão da cápsula. Essa patologia costuma ter evolução benigna, mas pode causar redução da amplitude do movimento articular e dificultar o processo de reabilitação. A sua etiologia ainda é desconhecida e geralmente tem origem em complicações pós-traumáticas, acomete de 10% a 20% dos pacientes com traumatismo cranioencefálico. Dentre suas manifestações clínicas, pode apresentar dor e limitação da movimentação articular, calor, edema e rubor local e, em alguns casos, febre moderada, espasticidade grave e até anquilose nos estágios mais avançados da doença. O tratamento se baseia na ressecção da ossificação com medidas adjuvantes como anti-inflamatórios não esteroidais, bifosfonato, radioterapia e fisioterapia. Nenhuma dessas modalidades ainda tem uma recomendação precisa de dose, quantidade ou protocolos bem estabelecidos. Ainda, o melhor tratamento é a prevenção. O objetivo deste trabalho é descrever um caso de ossificação heterotópica em quadril após traumatismo cranioencefálico, apresentar as manifestações clínicas e discutir o tratamento instituído com aparelho gessado inguinopodálico.


Palavras-chave: Ossificação heterotópica/terapia; Quadril; Traumatismos encefálicos; Fraturas ósseas

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